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GIBRAN LACHOWSKI: Ao contrário da exposição humilhante a que submeteram o corpo de Khadafi (da Líbia), a de Hugo Chávez terá ares hollywoodianos e até de santificação

O professor Gibran Lachowski define Hugo Chávez como "Um homem – expressão de um povo – que assumiu a tarefa histórica de denunciar e resistir a intromissões do império estadunidense e frentear um processo de democracia participativa dos mais efetivos nas Américas"

Chávez vive
Por Gibran Luis Lachowski

Não é exagero afirmar que o ex-presidente da Venezuela, Hugo Rafael Chávez Frias, que morreu, está vivo. Morto fisicamente – semana passada, em decorrência de câncer –, vivo na memória de milhões de latino-americanos.

A multidão que foi às ruas de Caracas, capital da Venezuela, acompanhar o cortejo fúnebre confirma essa aparente contradição metafísica. Representantes de 54 países estiveram presentes no funeral. O velório seguirá semana que vem adentro, tamanha a comoção do povo venezuelano. Foi isso o que mostraram com insistência emissoras de tv e serviços de internet de todo o mundo.

Esse quadro significa que a Venezuela tornou-se centro político mundial, ao menos pelos próximos 30 dias, até a próxima eleição para presidente.

De um lado, fala-se que o governo maneja a comoção do momento e o carisma do líder. Chávez também é chamado de “comandante”, numa referência cada vez mais direta a Che Guevara, um dos maiores símbolos sociais, políticos e midiáticos do espírito revolucionário dos tempos atuais.

De outro lado, responde-se que a cerimônia tem a dimensão e extensão de seu homenageado. Um homem – expressão de um povo – que assumiu a tarefa histórica de denunciar e resistir a intromissões do império estadunidense e frentear um processo de democracia participativa dos mais efetivos nas Américas.

Afinal, raros são os países em que a Constituição prevê referendo popular durante mandato presidencial para definir se o eleito terminará o período para o qual foi escolhido. Mais raros os que resistem a um golpe de estado articulado por uma oligarquia petrolífera nacional, empresários ricos (incluindo os da mídia comercial), políticos conservadores e a CIA. A manobra antidemocrática ocorreu em 2002. Gerou o sequestro de Chávez e o depôs por um dia e meio, mas foi sufocada pela resistência de militares leais ao governo e forte mobilização popular.

Eleição

É fato que a campanha começou, ainda que extra-oficialmente. O governo venezuelano potencializa as homenagens a Chávez com o apoio popular interno e uma rede de colaboradores que vai de administrações nacionais a movimentos, associações e ongs de diferentes matrizes de esquerda.

O presidente interino Nicolás Maduro deverá ser o candidato chavista. Defenderá a herança social e política do ex-presidente. Entre elas: o fim do analfabetismo, diminuição da pobreza, distribuição das riquezas do petróleo e incentivo à criação de centenas de meios de comunicação comunitários.

A outra campanha tem sua expressão interna na aristocracia empresarial venezuelana (incluindo poderio midiático comercial) e na sua capilaridade junto a uma boa parte da classe média alta. Sintetiza-se, por enquanto, em Henrique Capriles Radonsky, derrotado por Chávez nas eleições de 2012. Tem simpatia do governo dos Estados Unidos, que deseja uma “nova Venezuela”.

Tvs brasileiras, como SBT, Cultura e Globo, procuram dizer que o país sul-americano está dividido e minimizar ou desqualificar as transformações sociais da era chavista.

Presente

Em breve embalsamado, Chávez vai se tornar efígie e tonificar sua presença em meio à cultura e à história da América Latina. Ao contrário da exposição humilhante a que submeteram o corpo de Khadafi (da Líbia), a de Chávez terá ares hollywoodianos e até de santificação.

E para fixar a importância político-midiática do cultivo à memória de Chávez neste instante histórico, nada melhor do que recorrer à “chamada dos mártires”. Por isso, com voz firme, punho erguido e cerrado, dizemos:

Chávez! Presente!

Chávez! Presente!

Chávez! Presente!


Gibran Luis Lachowski é jornalista em Mato Grosso

3 Comentários

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  1. - IP 177.132.240.41 - Responder

    Me lembrou o professor Girafales fazendo chamada na escola e o Chaves respondendo “presente”. hahaha

  2. - IP 189.10.113.187 - Responder

    Os comunas são sempre contraditórios, se dizem ateus, mas querem transformar o tranqueira do finado Chaves em um deus.

  3. - IP 200.17.60.247 - Responder

    Chaves era louco pelo poder, morreu agarrado a ele, em detrimento a miséria em que vive e ainda viverá o sofrido povo venezuelano. Um ditador que calava a imprensa local que o criticava, mesmo as críticas sendo justas. Foi tarde e deixou um operário (já vi esse filme) no lugar dele. Ainda bem que ele só teve filhas, caso contrário, já teria outro hereditário ditador para seu cobiçado lugar. O país é muito rico em petróleo, mas pobre em agricultura e tecnologia. A exemplo de Cuba, que também odeia os Estados Unidos, grande parte da população vive em extrema pobreza e a riqueza petrolífera não chega até eles.. de bom, restam as misses que sempre estão ganhando os concursos de beleza…Como ocorre por aqui, não dá para entender o povo…

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