Estudo do economista Daniel Cerqueira, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revela que a violência urbana está migrando dos Estados mais ricos, como São Paulo e Rio de Janeiro, para áreas mais pobres dos Estados menos desenvolvidos. O estudo do Ipea mostra como a combinação entre a eficiência dos órgãos policiais com a melhoria de serviços públicos pode ser decisiva para a redução da violência. LEIA AQUI A INTEGRA DO ESTUDO.

Causas e Consequências do Crime No Brasil, estudo de Daniel Ricardo de Castro Cerqueira by Enock Cavalcanti

Entre 1980 e 2011, ocorreram mais de um milhão de homicídios no país. De acordo com o que demonstra o economista Daniel Cerqueira em seu estudo, nota-se que, nos últimos anos, as cidades consideradas pequenas, com até 100 mil habitantes, apresentaram aumento significativo nos índices de criminalidade. Se, em 2000, o índice médio de homicídios era de 12.2 por 100 mil, dez anos depois, essa taxa saltou para 18.6. Além disso, os locais com altos níveis de crime deixaram de se concentrar nos grandes centros do país. Leia no destaque inteiro teor do estudo.

Entre 1980 e 2011, ocorreram mais de um milhão de homicídios no país. De acordo com o que demonstra o economista Daniel Cerqueira em seu estudo, nota-se que, nos últimos anos, as cidades consideradas pequenas, com até 100 mil habitantes, apresentaram aumento significativo nos índices de criminalidade. Se, em 2000, o índice médio de homicídios era de 12.2 por 100 mil, dez anos depois, essa taxa saltou para 18.6. Além disso, os locais com altos níveis de crime deixaram de se concentrar nos grandes centros do país. Leia no destaque inteiro teor do estudo.

A geografia da criminalidade

O Estado de S.Paulo

Com a redistribuição da renda nacional e da atividade econômica, ocorrida no período de 2000 a 2010, mudou também a geografia da criminalidade no País, levando a violência urbana a migrar do Sudeste para as Regiões Norte e Nordeste. Essa é uma das conclusões de um estudo do diretor de Estado, Instituições e Democracia do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o economista Daniel Ricardo de Castro Cerqueira, cuja tese de doutorado sobre as causas e as consequências do crime no Brasil foi vencedora da última edição do Prêmio BNDES de Economia. O trabalho foi elaborado com base na análise das estatísticas do Ministério da Saúde.

Segundo o estudo, Estados que historicamente lideravam as estatísticas de homicídios, como São Paulo e Rio de Janeiro, registraram na década de 2000 queda de 66,6% e de 35,4% no número de assassinatos por 100 mil habitantes, respectivamente. Já o índice de homicídios cresceu 339,5% no Estado da Bahia, no mesmo período. No Estado do Maranhão, o aumento foi de 373%. Na Região Norte, o Estado do Pará registrou uma elevação de 258,4%.

Além da migração da violência de Estados mais ricos para áreas mais pobres dos Estados menos desenvolvidos, o estudo do diretor do Ipea aponta a tendência de interiorização da violência, com quedas em mortes nas capitais e elevação em municípios menores. O ranking das cidades com maior número de assassinatos é liderado por Simões Filho, uma cidade de 130 mil habitantes, vizinha a Salvador, e Ananindeua, situada na região metropolitana de Belém.

O estudo mostra ainda que as taxas de homicídios nos municípios considerados pequenos pelo Ipea – com menos de 100 mil habitantes – tiveram um crescimento médio de 52,2%, entre 2000 e 2010. Já as cidades consideradas grandes – com mais de 500 mil habitantes – registraram uma queda de 26,9% no mesmo período. Nas cidades de porte médio – com população entre 100 mil e 500 mil habitantes – a taxa de homicídios aumentou 7,6%. Entre as 20 cidades com maior índice de mortes violentas, 10 são pequenas, 9 são de porte médio e apenas 1 – Maceió, na sexta posição – é considerada grande.

As mudanças na geografia da criminalidade, ocorridas no decorrer da década de 2000, foram provocadas por diversos fatores – alguns de alcance nacional e outros com especificidade regional. Entre os fatores de alcance global, o estudo destaca o impacto do I Plano Nacional de Segurança, que aumentou o repasse de verbas da União para a expansão do sistema prisional federal e estadual, e do Estatuto do Desarmamento, que entrou em vigor em 2003. Também ressalta as mudanças ocorridas no mercado de drogas, que acompanhou a expansão econômica das cidades situadas fora dos eixos metropolitanos. “Essas localidades passaram a se tornar mais atrativas para o tráfico porque, com mais renda, o consumo de drogas tende a aumentar. Esse mercado ilegal é acompanhado da violência. O crescimento fica comprovado com o aumento no número de mortes por overdose em oito vezes no País, no período de 2000 a 2010”, afirma Daniel Cerqueira.

Entre os fatores de caráter local e regional, o estudo do Ipea destaca a associação entre crescimento econômico e atividades criminosas em áreas de fronteira, desmatamento e extração ilegal de madeira. Destaca, igualmente, a formulação de novos padrões de política pública em matéria de segurança e assistência social, como a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas favelas dominadas pelo narcotráfico na cidade do Rio de Janeiro, a partir de 2008, e a estratégia adotada pelo Estado de São Paulo, que intensificou operações e investigações com base na expansão dos serviços de inteligência e na utilização de estatísticas para planejar as ações preventivas e repressivas das Polícias Civil e Militar.

O estudo do Ipea fornece informações valiosas, mostrando como a combinação entre mais eficiência dos órgãos policiais com melhoria de serviços públicos pode ser decisiva para a redução da violência.

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Violência no Brasil migrou do Sudeste para o Nordeste

Homicídios tiveram queda acentuada no Rio e em SP, e mais que dobraram na BA, MA e PA

A década de 2000 a 2010 foi marcada pela migração da violência no Brasil. Estados do Sudeste, que historicamente lideravam rankings de homicídios no país, deram lugar, no topo das listas, aos do Norte e Nordeste. São Paulo e Rio de Janeiro registraram quedas de 66,6% e 35,4%, respectivamente, no numero de assassinatos por 100 mil habitantes, enquanto os índices mais que dobraram em estados como Bahia (339,5%), Maranhão (373%) e Pará (258,4%). Já nas cidades, houve a interiorização da violência, com quedas em mortes nas capitais e incrementos em municípios menores. Os dados foram levantados por Daniel Cerqueira, diretor de Estado, Instituições e Democracia do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), que tomou por base números divulgados pelo Ministério da Saúde.

No topo das cidades com mais assassinatos estão Simões Filho, na Bahia, e Ananindeua, no Pará. Segundo o especialista, as taxas de homicídios em municípios pequenos (menos de 100 mil habitantes) cresceram em média 52,2% entre 2000 e 2010, enquanto, nos médios, o aumento foi de apenas 7,6%. Já as cidades grandes (com mais de 500 mil habitantes) registraram uma queda de 26,9%. Entre os 20 municípios com maior taxa de mortes violentas, dez são pequenos, nove médios e apenas um grande – Maceió, na sexta posição.

Para Cerqueira, contribuíram para a nova geografia da violência políticas públicas de segurança nacionais, como o Estatuto do Desarmamento e o I Plano Nacional de Segurança, que multiplicou por dez o orçamento destinado ao sistema penitenciário, e ações locais, como a instalação das Unidades de Policia Pacificadora (UPPs) no Rio e a intensificação de operações em São Paulo. No entanto, Cerqueira vê na diminuição da desigualdade de renda uma das principais causas para o aumento dos assassinatos nas cidades pequenas. A dinamização econômica fora dos eixos metropolitanos impulsionaria a expansão do mercado de drogas nessas regiões.

– Essas localidades passaram a se tomar mais atrativas ao tráfico porque, com mais renda, o uso de drogas tende a aumentar. Esse mercado ilegal costuma vir acompanhado da violência. O crescimento fica comprovado com o aumento no número de mortes por overdose em oito vezes no país, entre 2000 e 2011. Considerando que a taxa de letalidade das drogas não aumentou, então o que subiu foi o uso delas – conclui Cerqueira.

Ainda segundo o economista, o custo da violência no Brasil representa pelo menos 6,08% do Produto Interno Bruto (PIB) a cada ano. A única região do Brasil que obteve queda na taxa de assassinatos foi o Sudeste, com 43,8%.

FONTE O GLOBO

A Singular Dinamica Territorial Dos Homicidios No Brasil by Enock Cavalcanti

1 Comentário

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  1. - IP 50.115.169.59 - Responder

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