GILSON ROMEU E HELENA BORTOLO chamam atenção para o contraste social que se vê em Cuiabá, onde se tem um Centro Político e Administrativo com palacetes quem fariam babar os imperadores de Roma, enquanto o excluido populacho habita toscas residências em bairros periféricos

Professores da rede estadual, Helena Bortolo e Gilson Romeu são militantes de destaque da esquerda em Mato Grosso

PALÁCIOS versus ESCOLAS
Gilson Romeu da Cunha e Helena Maria Bortolo

Situado à margem esquerda da Avenida Rubens de Mendonça, o quadrilátero do Centro Político e Administrativo de Mato Grosso abarca um conjunto de faustosos palácios e palacetes que causariam frisson atávica aos augustos imperadores de Roma, rajás da Índia, faraós do Egito e czares da Rússia. São edificações públicas de extraordinárias dimensões e luxo, acomodando uma privilegiada casta de dignatários do aparelho do estado, com remunerações mensais que tocam o teto estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal.

Contrastando com a realidade social da capital cuiabana, este ostentoso cenário com túneis subterrâneos, jardins internos e piso de mármore importados, dista até mesmo das retinas do excluído populacho que habita toscas residências em bairros periféricos e subumanos. Pesquisa do Instituto Trata Brasil, comprova a afirmativa acima: “Cuiabá ocupa a 55ª posição no ranking de qualidade no serviço de esgoto entre 81 cidades com mais de 300 mil habitantes”. Fator que contribui para rebaixar a qualidade de vida dos cidadãos e proliferar as doenças endêmicas ou negligenciadas.

Primos pobres dos funcionários das consideradas carreiras estratégicas, os trabalhadores da educação das redes públicas de Cuiabá exercem suas longas jornadas -duplas e triplas- em prédios mal projetados, desconfortáveis e insalubres. Para ilustrar o destino de mais de cem mil alunos matriculados nessas unidades, os professores, categoria profissional de elevada qualificação, cuja graduação atinge a 98% do quadro funcional, recebem um piso salarial equivalente a 2.3 salários mínimos mensais.

Retratos da terra brasilis. País de muitos servos, onde senhores, desde a origem do estado nacional, procuram dificultar qualquer possibilidade de evolução política por não respeitarem os limites do contrato social, consignados na carta constitucional. No capítulo III, artigo 205 da Constituição Federal Brasileira, relativo à educação lemos: “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

Como copartícipe, a sociedade civil tem dado a sua cota de sacrifício para a superação do nosso anacrônico analfabetismo. Todavia, somente em Cuiabá, o último censo do IBGE registra a existência de trinta e cinco por cento de pessoas acima de dez anos sem instrução e com ensino fundamental incompleto. Impossibilitar o acesso desse contingente humano no seletivo mercado de trabalho, em função de sua desqualificação profissional, e mantê-lo mergulhado no mais completo obscurantismo cultural e político, é um ato criminoso dos agentes públicos mato-grossenses.

Gilson Romeu e Helena Bortolo são professores da rede estadual de ensino

1 Comentário

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  1. - IP 201.10.175.241 - Responder

    Acho que a dupla dinâmica deveria ir primeiro aos suntuosos palácios, verificar a real situação das instalações dos ditos palácios para ver que falta tudo, falta água, faltam cadeiras, há muito tempo que as manutenções não são feitas, e, graças a Deus as chuvas estão acabando, pois o que tem chovido na cabeça de servidor é brincadeira. Existem servidores que compram sua própria cadeira, pois as que são oferecidas não tem a mínima condição de uso, ergonomia passou longe das secretarias e não deixou lembrança.
    Agora, se as escolas estão em situação caótica, bom, o partido de vcs está no comando da Seduc há muito tempo, e ainda estão reclamando, façam-me um favor, vão trabalhar e parem de reclamar sem a devida constatação, que com absoluta certeza, contribuiriam muito mais com a educação.

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