gonçalves cordeiro

GIBRAN LACHOWSKI: Cristo, nosso maravilhoso irmão, não veio pregar religião, mas propor modo de vida inspirador

Cristo escarnecido pelos soldados, quadro de Carl Bloch

 

Cristo

Por Gibran Lachowski

 

Cristo não foi rei. E não entrou em Jerusalém montado num alazão. Entrou com um burrico encantador, desses que aparece para acompanhar tantos Quixotes e Sancho Panças por aí.

 

Cristo nasceu na periferia, com os animais, depois de uma longa jornada empreendida por Maria e José, que fugiram para salvar aquele que haveria de ser.

 

Fez tanto em 33 anos. Não foi mágico, mas operou maravilhas como o amor, a solidariedade, a empatia, a coragem, o perdão, a rebeldia, a criticidade, a fé, a organização popular.

 

Foi preso político, torturado, humilhado e assassinado na cruz, na capital.

 

Mas Cristo pode não ter existido, dizem de vez em vez, apontando seus restos, pondo abaixo a ressurreição. Não há problema. Só o fato de terem conseguido inventar essa figura maravilhosa já valeu a vida. O que fica é o exemplo, seu exemplo de utopia, de justiça, de por vir.

 

Como bem canta Cirineu Kuhn em “Pai Nosso dos Mártires”, ele é “parceiro dos pobres, Deus dos oprimidos”.

 

No Domingo, o de Ramos, Cristo dá início à sua morte, e morte de cruz. Quinta-feira, a traição e a entrega aos algozes. Depois há o seu justiçamento “em praça pública”, insuflado por sumos sacerdotes, e, no sábado, o silêncio se faz, enganando quem o pensa ter eliminado. No Domingo, na Páscoa, Cristo-homem entra para a História, voa por aí, visita os seus, animando-os a caminhar, bater de porta em porta, mostrando novamente como é que se faz.

 

Por isso, compreendamos a fraqueza de Judas (que se suicidou), a alegria de Barrabás (que foi liberto da pena de morte) e a opção de quem não compartilha dos rituais cristãos. Afinal, esse nosso maravilhoso irmão não veio para pregar religião, mas para propor um modo de vida inspirador. E foi homem… divino homem.

 

 

Gibran Lachowski, jornalista e professor universitário em Mato Grosso

   

 

 

 

 

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

onze + 10 =