TCE - DEZEMBRO

GIBRAN LACHOWSKI: Falar de Trump é fácil; quero ver é assumir o apoio ao golpe em terra nacional

 

Falar de Trump é fácil;

quero ver é assumir o apoio ao golpe em terra nacional

 

 

Por Gibran Luis Lachowski

 

 

É ridículo o esforço das emissoras de tv que fazem parte do oligopólio midiático brasileiro deitarem a lenha contra o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump.  Não convence.

 

Veículos de comunicação que apoiam com vigor uma camarilha golpista que assalta o Brasil a olhos vistos não têm moral para se levantar contra um ianque-russo que seja.

Não existe coerência mínima numa Globo da vida criticar as extravagâncias e preconceitos de Trump, se o mesmo grupo midiático:

ameniza as loucuras intolerantes de Bolsonaro e seu séquito;

apoia os ataques seguidos do governo Temer aos direitos sociais e trabalhistas;

e trata a situação prisional do país sob o pensamento sanguinolento das arenas romanas.

É de uma hipocrisia tamanha rotular o novo governo estadunidense como uma extensão dos negócios de Trump e não afirmar que o grupelho que ocupa o Palácio do Planalto também se afina muito mais aos interesses privados que ao interesse público nacional.

Emissoras como Globo, Bandeirantes, SBT, Record e Rede TV produzem hoje o que há de pior em leitura crítica da realidade. Essa leitura enviesada de mundo se pronunciou muito mais desde que se associaram à trama que derrubou a presidenta eleita Dilma Rousseff (PT) mediante um impeachment sem comprovação de crime de responsabilidade.

De lá para cá esses veículos, mais assemelhados a um braço do crime organizado, se veem obrigados a normalizar qualquer canalhice ou ato estapafúrdio de governo. É muito difícil se descolarem da criatura horrenda que ajudaram a criar.

Escravos dessa lógica, produzem um pseudojornalismo que dá lustre ao decorativo, reaviva a política assistencialista da doação de agasalhos das primeiras-damas mais caricatas e minora sucessivos protestos internacionais contra um presidente ilegítimo e contra a deslavada perseguição jurídico-política relativa a um ex-presidente dos mais populares.

 

Atacar o péssimo perfil de Trump, assim como seu antipopular projeto de sociedade, não absolve e nem apaga os constantes prejuízos à democracia e à vida social do povo brasileiro causados por Globo & Cia.

Na verdade, esses veículos reeditam o que ocorreu em 1964, quando a maioria do empresariado do jornalismo assinou embaixo e deu legitimidade ao golpe de estado contra Gullar.

Essa mentalidade conservadora, individualista e mercantilista sustenta ainda grande parcela do empresariado de mídia no Brasil, seja ela mais ou menos conectada à internet.

Se duvida, vá cobrar da Centro América uma cobertura crítica quanto ao agronegócio! Vá cobrar do Grupo Gazeta que destrinche o samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense em suas emissoras de rádio!

Essas coberturas devem incluir um demorado debate sobre a taxação da exportação da soja e uma discussão com base científica a respeito da relação entre excesso de agrotóxico, câncer e deformidades.

 

E aí, dá pra encarar?

 

Se toparem, peitam depois transmitir a canção “Reis do agronegócio”, de Chico Cesar (com clipe neste endereço https://www.youtube.com/watch?v=hbN_EPR8e7w e letra neste aqui https://www.vagalume.com.br/chico-cesar/reis-do-agronegocio.html)?

 

 

Gibran Lachowski

 

Gibran Luis Lachowski, jornalista e professor do curso de Jornalismo da Unemat/Alto Araguaia

Duvido!

1 Comentário

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  1. - Responder

    Excelente análise o mundo está agora à direita nazista mais descarada que a de Hitler.

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