“Esquerda” do MP vence nos votos singulares mas perde, no total

Roberto Turin, promotor de Justiça, candidato derrotada na disputa pelo comando da Procuradoria Geral de Justiça. O pacto não escrito entre o pessoal do MP é que o mais votado na lista trípíce seja o único a aceitar a nomeação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como diria o imortal Otelo Caçador, nas páginas de O Globo, a “esquerda” do Ministério Público de Mato Grosso alcançou uma vitória moral, nesta quarta-feira, 5 de dezembro, quando conquistou nada menos que 53 votos singulares ( o eleitor votou em apenas um nome) na disputa para a escolha do novo Procurador Geral de Justiça de Mato Grosso, em substituição a Marcelo Ferra. Paulo Prado teve 44 votos singulares e José Antonio Borges 31, conforme reportagem de TRenê Dioz e Lucas Bólico.

Somados, todavia, os votos multiplos (com a escolha indefinida de dois ou três nomes, que traduzem, segundo a minha humilde análise, uma falta de definição do promotor-eleitor quanto aos rumos que efetivamente quer para a PGR), a vitória coube ao procurador da República Paulo Prado, um líder histórico da categoria, mas voltado para a defesa das conquistas administrativas. Confira o noticiário. (EC)

Paulo Prado é o mais votado da lista tríplice do MPE e passará pelo crivo de Silval Barbosa

Da Reportagem Local – Renê Dioz / Da Redação – Lucas Bólico

A lista tríplice a ser enviada pelo Ministério Público ao Poder Executivo para a escolha do novo procurador-geral de Justiça será encabeçada pelo procurador Paulo Prado. Junto aos 199 promotores e procuradores, ele obteve 102 votos contra 88 do promotor José Antônio Borges e 85 do promotor Roberto Turim. A lista tríplice deverá ser encaminhada em janeiro ao governador Silval Barbosa (PMDB) para nomeação.

Prado comemorou a vitória de uma disputa “pau a pau”, como o próprio comentou logo após a tabela indicar seu nome como o detentor dos votos da maioria. Ele enfatizou que concorreu contra dois nomes de história dentro do Ministério Público.

“O resultado reflete a aceitação do trabalho que eu fiz anteriormente contra dois colegas com muita história. A classe reconheceu como importante as minhas administrações anteriores. Se o governador entender que deve escolher o mais votado, acho que vamos fortalecer a aproximação do Ministério Público com a sociedade, na discussão da PEC 37 e as grandes discussões do Estado, como a Copa, o meio ambiente, a infância e juventude, saúde e educação”, declarou Prado.

Por sua vez, o promotor Roberto Turim analisou como positivo o resultado da votação, sobretudo pelos votos singulares que recebeu. Na votação do MP, os membros têm a possibilidade de votar em mais de um candidato.

Dos 85 votos recebidos por Turim, 53 foram singulares (Prado recebeu 44 votos singulares dentre seus 102). A alta proporção desse tipo de voto sugere uma demonstração de maior convicção por parte do eleitor. “O voto singular é mais definido, mais convicto”, reconheceu Turim. “Mas não é maioria”, ponderou.

Já José Antônio Borges, que recebeu 88 votos (sendo 31 singulares), preferiu não comentar a votação com a imprensa.

O atual procurador-geral de Justiça Marcelo Ferra se disse satisfeito com o nível da campanha, de caráter propositivo, e lembrou que já esperava uma disputa acirrada. Para ele, o novo procurador deverá receber um Ministério Público melhor paramentado, com dotação orçamentária superior e maior número de servidores para atuar em desafios. Dentre os principais desafios do próximo procurador estão problemas inerentes à redução na arrecadação e pujança econômica do Estado, pontuou Ferra, bem como os relacionados a meio ambiente.

A lista tríplice segue agora para a aprovação do governador Silval Barbosa (PMDB), que definirá qual dos três nomes que disputaram fica com a cadeira. Caso o chefe do Executivo não se manifeste em um prazo de 15 dias, o mais votado assume a vaga automaticamente.

Antes da eleição, Prado afirmou ao Olhar Jurídico que o Ministério Público passa por um momento crucial, frente à Proposta de Emenda Constitucional 37 que tira da instituição o poder de investigação.

“O MP foi eleito como grande representante da sociedade. Estou indo enfrentar estradas turbulentas e tempestades e sair, acredito, fortalecendo os anseios da população mato-grossense”, asseverou Prado ao comentar o momento pelo qual o MP passa.

Paulo Prado acredita ainda que o Ministério Público tenha que ser um dos fomentadores de grandes discussões sociais relacionadas a saúde, educação, meio ambiente, tráfico de drogas, ressocialização de detentos, entre outros. Na ótica do procurador, a mobilização social e a consciêntização da opinião pública são as principais ferramentas que o MP tem de usar para evitar a aprovãção da PEC 37.

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