GABRIEL NOVIS NEVES: A saída do Kamil da pasta da saúde significa a quebra de mais um de tantos tabus que povoam esta cidade de lendas e crendices. O problema da nossa saúde pública é de falta de financiamento público, e não, de gestão, como querem os mitólogos.Sai governo, entra governo e o desdém com a nossa saúde pública continua piorando.

Em artigo, Gabriel Novis Neves criticou a sistemática crise na saúde, em Cuiabá, argumentando que não pode deixar de ser solidário com aqueles que sofrem.  Mesmo sem fazer referência ao artigo do velho parceiro de Clínica Femina, Kamil Fares (na foto com a esposa Ivana) resolveu abandonar o comando da Secretaria de Saúde de Cuiabá e ir pra casa "cuidar da família"

Em artigo anterior, Gabriel Novis Neves criticou a sistemática crise na saúde, em Cuiabá, argumentando que não pode deixar de ser solidário com aqueles que sofrem. Mesmo sem fazer referência ao artigo do velho parceiro de Clínica Femina, Kamil Fares (na foto com a esposa Ivana) resolveu abandonar o comando da Secretaria de Saúde de Cuiabá e ir pra casa “cuidar da família”. Agora, em novo artigo, Novis Neves aponta aquele que, segundo ele, é o motivo real para o insucesso de Kamil e tantos outros: a falta  sistemática de dinheiro, de investimentos efetivos na área da Saúde.

Mitos

por GABRIEL NOVIS NEVES

 

 

“São narrativas para explicar fatos da realidade e fenômenos da natureza. Não explica racionalmente a origem das coisas e é tido como verdade por causa da pessoa que a relata”.

Houaiss diz que os mitos não passam de uma lenda; fantasia que não existe na realidade. Outros defendem a tese que os mitos fazem parte da nossa cultura.

Um dos muitos mitos utilizados pelos nossos gestores públicos maiores, é que não falta dinheiro para a nossa tão combalida saúde pública. Dinheiro tem de sobra para se fazer um belo programa de saúde pública – modelo Hospital Sírio Libanês em São Paulo – para beneficiar a nossa população mais necessitada.

O que falta não é verba orçamentária, e sim, gestão – numa afirmação de prepotência sem fim. Debocham quando dizem que, geralmente, os secretários de saúde são médicos, péssimos administradores da coisa pública. Mas, imbatíveis quando gerenciam o seu tempo de trabalho, pois são obrigados a ter vários empregos para sobreviverem.

O bom gestor, mesmo em setor especializado, tem de ter o perfil empresarial. Essa é uma historinha que há muitos anos ouvimos dos plantonistas do poder.

Então, ficamos assim: o culpado pelo desastre na saúde pública é sempre o médico ocupante do cargo de secretário. Sai governo, entra governo e o desdém com a nossa saúde pública continua piorando.

O executivo, para esconder o quadro de terror que é o atendimento médico ao pobre (dever do Estado e direito do cidadão), resolve divulgar números otimistas de produtividade que, por não serem mitos, não convencem ninguém.

O executivo-empresário para resolver o problema, que na verdade é de falta de financiamento público, demite o secretário incompetente, que não sabe construir hospital sem dinheiro.

Daí a grande rotatividade de secretários de saúde em um mandato de quatro anos.

Pois bem. Há um ano foi convocado para assumir a gestão da saúde em nossa capital um médico. Um médico com experiência profissional de mais de trinta anos, vitorioso e competente. No entanto, nunca tinha sido, até então, funcionário público.

Além de médico, é um empresário e empreendedor em negócios de saúde. Liderou um grupo de colegas para a fundação da primeira clínica privada especializada em atenção à saúde da mulher e da criança, tornando-se referência, não só em nosso Estado, como em toda a região norte do Brasil.

Por dois mandatos consecutivos transformou uma pequena Cooperativa de Serviços Médicos em uma das empresas modelo do Brasil, recebendo inúmeros prêmios de entidades nacionais com farta matéria na mídia especializada de São Paulo.

Foi diretor tesoureiro dessa Cooperativa Central, onde exerceu um mandato cheio de elogios, e a Cooperativa caminhou para frente.

Nessa época teve a sua primeira experiência no setor público. Aceitou o convite para ser Secretário Estadual de Saúde. Sua permanência na pasta foi de apenas trinta dias. Não suportou trabalhar em uma secretaria cujos cargos estavam loteados por ocupantes de méritos políticos.

Como todo empresário audacioso, sempre esteve engajado na política partidária, sendo, inclusive, um dos fundadores do PSDB.

Com Luis Soares, foi candidato a consolidar o partido no Estado. Quando, por longos anos seu partido estava no poder, foi “esquecido”, por ser empresário, e o viés era de “esquerda”.

Acredito que a sua última experiência pública como gestor está encerrada.

Desencantado por não poder realizar seus projetos para salvar a nossa saúde pública no ano da Copa, solicitou a sua exoneração, após um ano de sacrifícios.

A saída do Kamil da pasta da saúde significa a quebra de mais um de tantos tabus que povoam esta cidade de lendas e crendices.

O problema da nossa saúde pública é de falta de financiamento público, e não, de gestão, como querem os mitólogos.

 

 

Gabriel Novis Neves, reitor fundador da UFMT, é médico ginecologista em Cuiabá, Mato Grosso

2 Comentários

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  1. - IP 177.116.64.208 - Responder

    Concordo com o sr. Dr. Gabriel, o Dr Kamil, estava fazendo um ótimo trabalho, juntamente o ex Secretário estadual de Saúde, o Mauri , uniram a as duas Centrais de regulação, faziam parceria, eram dois homens trabalhadores e honestos, acho que a saída do Mauri, também ajudou o Dr. KAmil desistir. E uma pena Cuiabá e Mato Grosso só perde com isso.

  2. - IP 179.216.205.163 - Responder

    parece que o senhor kamil só tem paciencia para faturar no comando da unimed. ele não tem paciência para desenvolver um trabalho em favor dos pobres. desse jeito, é melhor, realmente, o mauro mendes se livrar dele

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