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FREI BETO: Se não é dogma, celibato pode ser removido

Estranhos caminhos levaram a Igreja Católica - que reverencia a Sagrada Família, formada por um homem, uma mulher e seu filho, Jesus Cristo - a impor o celibato a seus padres. Há tempos a Teologia da Libertação e as teologias feministas defendem o fim do celibato obrigatório para sacerdotes católicos, o que não se justifica à luz da Bíblia. Pedro, escolhido primeiro papa, era casado (Marcos 1, 30), e na Igreja primitiva homens casados eram ordenados sacerdotes.

Estranhos caminhos levaram a Igreja Católica – que reverencia a Sagrada Família, formada por um homem, uma mulher e seu filho, Jesus Cristo – a impor o celibato a seus padres. Há tempos a Teologia da Libertação e as teologias feministas defendem o fim do celibato obrigatório para sacerdotes católicos, o que não se justifica à luz da Bíblia. Pedro, escolhido primeiro papa, era casado (Marcos 1, 30), e na Igreja primitiva homens casados eram ordenados sacerdotes.

SEXO E CELIBATO NA IGREJA CATÓLICA

Frei Betto

O Vaticano admitiu, pela primeira vez, no Comitê da ONU para os Direitos da Criança, em Genebra, a 16 de janeiro, crimes de abuso sexual, como pedofilia, praticados por membros da Igreja Católica.

Tais crimes ocorrem em quase todas as instituições que lidam com menores, e sobretudo no interior do núcleo familiar, onde pais estupram filhas. Porém, sua prática deve ser severamente punida, e não acobertada em uma Igreja que se propõe a educar crianças segundo os valores do Evangelho.

O papa Francisco, em missa na manhã de 16 de janeiro, declarou que os escândalos da Igreja “são tantos” que não podem ser citados individualmente e são uma “vergonha”: “Essas pessoas não têm ligação com Deus. Tinham apenas uma posição na Igreja, uma posição de poder”, disse o pontífice.

DIZ O PAPA

Francisco surpreende positivamente por suas afirmações a respeito da sexualidade. Além de não demonizar os gays, ao contrário de tantos prelados que consideravam a homossexualidade uma doença (e nisso coincidiram com governos socialistas), e relativizar o tema do aborto nesse mundo em que poucos protestam contra as guerras e, menos ainda, apoiam a erradicação da fabricação e comércio de armamentos (incluídas as de armas químicas).

Francisco convidou, para ocupar a importante função de Secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, que afirmou não ser o celibato um dogma.

Há tempos a Teologia da Libertação e as teologias feministas defendem o fim do celibato obrigatório para sacerdotes católicos, o que não se justifica à luz da Bíblia. Pedro, escolhido primeiro papa, era casado (Marcos 1, 30), e na Igreja primitiva homens casados eram ordenados sacerdotes.

O preconceito à sexualidade nasce na Igreja por influência neoplatônica, que culmina na (falsa) justificativa de que a lei natural associa sexo e reprodução. Daí o fato de perdurar, ainda hoje, na doutrina oficial da Igreja Católica, a exigência de os casais só terem relações sexuais se houver intenção de procriar. Até 1903 gestos de carinho entre casados eram considerados pecados…

SEXO POR PRAZER

Tive um professor de teologia moral que afirmava ser a associação entre sexualidade e reprodução um princípio zoológico, e não teológico. Hoje, sei que ele se equivocou. Mesmo animais ignoram o vínculo entre sexo e reprodução. Pesquisas demonstram que muitos deles fazem sexo por ser prazeroso, e não por quererem se reproduzir.

O afeto costuma falar mais alto que inclinações naturais. O pesquisador Frans de Waal (2010) conta que, em cativeiro, porquinhos órfãos foram adotados por uma tigresa de Bengala. “Em lugar de cuidar daqueles porquinhos, seria mais adequado, do ponto de vista biológico, que a tigresa os usasse como uma refeição rara em proteínas” (p. 67). Porém, animais também possuem predisposição psicológica para cuidar de filhotes vulneráveis.

Outro argumento que se utiliza para justificar o celibato é o contábil. Casado, o sacerdote poderia dilapidar os bens da Igreja se valendo do direito de herança. Ora, se assim fosse, sacerdotes das Igrejas Ortodoxa e Anglicana, e pastores protestantes, que se casam, já teriam levado suas comunidades à falência.

O celibato é apenas uma opção de vida, sem a qualidade do matrimônio, que a Igreja enaltece como um dos sete sacramentos – fontes de união com Deus. Se não é um dogma, como afirmou o cardeal Parolin, então pode ser removido, facultando aos atuais e futuros sacerdotes optar ou não por ele. O que abriria aos cinco mil padres casados que vivem no Brasil a possibilidade de serem reintegrados ao ministério sacerdotal.

Será meio caminho andado para que, no futuro, a Igreja Católica exclua a mulher do estatuto de ser de segunda categoria, e permita também a ela o acesso ao sacerdócio, assim como Jesus fez da samaritana e de Maria Madalena as primeiras apóstolas. (transcrito do site Pátria Latina)

 

4 Comentários

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  1. - IP 177.64.241.193 - Responder

    se na igreja evangélica os pastores tem filho e pregam o evangelho com a maior dedicação, por que é com os padres seria diferente? acho que seria uma forma de acabar com os desvios que acabam fazendo surgir muitos padres pedófilos

  2. - IP 201.3.35.159 - Responder

    Sinal de que há uma luz no fim do túnel!…Francisco é, de fato, um homem especial! Sinal de alguma esperança para a igreja católica.

  3. - IP 187.7.212.2 - Responder

    De nada adiantaria o casamento para os pedófilos, suas vítimas seriam seus próprios filhos. Se a pessoa não abre o coração para que DEUS possa agir, não adianta mudar de religião, de solteiro para casado. Ser pecador até podemos, porém não traidores.

  4. - IP 200.169.41.118 - Responder

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk mais uma desse tal de frei beto, genésio e seu legado

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