PREFEITURA SANEAMENTO

Mais 3 lideranças de trabalhadores rurais assassinadas em MT

Polícia técnica recolhe corpos dos trabalhadores, Josias Paulino de Castro e de sua esposa, Ireni da Silva Castro, ele presidente da Associação de Produtores Rurais Nova União. Os dois foram assassinados em 16.8.2014 no Distrito de Guariba, Colniza-MT

Polícia técnica recolhe corpos dos trabalhadores, Josias Paulino de Castro e de sua esposa, Ireni da Silva Castro, ele presidente da Associação de Produtores Rurais Nova União. Os dois foram assassinados em 16.8.2014 no Distrito de Guariba, Colniza-MT

A Comissão Pastoral da Terra e o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra distribuíram neste início de semana o seguinte comunicado, assinado e apoiado por outras 17 entidades do movimento social mato-grossense:

 

NOTA DE REPÚDIO E DENÚNCIA

A Comissão Pastoral da Terra, regional Mato Grosso, o Movimento Sem Terra – MST e demais entidades, abaixo assinadas, repudiam e denunciam os 3(três) assassinatos de lideranças do campo no Estado de Mato Grosso acontecidos todos na mesma semana.

O primeiro assassinato, de dona Maria Lucia, sindicalista, aconteceu no dia 13 de agosto, quarta-feira, no município de União do Sul, Gleba Macaco, Assentamento Nova Conquista II, área reconhecida legalmente como Terras da União. Neste caso, as ameaças foram denunciadas na Ouvidoria Agrária Nacional e foram testemunhadas, inclusive, por oficiais de justiça. O crime foi cometido dentro do assentamento.

Os outros assassinatos aconteceram no dia 16, sábado, no Distrito de Guariba, no Município de Colniza e as vítimas foram Josias Paulino de Castro, presidente da Associação ASPRONU (Associação de Produtores Rurais Nova União), de 54 anos, e sua esposa, Ireni da Silva Castro, 35 anos.

Ainda no início do mês de agosto, aconteceu em Cuiabá uma Audiência com a Ouvidoria Agrária Nacional para tratar, dentre outros assuntos, do conflito de terra em Guariba, na qual participaram o desembargador Gercino José da Silva Filho, o representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o Presidente do Intermat, o Comandante da Companhia da PM de Colniza, representantes do Incra, MPF, da Secretaria de Justiça de Estado, entre outras representações.

A reunião está online (confira no vídeo abaixo)  e demonstra a tensão que o momento representava. Nesta, Josias denunciou aberta e corajosamente a grave situação de conflito agrário que perpetua na região. Dentre as suas denúncias acusa a inoperância e o descaso do Intermat, a grilagem de grandes áreas de terras públicas promovida por fazendeiros inescrupulosos, a expedição de títulos irregulares pelo Estado, extração ilegal de madeira, envolvimento de alguns políticos do Estado e o suposto favorecimento a ilegalidade na região pela Polícia Militar. Neste ponto, é preciso ressaltar que, conforme noticiado pela imprensa, a arma utilizada no crime do casal era de uso restrito, portanto, somente poderia estar sendo utilizada, com a devida autorização, pelos órgãos de segurança do Estado.

Afirmamos que, inequivocadamente, os 03 assassinatos foram execução de lideranças que lutavam pelo direito à terra e, por isso, denunciavam a corrupção e a violência que o povo sofre, com a omissão e conivência do Estado de Mato Grosso e a União, através dos seus órgãos competentes.

Lamentavelmente reafirmamos que estes assassinatos não são fatos casuais num Estado que vem promovendo insistentemente a concentração de terra e a violência programada, para perpetuar o privilégio de uns poucos que detêm o poder político e econômico, em detrimento de uma maioria de trabalhadores e trabalhadoras rurais.
Cabe destacar também que muitas mortes estão sendo anunciadas pelo número de ameaças que vem crescendo exponencialmente nas zonas rurais do Estado. Somente no ano de 2013 foram 27 pessoas ameaçadas no campo, 21 em 2012 e 10 em 2011.

Portanto, com essa estrutura e a impunidade recorrente podemos afirmar que nos encontramos numa situação de barbárie social.

A Maria Lucia, o Josias e a Ireni foram assassinados dias depois de apresentarem a grave situação em que vivenciavam as diversas famílias no campo. As denúncias junto á Ouvidoria Agrária e a respectiva Audiência, além de não resolverem a situação, acirrou ainda mais o conflito, demonstrando a incompetência e o descaso com a vida das pessoas. A luta e a coragem para diminuir as injustiças significou morte. Será que a impunidade também prevalecerá nestes casos?

Exigimos apuração imediata e julgamento dos crimes, assim como a solução dos conflitos nos quais estavam envolvidos os/as assassinados.

Indignados/as nos solidarizamos com as famílias das vítimas e todas as demais que continuam sofridas e esperançosas em tempos novos.

Maria Lucia, Josias e Ireni jamais serão esquecidas/o, porque se tornaram sementes de Vida e de Coragem, regadas pelo sangue inocente derramado injustamente.

Cuiabá-MT, 19 de agosto de 2014.

Assinam:
Centro Burnier Fé e Justiça – CBFJ
Centro de Direitos Humanos Dom Máximo Biennès
Centro de Direitos Humanos Henrique Trindade – CDHHT
Comissão Pastoral da Terra – CPT MT
Conselho Indigenista Missionário – CIMI
Fórum de Direitos Humanos e da Terra Mato Grosso – FDHT
Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento – FORMAD
Federação de órgãos pra Assistência Social e Educacional – Programa Mato Grosso – FASE
Grupo de Trabalho de Mobilização Social (GTMS-MT)
Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte – GEPEA
Instituto Caracol – IC
Instituto Gaia – IG
Movimento RUA – Juventude Anticapitalista
Movimento dos Trabalhadores Acampados e Assentados – MTA
Movimento 13 de Outubro
Movimento dos Sem Terras – MST
Movimento dos Trabalhadores sem Terra – MTS
Movimento UNITÀRIO do Estado de Mato Grosso – Por Terra, Território e Dignidade!
Rede Mato-grossense de Educação Ambiental – Remtea

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ENTENDA O CASO

O Presidente da Associação ASPRONU (Associação de Produtores Rurais Nova União), Josias Paulino de Castro, 54 anos, e sua esposa, Ireni da Silva Castro, 35 anos, foram assassinados neste sábado (16), no Distrito de Guariba, no Município de Colniza. Os corpos foram encontrados crivados de tiros de arma de fogo calibre 9mm, que é de uso restrito. “Será que eu vou ter que ser assassinado para que vocês acreditem e tomem providências”, havia dito a vítima na semana passada.

A execução revoltou moradores da região, já que todos sabiam que o casal, ainda neste mês de agosto, havia ido até Cuiabá realizar várias denúncias ao ouvidor Agrário Nacional, desembargador Gercino José da Silva.Segundo informações do site O Pantanal Online, ele teria denunciado alguns políticos da região, por extração ilegal de madeira. Também denunciou a Polícia Militar por irregularidades e órgãos do governo por emissão irregular de títulos definitivos das terras na região.

Por várias vezes, na reunião, Josias afirmou a existência de ‘pistoleiros’ na região e que nunca foram tomadas providências. “Estamos morrendo, somos ameaçados, o Governo de Mato Grosso é conivente, a PM de Guariba protege eles, o Governo Federal é omisso, será que eu vou ter que ser assassinado para que vocês acreditem e tomem providências”, disse Josias no dia 5 de Agosto.

Segundo informações da Polícia Civil de Colniza, os corpos foram encontrados crivados de tiros de arma de fogo 9mm, que é de uso restrito. “Os dois foram baleados na cabeça e Ireni ainda levou um tiro na mão”, disse um policial.

O delegado de Polícia Judiciária Civil, Marco Bortolotto Remuzzi, abriu inquérito e investiga o duplo homicídio. A polícia ainda não tem informações a respeito de quem tenha assassinado o casal.

 

FONTE COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

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Presidente de associação rural e esposa são mortos após denuncia contra PMs e políticos de MT

Os corpos foram encontrados crivados de tiros de fogo 9mm, que é de uso restrito.

MAYARA MICHELS
DO REPÓRTER MT

“Será que eu vou ter que ser assassinado para que vocês acreditem e tomem providências”, disse a vítima na semana passada.

O Presidente da Associação ASPRONU (Associação de Produtores Rurais Nova União), Josias Paulino de Castro, 54 anos, e sua esposa, Ireni da Silva Castro, 35 anos, foram assassinados neste sábado (16), no Distrito de Guariba, no Município de Colniza. A execução revoltou moradores da região, já que todos sabiam que o casal neste mês de agosto, veio até Cuiabá realizar várias denúncias ao ouvidor Agrário Nacional, desembargador Gercino José da Silva.

Segundo informações do site, O Pantanal Online, ele teria denunciado alguns políticos da região, por extração de madeiras ilegais. Também denunciou a Polícia Militar por irregularidades e também e órgãos por emissões irregulares de títulos definitivos das terras na região.

Por várias vezes, na reunião, Josias afirmou a existência de ‘pistoleiros’ na região e que nunca foram tomadas providências. “Estamos morrendo, somos ameaçados, o Governo de Mato Grosso é conivente, a PM de Guariba protege eles, o Governo Federal é omisso, será que eu vou ter que ser assassinado para que vocês acreditem e tomem providências”, disse Josias no dia 5 de Agosto.

Segundo informações da Polícia Civil de Colniza, os corpos foram encontrados crivados de tiros de arma de fogo 9mm, que é de uso restrito. “Os dois foram baleados na cabeça e Ireni ainda levou um tiro na mão”, disse um policial.

O delegado de Polícia Judiciária Civil, Marco Bortolotto Remuzzi, abriu inquérito e investiga o duplo homicídio. A polícia ainda não tem informações a respeito de quem tenha assassinado o casal.
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CPT divulga relatório sobre conflitos no campo no Brasil em 2013 by Enock Cavalcanti

1 Comentário

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  1. - IP 189.100.236.74 - Responder

    NÓS OS SERES HUMANOS, SOMOS UM BANDO DE VERMES QUE CIRCULAM NA FACE DA TERRA. DESTRUINDO TUDO QUE VÊ, POR INTERESSE PRÓPRIO. POLÍTICOS E AUTORIDADES SÃO OS PIORES VERMES QUE INFESTAM O MUNDO DE PODRIDÃO, ACHANDO QUE IRAM LEVAR ALGUMA COISA DEPOIS DE MORTOS. LIXO HUMANO.

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