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Filmes celebram centenário da escritora Carolina Maria de Jesus, catadora de papel que virou best-seller

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher Negra, Latinoamericana e Caribenha, três filmes homenageiam a catadora de papel que virou best-seller na década de 1960

por Redação RBA
DIVULGAÇÃO/AFROEDUCAÇÃO
canindé

Carolina Maria de Jesus, Audálio Dantas e Ruth de Souza na Favela do Canindé

Carolina Maria de Jesus, negra, moradora de uma favela no Canindé, zona norte de São Paulo, foi uma mulher de personalidade e narrativa fortes. Apesar de ter estudado apenas até o segundo ano do primário, escrevia de forma arrebatadora e cortante, nos cadernos que encontrava no lixo, sobre seu dia a dia em uma comunidade pobre na capital paulista.

A autora descoberta pelo jornalista Audálio Dantas lançou, no início década de 1960, o livro Quarto de Despejo – Diário de Uma Favelada, que vendeu mais de 80 mil exemplares no Brasil e foi traduzido para 15 idiomas. Os outros livros, Pedaços de Fome (1963), Provérbios (1963) e o póstumo Diário de Bitita (1982), não chegaram a fazer tanto sucesso.

Não se sabe ao certo a data de nascimento de Carolina Maria, apenas que foi registrada em 14 de março de 1914. Como parte da celebração do ano de seu centenário e do Dia Internacional da Mulher Negra, Latinoamericana e Caribenha, no próximo sábado, 26 de julho, serão exibidos três filmes sobre a vida da escritora no Espaço Itaú de Cinema.

Um dos filmes que serão exibidos é o documentário Favela: A Vida na Pobreza, da alemã Christa Gottmann. A película foi localizada por pesquisadores do Instituto Moreira Salles em uma cinemateca no interior da Alemanha e passou por restauração e legendagem. A obra de 1971 chegou há pouco tempo no Brasil e especula-se que tenha havido uma articulação diplomática na década de 1970 para que fosse esquecido, já que o governo militar brasileiro não apreciava produções que abordavam problemas sociais do país.

O filme, nunca exibido em São Paulo, mostra Carolina catando papel e, além de relatar seu hábito de inspecionar qualquer lata de lixo, ela fala sobre a dificuldade que tinha para alimentar os filhos e sobre a inveja que sentia ao ver uma vizinha catando feijão.

No mesmo dia, também serão exibidos dois curtas-metragens sobre esta que foi uma das primeiras autoras negras do Brasil. Vidas de Carolina, de Jéssica Queiroz, é um documentário inspirado na vida da escritora e catadora de lixo. Ele trata sobre as escolhas (e a falta delas) de duas mulheres que sobrevivem da coleta de resíduos sólidos.

No outro curta, Carolina, o cineasta Jeferson De (Brother) roteirizou algumas passagens do mais famoso livro da escritora mineira. O filme se passa em um quarto onde Carolina (Zezé Motta) vive com a filha Vera Eunice, de onde relata sua realidade miserável, cercada de desespero e preconceito.

Após as exibições, haverá um debate com a participação da diretora Jéssica Queiroz e de Débora Garcia, do filmeVidas de Carolina, e da filha da escritora, Vera Eunice de Jesus.

O evento faz parte do programa AfroeducAção no Cinema, que promove bimestralmente desde 2011 sessões que têm a negritude como tema-chave. O objetivo do projeto é incentivar o uso de produções audiovisuais como recurso pedagógico. Já foram exibidos Bróder, de Jeferson De, Raça e Filhas do Vento, de Joelzito Araújo, Tão Longe É Aqui, de Eliza Capai, entre outros filmes.

A entrada é gratuita para quem chegar com meia hora de antecedência e se apresentar como convidado da empresa social AfroeducAção ou do Clube do Professor.

Categorias:Quebra Torto

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