gonçalves cordeiro

GIBRAN LACHOWSKI: Ônibus parado na segunda-feira. Ônibus parado na sexta-feira. É o que se vê nesta semana em Cuiabá

 

Sufoco no busão

Por Gibran Lachowski

 

Ônibus parado na segunda-feira. Ônibus parado na sexta-feira. É o que se vê nesta semana em Cuiabá, capital de Mato Grosso. Primeiro, porque os empresários miliardários do transporte coletivo há meses pagam com atraso os salários d@s funcionári@s. Depois, por causa da Greve Geral na sexta, 14, contra a proposta de Reforma da Previdência do desgoverno Bolsonaro. É um sufoco justificado.

 

Sufoco porque sem ônibus o povo tem dificuldade de ir trabalhar, levar a criançada para a escola, ir ao posto de saúde, fazer uma visita ao parente, trocar uma ideia com uma amiga pessoalmente. Afinal, nem só de zap se vive a vida.

 

Eu sei que tem uber, que tem carro próprio, que tem carona, que tem bicicleta, que dá pra tentar ir a pé dependendo da distância, mas… Transporte coletivo ainda é um meio muito usado pela população. E quando o povo trabalhador não vai trabalhar, a empresa afina, o empresário ganha menos, as coisas se acumulam e, às vezes, o patrão tem até que “sacrificar” seu almoço pra atender telefone, dar uma de recepcionista.

 

Ou seja, tratando-se de empresas de médio, grande e grandíssimo porte, quando os ônibus param de funcionar o prejuízo financeiro fica, sobretudo, com o patrão. E por isto é que as emissoras de rádio e tv, os portais de notícia e os jornais de orientação prioritariamente comercial reproduzem essa linha capitalista de pensamento.

 

Enquanto isso a dona que ia fazer faxina numa casa, deixa o serviço para o dia seguinte. O trabalhador da empresa que bate ponto não esquenta a cabeça, porque amanhã tem mais. A mãe que leva a filha à escola fica em casa, com a filha. E a filha-estudante fica em casa, com a mãe, e vai brincar com os coleguinhas, que ninguém é de ferro.

 

Agora, quando o problema do busão é a qualidade no serviço, aí aperta o bolso e a vida do povo. É o que ocorre várias vezes nas linhas que fazem o trajeto Cuiabá-Tangará da Serra, num percurso de cerca de 240 km. Não é raro ônibus ser substituído por van, não haver água a bordo, não haver cinto de segurança no assento. Sem contar que de algumas semanas pra cá o valor da passagem caiu da casa dos R$ 70 para a dos R$ 40. Ou seja, sinal de que havia superfaturamento. Sem falar da rodovia esburacada que aumenta o tempo de viagem de 4 horas para 5, 6, 7…, só pra mostrar que estrada boa não é reivindicação exclusiva de sojeiro.

 

Portanto, mais foco e menos alienação. Quem trabalha é trabalhadora e trabalhador. Quem gera riqueza é trabalhador e trabalhador. E, sendo assim, merece ser tratad@ com respeito e dignidade.

 

 

Gibran Lachowski, jornalista e professor universitário em Mato Grosso

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