GABRIEL NOVIS NEVES: “Segundo os prognósticos esta eleição será uma das mais ricas em baixarias e traições. A essência da política sempre foi a traição. Em tempos não muito distantes esse tipo de comportamento terminava em crime”

O médico Gabriel Novis Neves, reitor fundador da UFMT e decano dos cronistas cuiabanos

O médico Gabriel Novis Neves, reitor fundador da UFMT e decano dos cronistas cuiabanos

Traição em política 

Gabriel Novis Neves

Os jornais e mídias sociais de Cuiabá estão dedicando grandes espaços ao tema traição política vivida pelo nosso senador candidato à reeleição no próximo pleito de outubro.
A essência da política sempre foi a traição. Em tempos não muito distantes esse tipo de comportamento terminava em crime.
Quantos políticos de nível internacional, nacional, estadual e municipal perderam as suas vidas vitimados pela traição!
Sei quanto é insano uma traição no jogo sujo da política, onde não existe ética.
Os defensores dessa virtude logo são eliminados com o carimbo “não tem jogo de cintura para política”, no dizer dos velhos coronéis proprietários do eleitorado.
Importante lembrar as traições mais recentes da nossa história. Em 1950, o PSD tinha um candidato mineiro à Presidência da República, o Cristiano Machado.
A UDN, o Brigadeiro Eduardo Gomes e o PTB o velho caudilho Getúlio Vargas.
O PSD mandou os seus currais eleitorais despejar seus votos no gaúcho Vargas, que ganhou as eleições, e o dicionário da língua portuguesa ganhou o verbo “cristianizado”, que significava trair.
Até hoje, quando um candidato é traído pelo seu partido, fala-se que ele foi “cristianizado”.
Em 1960, a UDN traiu o seu Presidente Nacional na convenção do partido, indicando para o seu lugar o governador de São Paulo, que era do PTN e, para vice, o professor e estadista mineiro Milton Campos, da UDN.
O PSD, partido tradicional na arte de trair, escolheu como candidato à Presidência da República o General Lott, e como vice o Jango Goulart do PTB.
Pois bem, o intelectual mineiro foi barbaramente traído pelo seu companheiro de chapa quando, abertamente, formou comitês por todo o Brasil pedindo votos para a dupla Jan-Jan (Jânio e Jango).
Foram vencedores do pleito Jânio Quadros e João Goulart.
Na política do nosso Estado situações como essas eram resolvidas à bala, e muitos perderam a vida.
Na arrancada do período eleitoral deste ano o atual senador em exercício foi escolhido numa ampla frente de partidos que apoiam o candidato da oposição.
Embora colocado em primeiro lugar na pesquisa de votos, não suportou a traição dos seus companheiros e logo nas primeiras semanas viu que seria “cristianizado” e renunciou à sua candidatura.
Este fato poderá ser decisivo na eleição do futuro governador.
O povo suporta a traição, mas, não perdoa o traidor.
Segundo os prognósticos de cientistas políticos esta eleição será uma das mais ricas em baixarias e traições.
Sendo assim, o resultado final fica imprevisível.
Quem viver verá.

 

Categorias:Jogo do Poder

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