EUGÊNIO ARAGÃO sugere que fome por dinheiro transformou membros do MP em novos meganhas do Brasil

Aragão

Fome por dinheiro leva à degeneração do MP

Por Enock Cavalcanti

 

Meus amigos, meus inimigos: um desabafo de um velho e experiente membro do Ministério Público Federal talvez nos ajude a entender a tão falada distorção que vem acontecendo no sistema judiciário brasileiro.

Foi o que tivemos, durante a passagem por Cuiabá, nesta quinta-feira, 25 de abril de 2019, de Eugênio José Guilherme de Aragão –  jurista, procurador de Justiça aposentado, membro do Ministério Público Federal de 1987 até 2017 e Ministro da Justiça em 2016, durante o governo da presidenta Dilma Rousseff.

Aragão veio para participar de audiência pública, convocada pelo deputado Valdir Barranco (PT-MT) para debater o pacote de leis pretensamente anticrime proposto ao Congresso Nacional pelo juiz aposentado e atual ministro da Justiça Sérgio Moro. Aragão teve uma atuação discreta, na abertura da reunião, mas fez um desabafo memorável, no encerramento do encontro, e que você pode conferir no vídeo que divulgo abaixo.

Neste seu pronunciamento final, Eugênio Aragão arrepiou pra cima do Ministério Público, traçando um perfil nada animador dos atuais membros desta instituição que ele definiu como novos meganhas, ou seja, autoridades públicas truculentas que concentram atualmente um enorme poder e estão dando as cartas dentro do sistema judicial de nosso País.

 

Aragão contou que fora por 30 anos do MP, que era uma instituição vinculada às demandas da sociedade e se articulava com as organizações sociais na defesa das  políticas públicas. Hoje o MP, diz ele, pedindo licença pela ilação, se ameganhou. Seus membros  ganharam tanto poder que viraram os príncipes da República. Isso atraiu para o MP um perfil de classe média alta, um pessoal consumista. Esse pessoal, segundo Aragão, está no MP por três motivos: poder, prestígio e dinheiro.

 

Aragão participou de audiência pública em Cuiabá

O roteiro traçado por Eugênio Aragão é o de uma arremetida gananciosa dos filhos da burguesia brasileira visando controlar praticamente quase todos os postos daquela que já foi uma instituição muito respeitada na virada de nosso País, do período truculento da ditadura militar para o período da reconstrução democrática. Em tom de escândalo, disse que basta olhar para a garagem do Ministério Público Federal, lá em Brasilia, com seus carrões enfileirados, até Jaguar,  para se ter uma ideia do poderio econômico que os novos meganhas do Brasil concentram em suas mãos.

Com seu poder desmedido, esses novos meganhas estariam promovendo, segundo o relato de Eugênio Aragão, uma verdadeira extorsão contra membros dos poderes Legislativo e Executivo, com uso abusivo de suas prerrogativas e de suas competências. “Os meninos do MP nunca viram tanto dinheiro e virar caçador de corrupto e de marajás tem um apelo popular muito grande”, destacou o palestrante, no seu desabafo. E fez questão de deixar sempre bem evidente: “A questão é sempre o vil metal”.  Ou seja, a fome de dinheiro, de que já nos falou o professor Fernando Haddad, se bem que com relação aos pastores evangélicos.

No vídeo, você confere o inteiro teor do desabafo do procurador da República Eugênio de Aragão sobre as atitudes e manias de muitos daqueles que ocupam hoje em dia as vagas que já foram de profissionais como ele, dentro do Ministério Público brasileiro.

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