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GRANDE, COMO ERA GRANDE: A alegria contagiante da jornalista Martha Arruda nos deixou

 

 

A alegria contagiante de Martha Arruda nos deixou

A jornalista Martha Arruda, que marcou o jornalismo de MT, como editora do DC Ilustrado, morreu aos 78 anos

JOÃO BOSQUO E ENOCK CAVALCANTI
Da Reportagem e Editoria – DC ILUSTRADO

Agora estamos sem Matha Arruda, escrevo eu. Nosso amigo Enock Calvacanti escreverá: Grande, como era Grande – em reverência a esta mulher e jornalista que mexeu – sim, mexeu – com o jornalismo mato-grossense, no bom período do jornalismo mato-grossense. E mexeu também com a cabeça das pessoas, já que poucos tiveram tanta coragem para desafiar os preconceitos como Marta, que se divertia contando seus causos de amor. Os amigos que o digam. Nessa correria do dia-a-dia, a urgência para fechar a matéria, vamos esquecer uma porção de gente que amava Martha Arruda.

Martha era Martha, inquieta, explosiva, criativa, incontrolável. Tão inquieta não parava de falar e não guardava segredos para depois e junto com Enock Cavalcanti, Antônio de Pádua e Silva criou e alimentava a coluna “Quebra Torto”, deste DC Ilustrado, que explodiu muita polêmica na sempre provinciana Cuiabá do século 20. Uma dessas histórias quem nos conta é o jornalista Américo Corrêa, por anos repórter deste Diário.

“Martinha era muito engraçada, serelepe. Trabalhei com ela no DC. Ela também criou o Quebra Torto. Foram ela, o saudoso Antônio de Pádua e José Luís Siqueira que escreveram a nota Kit Babaca (celular, agenda eletrônica e caneta chique), com foto do também saudoso Auro Ida. O japonês zangou e foi tomar satisfação comigo, pois Marta acrescentou a palavra boliviano, como eu me referia ao Auro. O Cabeção entrou na redação do DC, lá no Porto, com punhos fechados, desferindo golpes. Reagi e acabei derrubando o meu amigo. Auro foi levado para as escadarias do prédio. Todo mundo pasmo e abalado. Menos Marta Arruda. Com os dois punhos cerrados, a baixinha queria ir lá fora trocar sopapos com aquele enorme e querido japonês. Foi difícil segurá-la. Bons tempos. Deus a tenha. Aliás, com certeza, ela, Auro e Pádua”, lembra Américo Corrêa.

Carlinhos Alves Corrêa, parceiro e sócio dela na revista Gente que Acontece, diz que “falar da Martha Arruda é relembrar um mundo sábio, onde a escrita era uma verdadeira luz para a alma, cheia de humor e criatividade, era o seu ponto forte na arte de escrever”. Ele diz ainda que “devemos aceitar a chegada da morte, assim como o dia aceita a chegada da noite, tendo confiança de que, em breve, de novo há de raiar o sol. Martha Arruda me ensinou: jamais perca a vontade de doar o amor, ainda que muitas vezes ele possa ser submetido a prova e até rejeitado”.

O jornalista e poeta Antônio Peres Pacheco lembra que conheceu Martha na redação deste DC. “Foi no começo dos anos 90. Eu, um jovem jornalista e aspirante a poeta e escritor, idealista e ávido por aprender e viver. Achei na Martinha uma representação de como eu queria ser quando tivesse mais de meio século de vida. Fomos vizinhos de máquina de escrever e, depois, de computador. Ela tirava minhas dúvidas, corrigia meu português, me incentivava, contava causos, piadas, tirava sarro. Era divertido viver a vida pelos olhos da Marta Arruda. Vou sentir falta dela, da sua gargalhada divertida, do seu olhar curioso e da vivacidade com que levava a vida, inclusive, naqueles momentos não tão bons”, filosofa Peres.

Valéria Del Cueto, que também é jornalista, também trabalhou em Cuiabá e hoje mora em Ipanema, a poucos quarteirões de onde Martha residia, lembra que ela “sempre foi uma mulher à frente do seu tempo, que soube levar a vida entre descobertas, desafios e boas risadas. Pagou o preço por ousar querer ser Martha num tempo em que lhe exigiam ser somente bela, recatada e do lar, mas achou que valia a pena passar pela vida contado histórias e fazendo das suas, como a menina travessa que sempre foi.”

O jornalista e secretário de Comunicação de Mato Grosso, Kleber Lima nos conta que conheceu Martha Arruda quando começou a trabalhar neste Diário de Cuiabá, na década de 1990. “Na época ela era um dos redatores do Quebra – Torto, juntamente com Enock Cavalcanti e António de Pádua, que já nos deixou também. Me lembro da sua irreverência e dos textos curtos e cortantes. Mordaz, inteligente. Isso já fazia falta ao jornalismo de hoje. Receio que este estilo de jornalismo criativo e provocativo, porém consistente e respeitoso com a verdade, se vá com ela. Nesse sentido, Marta deixa uma lacuna de difícil preenchimento. Ao legado dela, bem como do Pádua, meu mais efusivo respeito”, disse Kleber Lima.

Martha Arruda faleceu, aos 78 anos, na madrugada desta terça, 18, no Rio de Janeiro (RJ), onde morava há mais de 10 anos, no bairro de Copacabana. Ela era professora aposentada da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), trabalhou durante anos no jornal Diário de Cuiabá, em diversas funções, e dentre outras atividades no jornalismo editou a revista Gente que Acontece. Além do artista plástico João Pedro de Arruda, deixa outros três irmãos, Nilo, Deli e Luiz Mário Arruda, além de uma filha, netos e bisnetos que moram em Florianópolis (SC).

1 Comentário

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  1. - Responder

    Concordo totalmente com as palavras dos jornalistas João Bosquio e Enock Cavalcanti sobre a nossa saudosa e querida amiga Martha Arruda, uma das mais brilhante,sagaz,e criativa jornalista de Mato Grosso. Martha partiu para junto de Deus mais deixou aqui uma legião de amigos e admiradores. Grande colaboradora do Grupo Futurista de Comunicação,em especial do jornal O Estado de Mato Grosso. Aos seus familiares o meu forte abraço neste momento de muita dor.

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