Entidades presentes em reunião com governo se mostram parceiras à causa do Indea-MT. Famato, Acrimat, Sindifrigo e Cipem reconhecem sucateamento da Sedraf e de suas empresas

Os sindicalistas Diany Dias (Sintap) e Gilmar Brunetto (Sinterp) mostram, durante reunião com autoridades do Governo do Estado e representantes dos sindicatos dos produtores, que o sucateamento da Sedraf e de suas empresas é alarmante e precisa ser enfrentado com decisão. Brunetto denunciou o repasse privilegiado de "excedentes de arrecadação" para a Assembléia Legistiva em detrimento do Indea, cujas atividades são fundamentais para alavancar os resultados da agropecuária mato-grossenseOs sindicalistas Diany Dias (Sintap) e Gilmar Brunetto (Sinterp) mostram, durante reunião com autoridades do Governo do Estado e representantes dos sindicatos dos produtores, que o sucateamento da Sedraf e de suas empresas é alarmante e precisa ser enfrentado com decisão. Brunetto denunciou o repasse privilegiado de "excedentes de arrecadação" para a Assembléia Legistiva em detrimento do Indea, cujas atividades são fundamentais para alavancar os resultados da agropecuária mato-grossense

Entidades presentes em reunião com governo se mostram parceiras à causa do Indea-MT

Os depoimentos dos representantes da Famato, Acrimat, Sindifrigo e Cipem reforçaram a crítica realidade do órgão que para as entidades chegou ao limite

Alexandra Araújo/Sintap-MT

“O Indea está sucateado, a situação é preocupante e chegou ao limite, as reinvindicações são justas, por isso somos solidários.” Estas foram as frases mencionadas pelas diversas entidades presentes na reunião com o governo do estado na Casa Civili nesta segunda-feira (27), cujos  representantes demonstraram total apoio às reivindicações da presidente do Sintap-MT, Diany Dias, em relação ao Indea-MT, encabeçada também pelo presidente do Sinterp-MT, Gilmar Brunetto. Dentre os participantes, o superintendente Luciano Vacari, da Associação de Criadores do Estado de Mato Grosso – Acrimat, os diretores executivos  Seneri Kernbeis Paludo, da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso – Famato, e Álvaro Dias, do Centro de Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira – Cipem, bem como o presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso – Sindifrigo, Jovenino Borges.

Acrimat – “Me ligaram e disseram que o Indea iria entrar em greve e eu disse: acho que vocês deviam apoiar a greve, porque nós chegamos ao limite.” Esta é a opinião do superintendente da Acrimat, Luciano Vacari, relatando casos de produtor que ao retirar GTA (Guia de Trânsito Animal) e tem que levar papel sufite porque lá não tem. “Nós estamos correndo risco de perder certificado sanitário, e isso é o passaporte da carga do estado de Mato Grosso. Existe um convênio com o Ministério da Agricultura para a área de fronteira, que será perdido por falta de contrapartida do estado de R$ 500 mil. Somos parceiros sim com o governo do estado e os servidores, mas precisamos valorizar mais os servidores; inclusive não conseguimos entender por quê tanto amor à causa, porque a estrutura deles é de assustar. Chegamos a receber ligação com pedido para comprar os quatro pneus do carro, para a vacinação, e não concordei, porque ‘todo mundo’ sabe que em novembro tem campanha, senão no próximo ano vão pedir o carro pra gente. Chegamos ao limite da defesa agropecuária do estado, e  não falta mais nada acontecer”, protestou.

Famato –  “Nós chegamos a um ponto que estamos perdendo de ser o ‘bonde da história’, e por incompetência nossa, porque não estamos fazendo a lição de casa; esta é a grande verdade, afirmou o diretor executivo da Famato, Seneri Kernbeis Paludo, enfatizando a situação do Indea no interior do estado, que ele considera “sucateada”. Ele alertou que na segunda-feira (27) recebeu ligação do embaixador da Rússia, indagando sobre a questão sanitária do estado, e admitiu ser complicado dar resposta satisfatória.  Seneri reforçou que o país  também entrou este ano na Organização Mundial do Comércio (OMC), lembrando quando a China fez o mesmo em 2000, e qual foi a repercussão disto no mercado mundial de grãos, e o que poderá acontecer com o mercado mundial de carnes, e Mato Grosso será atingido enquanto um dos principais fornecedores do produto.

Mais um alerta do diretor veio em relação aos sindicatos rurais do estado, dizendo que, das 86 entidades, 26 já se posicionaram com decisão de acampar em Cuiabá por conta da atual situação do Indea, e o mesmo pediu que aguardassem, pois a Famato iria sentar com o governo par discutir a questão e tomar uma decisão. Diante da situação, e por acreditar que o quadro exige mudanças urgentes, Seneri assegurou que o presidente da entidade apóia a causa dos servidores do Indea. “Quando a Diany do Sintap, nos procurou, o Rui foi tácito, e  deixou claro que a questão salarial não nos cabe interferir, mas se for para buscar mais recursos para a sanidade animal e para o órgão funcionar devidamente, nós seremos parceiros sim, porque não dá mais para continuar no nível que estamos”, afirmou.

Sindifrigo – O presidente do Sindicato das Indústrias  Frigoríficas de Mato Grosso, Jovenino Borges, disse que a entidade representa 28 frigoríficos, que geram diariamente abate de 15 a 16 mil bovinos. O gestor é mais um representante que apoia as reivindicações do Indea, e   ressaltou  sua preocupação com os resultados da paralisação no mercado. “A solicitação do Sintap é justa e somos solidários ao sindicato. O nosso abate já está condenado a partir desta terça-feira (28), e infelizmente as indústrias também estarão paralisadas”, comentou.

Cipem – O diretor executivo Álvaro dias, como representante do Centro de Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeiras, cuja entidade congrega oito sindicatos de base florestal e 600 indústrias filiadas, disse que a entidade depender diretamente do documento que o Indea-MT emite. “Sem o certificado de origem a gente não tira nem 1m3 de madeira do estado, mas a verdade é que temos vivenciado dificuldades extremas no interior, a exemplo do posto de Nova Maringá, que tem estrutura totalmente insalubre; e já  recorremos à Sema para que encontre uma solução para aquela situação, pois há solução. Para Álvaro Dias, é preciso que se reúna com o governador para elevar tais problemas à Federação Nacional da Indústria.
“Hoje cheguei ao trabalho com o pensamento de entregar meu cargo no Cipem, pois estou me sentindo impotente para administrar alguma coisa na situação em que se encontra o setor devido as problemáticas que o Indea vem passando.”  Apesar do sentimento imediato, o diretor disse que repensou e que pretende dialogar para solucionar a questão. “Pretendo conversar para buscar esse dinheiro onde ele estiver, no Brasil ou fora dele, porque não é possível tanta dificuldade. Se o Indea fechar hoje, não sai um caminhão do estado de Mato Grosso. O  certificado deste órgão é de uma credibilidade tão grande, que em São Paulo, é de costume e imprescindível verificar o documento. Por isso, é preciso que o governo dê oportunidade para nos ajudar, e não tenho visto isso, mas é preocupante a situação que vemos hoje aqui”, finalizou.

 

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MAIS DETALHES DA REUNIÃO DE SEGUNDA

Reunião com o governo não traz resposta palpável ao Indea e paralisação continua

O governo do estado garantiu suplementação imediata para “urgências urgentíssimas” no Indea e espera orçamento para liberar a verba

Alexandra Araújo/Sintap-MT

A paralisação começou com a adesão da maioria dos funcionários, na capital e no interior do estado, que não retrocedeu ao movimento e continuarão no mesmo ritmo de luta. A reunião marcada para esta segunda-feira na Casa Civil, pelo governo do estado, com o Sintap-MT, representado pela gestora Diany Dias, trouxe também o presidente do Sinterp-MT,  Gilmar Brunetto, bem como outros representantes de entidades como a Famato, Sindifrigo, Cipem e Acrimat, além de secretários e presidentes do Indea-MT e Empaer. O governo abriu negociações, e aguarda dados orçamentários de tudo o que os órgãos necessitam em caráter de “urgência urgentíssima”, assegurando suplementação imediata.

“Apesar da abertura do governo em se dispor a resolver problemas imediatos, reforçamos que a grande problemática está na falta de autonomia da autarquia, logo, a solução definitiva está na retirada do Indea do Núcleo Sistêmico Agropecuário, pois foi a partir deste vínculo que o órgão passou a vivenciar os problemas existentes, por conta da burocracia que gera mais custos e obstáculos para sua resolução”, ratificou a presidente Diany Dias, que não pretende desviar um dos principais focos da reestruturação, já que, segundo ela, é a dependência autárquica que vem agravando as deficiências estruturais demonstradas no Indea-MT.

Ela ressaltou os R$ 500 mil de contrapartida do estado em um convênio com o Ministério Desenvolvimento da Agricultura, que levará à perda de cerca de R$ 5 milhões para o Indea. “Nesta quarta-feira (29), estamos na eminência de perder um montante deste porte para um órgão que representa 70% de arrecadação para o estado. Nós não queremos ver o nosso estado perder nas divisas, queremos sim continuar a ser o maior produtor e exportador do país”, observou a presidente, acrescentando que o Indea já faz isso com apenas 666 servidores, sendo que em 1998 eram 1500 funcionários e o estado não tinha a demanda atual . “Por isso esperamos que o governo se sensibilize, pois se já fazemos isso hoje, imagine com a devida estrutura; certamente seríamos a alavanca para o crescimento de Mato Grosso. Então, pedimos que o governo nos enxergue, e não passe por nós sem dar o devido valor que merecemos, porque precisamos ter a dignidade de prestar atendimento aos nossos clientes com qualidade”, reivindicou.

Sinterp – O objetivo não é diferente quando se refere à Empaer, já que o presidente do Sinterp, Gilmar Brunetto, acompanha o mesmo raciocínio sobre a desvinculação do órgão do Núcleo Sistêmico Agropecuário, em prol da autonomia da entidade. Brunetto também reivindica melhorias estruturais, alegando que o Núcleo trouxe mais custos para o estado. “Conforme a presidente do Sintap vem reivindicando, as instalações Indea e também da Empaer, estão caindo os pedaços, sem investimento, enquanto a burocracia gerada pelo Núcleo encarece tudo ao estado, quando é preciso resolver problemas no interior do estado, logo, o Núcleo é um entrave. Além disso, nós temos um projeto da MDA, que é só recurso federal, de mais de 7 milhões, e a ineficiência desse Núcleo só conseguiu gastar 37% deste recurso. Além deste, recursos para a construção do prédio da Empaer que estão na Caixa Econômica há mais de 2 anos, e se demorar muito, ficará perdido. Em verdade já estamos parados pro conta da precariedade que se apresenta, e se até quinta-feira não houver encaminhamentos em nossas reivindicações, iremos parar oficialmente”, explicou.

Brunetto também enfatizou a necessidade de uma discussão sobre a divisão do “bolo orçamentário”, uma vez que a Sedraf e suas vinculadas contribuem em grande proporção na receita do estado, na geração de emprego e renda, nas exportações, etc, e tem menos de 1% de retorno. “Quando vejo o governo do estado dizer que não tem dinheiro, percebo a urgência de se convocar audiência pública para discutir o “bolo orçamentário, pois  constatamos uma disparidade gritante na Assembléia Legislativa, que recentemente teve um último repasse de R$ 15 milhões de excesso de arrecadação em favor do órgão, conforme Decreto 243, de 11 de julho deste ano. Além disso, em 2011, os mesmos decretos orçamentários que abre no Orçamento Fiscal e Da Seguridade Social, crédito suplementar por excesso de arrecadação para agosto e setembro, mais de R$ 5 milhões em cada mês. A verdade é que ninguém entende porque a AL está recebendo por excesso de arrecadação”, comparou.

Legislativo – O deputado estadual, Ademir Brunetto também esteve presente, e relembrou de uma discussão antiga, em que o governa havia proposto de estudar a saída do Indea  do Núcleo Sistêmico, num momento em que o Cepromat fora desvinculado do mesmo. Segundo o legislador, houve a concordância da liderança do governo, com o apoio do presidente da AL, José Riva, que se comprometeram em levar o assunto adiante. “Se o Cepromat é importante, imagine um órgão fiscalizador que tem dificuldade para comprar até um desinfetante. E foi acordado que esta seria uma das medidas mais importantes para desburocratizar o órgão, dando a ele autonomia para decisão de compras e outros trâmites”, enfatizou.

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