gonçalves cordeiro

Estranho a presença do PC do B no “bacalhau da traição”. Objetivo dos comunistas é só derrotar Zé Pedro Taques? E a alternativa de poder em MT?

Esquerda e direita comeram bacalhoada na Taberna Portuguesa, planejando derrocada para Zé Pedro Taques

 

Esta semana foi marcada, em Mato Grosso, pelo almoço festivo que aconteceu segunda-feira, 9, na Taverna Portuguesa e reuniu nomes de destaque dos partidos da política mais tradicional do Estado.  Em meu perfil no Facebook, no dia mesmo do regabofe, caracterizei o tal almoço como “o bacalhau da traição”. Traição porque foi organizado na surdina e aconteceu quase que na clandestinidade.

Traição também porque o ponto central da discussão, pelo que se soube, foi uma cobrança coletiva para que o empresário e ex-prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes – que deixou de mentir dizendo-se socialista e ingressou recentemente no DEM –  assuma de fato o seu racha político com o atual governador Zé Pedro Taques e lancd sua candidatura a governador, contra Taques, na eleição deste ano. Mauro vacila e os articuladores do grupo, com o sojicultor Otaviano Pivetta à frente, tem pressa.

A maioria dos comensais do “bacalhau da traição” até muito recentemente viviam abraçados com Zé Pedro e dividiam com ele a responsabilidade de comandar o Estado e ir impondo a atual gestão que favorece escandalosamente aos empresários do agronegócio em detrimento dos setores mais empobrecidos da população que penam com o sucateamento de áreas vitais, como Saúde e a Educação.

Para dizer “não” a Zé Pedro Taques, além de Pivetta e Mauro Mendes, lá estavam nomes como Júlio Campos, Ezequiel, Zeca Viana, Adilton Sachetti, Fábio Garcia, Renata Viana, Dilemário Alencar, Osvaldo Sobrinho e também o ex-vice-governador Carlos Fávaro.

Com seu perfil arrogante e centralizador  (e não eu que digo isso, mas sim alguns dos que participaram do almoça na Taberna), o atual governador não se preocupou muito em atender ao apetite dessa gente e eles parece que decidiram que precisam substituí-lo no comando do seu grupo.Mas duvido que eles pensem para o Estado de Mato Grosso uma gestão política que contrarie as linhas mestras adotadas pelo Zé Pedro, notadamente no que se refere à garantia dos privilégios até aqui conquistados e mantidos pelos chamados barões da soja.

Ora, afinal de c0ntas, alguns desses barões estavam lá na mesa e, certamente, foram eles que pagaram a conta de uma reunião tão custosa, já que os preços da Taberna Portuguesa são os preços cobrados em um restaurante que tem como especialidade os frutos do mar,  importados de regiões distantes do planeta, e sempre servidos em alto padrão de excelência.

O que estranho foi a presença, neste almoço de alto padrão internacional, de uma representação do PC do B, Partido Comunista do Brasil que vem alardeando o desejo de construir uma alternativa de poder para Mato Grosso. Que alternativa será essa capaz de incluir barões da soja como Pivetta e mais e mais?

Todos nós sabemos que os poderosos, seja aqui ou na China, sempre andam cercados de suas vivandeiras.  Me parece que não fica bem para a ex-reitora Maria Lucia Cavalli Neder, que almoçou e se refestelou junto com os barões da soja e de um velho e carcomidos cacique como Júlio Campos, ser flagrada assim em ambiente tão contraditório com as conhecidas consignas do seu partido.

Uma adesão desse tipo só complica a situação já tão complicada da esquerda mato-grossense que, até agora, não conseguiu definir uma tática ou/e um nome para a disputa eleitoral deste ano.

Maria Lucia Cavali Neder se anuncia como a candidata comunista ao Senado Federal. Mas quem será  o candidato da esquerda mato-grossense a governador? Será que o PC do B, abrindo mão de seu discurso, vai, no final das contas, aceitar fazer campanha para um desses barões do agronegócio ou para o candidato que eles apontarem?

Já não bastou para a esquerda a experiência demolidora que foi a adesão a Blairo Maggi na gestão do Governo do Estado, a partir de  2003?

Imagino que, enquanto a esquerda não definir seu nome, este tipo de ameaça continuará instalada. A ameaça de que a diminuta esquerda mato-grossense possa vir a ser mais uma vez absorvida e neutralizada pelos patrões do agronegócio.

 

 

3 Comentários

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  1. - Responder

    Lancem i Ceará como candidato da esquerda O slogan da campanha será: RUIM POR RUIM VOTE EM MIM. Fica aqui a sugestão.

  2. - Responder

    Infelizmente, quase não haverá alternativa de fato para os que votam na esquerda em Mato Grosso. Restará o PSOL e, talvez, o PSTU que sempre lança alguém no pleito. Esperamos! Engolir PCdoB com Julio Campos e Mauro Mendes não é fácil não. Mas o PCdoB já faz dessas há dezenas de anos, pelo menos. Creio até que o “C”, de comunista deva ser trocado para outro ‘C”, de centro. O cenário nacional está turvo, enquanto o de Mato Grosso, que nunca foi favorável à esquerda, está cada dia pior.

  3. - Responder

    Embora o Julio Campos, seja um dos mais antigos participante da politica de Mato Grosso, segundo o Google: Julio começou em 1972 quando foi eleito pela ARENA Prefeito Municipal de Várzea Grande, aos 25 anos de idade, de lá pra cá já exerceu 3 mandatos de Deputado Federal, foi Governador do Estado e Senador da Republica, Vice Presidente da Embratur no Governo de FHC e Conselheiro do TCE-MT, ele continua atuante e corajoso, pois é um dos poucos que tem coragem de enfrentar e falar muitas verdades sobre o Governo de PedroTaques que para mim, vai de mal a pior, vejo nele uma referencia dos politicos mais confiaveis de Mato Grosso. Nunca se envolveu em processos de safadezas e corrupção ,como Mensalão, Petrolão,Remora,Ararath,Granpolandia,e outros tipos de ação, invetigados pela Policia Federal ou denunciado pelo MPF-MPE e processos Judiciais.Portanto mereçe meus respeitos pois nunca mudou de partido ou de lado,sempre coerente e democratico nos seus atos publicos.

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