GIBRAN LACHOWSKI: A vida é mais processo do que evolução

Gibran

 

Para além do desenvolvimentismo

Por Gibran Lachowski

 

Tanto na esquerda quanto na direita, para trabalhar com extremos, a noção de progresso é algo que tende ao nocivo. Baseia-se, fundamentalmente, no racionalismo dominador, na preponderância do humano sobre a natureza. Afinal, não haveria limite para a inventividade humana que busca mais produtividade em menos tempo, espaço e com menos recursos.

 

Essa forma de pensar, agir, viver e governar detona a biodiversidade, concentra-se na venenosa monocultura de exportação e se abastece da química da indústria farmacêutica. Vive da estética da moda, mais ou menos fitness, eleva o dinheiro ao grau mil, e customiza a vida, evitando as intercalações, os desenganos, os fracassos e as dores.

 

A verdade é que há um bom tempo esse modelo de vida predominante já deu. Basta! É preciso inventar outra coisa, e ela parte, obviamente, do que já temos, vigorou e/ou existiu.

 

Sendo assim, progresso não tem um sentido só, pra frente, que envolva a tod@s e a tudo. Ou seja: asfalto não é sinônimo de progresso quando aumenta o índice de mortes e piora a qualidade do ar. São consequências que devem ser pesadas para fazer a coisa de forma correta e, se não for possível, que se mantenha do jeito que está.

 

Essas considerações podem parecer loucura para quem está amealhado pela mentalidade única – monocultura de pensamento –, contudo há iniciativas e gentes em busca de outras formas de vida, convivências, concepções, mais comunitárias, amigas, irmãs, harmônicas.

 

Está aí o Bem Viver, dos indígenas andinos, que inspiram as recentes constituições boliviana e equatoriana e estimulam reflexões nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da igreja católica.

 

Está aí o FIB (Felicidade Interna Bruta), índice implantado pelo Butão para ajudar a “medir” o nível de riquezas que o país asiático de maioria budista tem. Está aí a economia solidária, espalhada por vários cantos deste Brasil, que almeja uma relação sem patrões nem empregados, fundada no respeito à natureza, coletividade, pluralidade cultural e organização popular.

 

Enfim, a vida é mais processo do que evolução.

 

Gibran Lachowski, jornalista e professor universitário em Mato Grosso

 

 

 

 

 

 

 

Categorias:Cidadania

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

8 + um =