Forçado pelas circunstâncias, Riva divide poder com Savi

Cessa tudo que a antiga musa canta se um poder mais alto se alevanta. Mas, na Assembléia de MT, novo poder sem sempre traduz renovação. Na foto, Mauro Savi

A Assembléia Legislativa de Mato Grosso me remete ao clássido romance “O Leopardo” de Giusepe Tomazo di Lampedusa. Com auxilio do Google, recordo que o livro retrata o declínio de uma familia de aristocratas da Sicilia, em meados do século 19.  Um velho príncipe, don Fabrizio Tancredi, cuja casa feudal tem como símbolo uma espécie rara de leopardo, fadada ao desaparecimento, é o personagem principal. Num contraponto à situação política da época, os personagens têm seus amores e embates retratados paralelamente às lutas que agitam a itália, que busca a unificação e a libertação do absolutismo. O Leopardo foi traduzido para vários idiomas e adaptado para o cinema. O filme, dirigido por mestre Luchino Visconti, recebeu a Palma de Ouro em Cannes em 1963. O trecho mais memorável do livro e do filme é o discurso do sobrinho de Don Fabrizio (vivido por Burt Lancaster, no clássico de Visconti), um arruinado e simpático oportunista, o príncipe de Falconeri (vivido por Alain Delon), incitando seu tio cético e conservador a abandonar sua lealdade aos Bourbons do Reino das Duas Sicílias e aliar-se aos Saboia:

– A não ser que nos salvemos, dando-nos as mãos agora, eles nos submeterão à República. Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude.

Evidente que, na Assembléia Legislativa de Mato Grosso, com a desgraça de Bosaipo, a recente transferência de Sérgio Ricardo para o TCE e uma série de processos contra ele prestes a serem julgados pela Justiça de Mato Grosso, o superprocessado deputado Geraldo Riva, já marcado como “ficha suja” pelo TRE-MT em processo que o renomado advogado José Eduardo Rangel de Alckmin tenta reverter no TSE, dessa vez se dispõe a entregar parte de seu poder ao deputado sojicultor Mauro Savi, com quem antes mantinha um surdo e persistente duelo. Para que tudo continue como está, Savi agora será integrado ao grupo do poder na Assembléia. Mas até quando resistirá este poder? Confira o noticiário. (EC)

Mauro Savi é único candidato para eleição da nova Mesa Diretora da AL
Deputado Zeca Viana se diz sem compromisso sobre a eleição da Mesa e alega não ter dificuldade em apoiar Savi.

PAULO COELHO
Hipernotícias

Faltando apenas três meses para eleição da nova Mesa Diretora da Assembleia Legislativa (AL) ainda não há, nos bastidores do parlamento, nenhuma outra previsão de candidatura para o pleito, além da já colocada do atual primeiro-secretário Mauro Savi (PR).

Um grupo de oposição que estaria sendo formado para bater chapa em setembro, que chegou até a ser anunciado pela deputada Luciane Bezerra (PSB), não chegou sequer a ser oficialmente discutido.

O deputado de oposição, Zeca Viana (PDT), afirmou que comporia o novo grupo, salientou mas analisou  que essa formatação “ é uma tarefa árdua e muito difícil”.

Viana declarou-se independente quanto à próxima eleição da Mesa Diretora apesar já ter sido “assediado” pelo bloco situacionista.

“Ainda não fui procurado pelo Mauro Savi. Eu apenas fui procurado, à época,  pelo Sérgio Ricardo (que deixou a Assembleia no mês passado para se tornar conselheiro do TCE) que me perguntou se eu tinha compromisso com a nova eleição da Mesa e me pediu voto”, afirmou Viana, ponderando que não teria qualquer dificuldade em apoiar Savi. “ Admiro muito o Mauro, ele tem o meu perfil, joga aberto, não esconde nada”, acrescentou.

Ricardo era primeiro-secretário da Assembleia, cargo que lhe garantia ser o ordenador de despesas da Casa de Leis.

A deputada Luciane sustentou a necessidade de mudança na Mesa Diretora e, descartou a possibilidade de ela vir compor  a chapa de Mauro Savi, já que nela estará o deputado José Riva (PSD), presidente da Assembleia Legislativa e que, há quase 20 anos ininterruptos, reveza entre presidente e primeiro-secretário da Mesa.

“Eu nunca integraria uma chapa onde estivesse Riva, não teria sentido”, disse.

Também nos bastidores cogitou-se a hipótese de o atual presidente Riva estar articulando uma reformulação no Regimento Interno da Assembleia, para que ele pudesse  concorrer à reeleição. “Isso não existe, é fruto da imaginação fértil de alguns”, refutou o presidente.

É que como já havia “consenso” em torno do nome de Sérgio Ricardo para ser o novo presidente do parlamento, a condição de candidato, automaticamente, passaria para Savi, que de imediato trocou a segunda pela primeira-secretaria.

A eleição da formação da nova Mesa Diretora será realizada na última sessão da última semana de setembro.

FONTE HIPERNOTÍCIAS

Categorias:Jogo do Poder

1 Comentário

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  1. - IP 187.123.5.90 - Responder

    Não entendo como um bando tão grande de homens, conduzem a casa para o fundo do poço numa mesmice desastrosa. Caso o governador saia para candidatar, e na ausência de vice, seremos governados por um assembleiano, sem que tenha recebeido um voto. Isso não é brinquedo. Prestem atenção no poder legislativo.

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