GESTÃO DE MAURO MENDES REPETE ERROS DA GESTÃO DE WILSON SANTOS E GALINDO: Falta de médico gera tensão nas UPAs de Cuiabá. Prefeitura paga cerca de 750 médicos mas o que se vê é muita gente sem atendimento e atendentes sendo agredidos

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SAÚDE ABALADA

Falta de médico gera tensão em UPAs

Prefeitura de Cuiabá paga cerca de 750 médicos, mas o que se vê é muita gente sem atendimento e atendentes sendo agredidos

Por ausência de médicos, atendentes e enfermeiros de UPAs da Capital estão sofrendo com a ira de pacientes e acompanhantes

RODIVALDO RIBEIRO
DIÁRIO DE CUIABÁ

A visita de uma comissão de vereadores a unidades de saúde do município e as agressões verbais e físicas sofridas por atendentes e auxiliares de enfermagem nesses mesmos locais trouxeram à tona uma realidade bastante antiga da capital e uma pergunta: onde é que ficam os quase 750 médicos contratados (e pagos) pela prefeitura para atendimento da população?

Em visita às policlínicas do Verdão, Planalto e à Unidade de Pronto-Atendimento da Morada do Ouro, a reportagem encontrou sempre alto fluxo de gente à espera de atendimento. Nunca por menos de duas horas. Mesmo quadro foi visto pela comissão de cinco vereadores — Toninho de Souza (PSD), Ricardo Saad (PSDB), Arilson da Silva (PT), Oseas Machado (PSC) e Clovito Hugueney (PSD) — que estiveram na UPA Morada do Ouro.

O desafio declarado destes é desenrolar o novelo no qual se enrolam os 739 médicos que deveriam atender as quatro policlínicas, a UPA e o Pronto-Socorro. Enquanto isso não acontece, quem sofre — além da população, que nunca acha médicos em postos de saúde da família (PSF) e nem na policlínica, dependendo de a qual ele se dirija (a do Planalto não tinha nenhum médico atendendo sexta, por exemplo) — a ira dos cidadãos são os atendentes e auxiliares. “Todo dia tem gente aqui querendo bater e até matar a gente”, disse à reportagem uma das atendentes da UPA, sob condição de anonimato.

Mesmo não sendo justificável nenhum tipo de violência, o estresse visível no rosto das pessoas não nasce do nada. Como já dito, a espera nunca demora menos de duas horas, mas pode chegar facilmente às quatro, cinco. Além da falta de médicos — sexta, por exemplo, eram apenas três clínicos gerais e um pediatra para o atendimento de estimadas 400 pessoas na fila de espera –, há os encaminhamentos malfeitos de PSFs ou pura e simples desinformação da população.

“A UPA serve para urgência e emergência, era para ser o apoio do Pronto Socorro, mas o maior contingente de atendimentos acaba sendo mesmo de pacientes com classificação verde”, explicou a enfermeira e coordenadora da UPA Morada do Ouro, Rosimeire Souza. Uma dor de barriga ou enxaqueca leve são classificações verde, por exemplo, já uma dor forte no peito ou na cabeça são classificação amarela, pois há risco de enfarte ou acidente vascular cerebral. Uma pessoa desmaiada ou com qualquer dos diagnósticos citados entra com classificação vermelha.

Ou seja, a falta de médicos também nos PSFs nos bairros gera corrida desenfreada atrás dos mesmos nas demais unidades de saúde. “À população interessa duas coisas: médico nas unidades de saúde e medicamento à disposição, isso é o que o povo mais requer. O terceiro item são as condições de trabalho dos profissionais, pois a prefeitura confirma que são 739 médicos pagos pelo município, mas onde é que estão trabalhando esses médicos? Na fiscalização de hoje [sexta-feira] encontramos três clínicos de plantão na UPA e um pediatra para atender 400 pessoas”, argumenta o vereador Toninho de Souza (PSD).

Além desses, na mesma sexta-feira (27) havia um único médico da rede municipal no PSF do CPA I, nenhum médico na Policlínica do Planalto, que repatriava todos para a UPA Morada do Ouro, que por ser de urgência e emergência recebe todos os pacientes de transtorno mental da cidade inteira, pois o especializado, o Hospital Adauto Botelho, continua fechado. “Há sim grande número de pacientes psiquiátricos aqui, pois o hospital é dessa classificação”, esclarece a enfermeira e coordenadora Rose Souza. Acontece que desses pelo menos 70% necessitam de internação, os outros 30% são encaminhados para os Centros de Atenção Psicossocial, os CAPs.

Em tempo: a UPA Morada do Ouro funciona só até as 19h. A próxima audiência dos vereadores e sua chamada “blitze da saúde” será na próxima terça-feira (03/03), na Secretaria Municipal de Saúde. “Vamos conversar, questionar e cobrar o secretário”, adiantou Toninho de Souza. A ideia é uma mudança no gerenciamento da saúde para finalmente facilitar o atendimento à população. “Queremos sugerir soluções para a gestão e principalmente mexer em algo que nunca foi feito”.

 

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Comissão de vereadores faz visita nas unidades de saúde de Cuiabá

Ednei Rosa.

Visita da comissão de vereadores a unidades de saúde da Capital.

A fim de garantir melhoria no atendimento na área de saúde pública, uma comissão formada por cinco vereadores visitou três unidades de saúde da Capital na manhã desta sexta-feira (27). Na oportunidade, os parlamentares puderam constatar que a principal dificuldade diz respeito à falta de médicos.

Os vereadores Toninho de Souza (PSD), Ricardo Saad (PSDB), Arilson da Silva (PT), Oseas Machado (PSC) e Clovito Hungney (SD) estiveram na UPA da Morada do Ouro, na Policlínica do Planalto e no PSF do CPA I.

Em todas elas foi unanime a reclamação a cerca da ausência de Mao de obra especializada. No momento da visita, o quadro médico da UPA estava com déficit de dois funcionários.

O reduzido número de profissionais acaba resultando na demora no atendimento, tanto na urgência quanto na emergência. A Policlínica do Planalto, por sua vez, não contava com nenhum profissional da saúde para atender a população.

O fato gera superlotação na unidade da Morada do Ouro, que é a mais próxima do local. Diante disso, os parlamentares já agendaram uma reunião com o secretário de saúde do município, para repassar a ele as demandas.

A reunião ocorre na próxima terça-feira (03) às 14 horas. No encontro, os parlamentares vão apresentar um diagnóstico do que constataram nas visitas nas unidades de saúde. O objetivo é cobrar providências imediatas para que a população de Cuiabá tenha um atendimento de qualidade no Sistema Único de Saúde (SUS).

Os vereadores irão reivindicar o aumento do quadro de médicos do município, além da reabertura da Policlínica do CPA I e a volto do atendimento 24 horas da Policlínica do Planalto.

Para o vereador Ricardo Saad (PSDB), a reabertura dessas unidades pode ajudar a desafogar o atendimento na UPA, uma vez que também atendem urgência e emergência.

“Essas unidades precisam retomar o atendimento. A UPA não está suportando a demanda. Claro que associado a isso tem que haver melhoria no quadro funcional. Reabrindo a Policlínica do CPA I e retomando o atendimento 24 horas da Policlínica do Planalto, os moradores da região terão mais opções de atendimento, o que desafogará a UPA e consequentemente melhorará o atendimento”, analisa o tucano.

Já o vereador Toninho de Souza defende que a Secretaria de Saúde promova uma reestruturação funcional, a fim de garantir a efetividade do trabalho de todos os médicos contratados.

“Onde estão os 739 médicos contratados pela Secretaria de Saúde? Apenas três clínicos e um pediatra para atender 400 pessoas por dia na UPA é insuficiente. É impossível atender todo mundo com qualidade, com carinho. Iremos cobrar da secretaria que coloque todos os médicos para trabalhar”, disse Souza.

Outro ponto que chamou a atenção dos parlamentares diz respeito ao atendimento psiquiátrico. Apesar de não ser uma unidade especializada neste tipo de atendimento, a UPA da Morada do Ouro acaba recebendo, diariamente, diversos pacientes com surto psicótico.

Diante disso, o vereador Arilson da Silva (PT) afirma que também irá solicitar que o município cobre do Estado uma posição quanto ao assunto, uma vez que este tipo de atendimento é de responsabilidade do Executivo Estadual.

Assessoria de Imprensa – Kamila Arruda e Luiz Smael.

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