ENOCK CAVALCANTI: Valter Pomar passou por aqui, mostrando como patrões, no Brasil, são, ao mesmo tempo, submissos e perversos

Valter Pomar (entre Enelinda e Vera Araújo), com Paulo Pimenta e Gilvan, em reunião no Sindicato dos Bancários

Valter Pomar passou por aqui, mostrando como as classes dominantes brasileiras são perversas

Por Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos: fim de semana movimentado para a pequena mas resistente esquerda petista mato-grossense, neste final de semana, em Cuiabá. 7 e 8 de junho foram dias vermelhos. Em movimentados eventos, na Adufmat e no Sindicato dos Bancários, pudemos conversar sobre a situação de quase pânico em que vive a maioria do povo trabalhador brasileiro, especular sobre a realidade do PT e os rumos do partido que escolhe novas direções em setembro, além de conhecermos um pouco mais de nós mesmos, de nossas limitações e de nossas possibilidades.

Tudo começou com um almoço confraternização no Okada. Depois o deputado federal Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara Federal, o historiador Valter Pomar, o médico Gilney Viana e a professora Juçara Dutra Vieira encararam aquela maratona que constou de entrevista coletiva para a imprensa, debate aberto sobre o desmonte do Estado brasileiro, nesse atual momento de nosso País, e sobre o esforço de todos nós para mantermos o PT como um partido capaz de mobilizar a classe trabalhadora para a defesa dos seus interesses.

Foi uma maratona que se estendeu das 10 horas de sexta até perto das 18 horas de sábado. O corpo envelhecido do blogueiro aqui doeu, doido para se estirar no descanso costumeiro do final de semana, mas é bom se sentir um cara entre tantos caras que se movimentam em Cuiabá, numa perspectiva de sobrevida consciente. Muitos velhinhos mas também muitos jovens. Tá garantido que a nossa esquerda sobreviverá. A menos que aconteça uma matança continuaremos por aí palpitando e dando saltos tentando alcançar os céus.

Chegar novamente ao governo e sonhar com o poder é um desafio que exige sempre muito de nós. E não se trata de nenhum delírio, isso tudo faz parte das possibilidades cotidianas de nossa vida, como os visitantes demonstraram tão bem, em suas argumentações.

Destaco a fala do Valter Pomar porque me sinto cansado para escrever tudo o que deveria ser escrito…Essa vida viciada neste vai e vem…Essa é a minha auto-critica, Valter: acho que nunca tive muito fôlego, fico ruminando muito para mim mesmo, ao contrário de você de nos dá lições cotidianas de persistência. Minha reportagem, então, é parcial. Quem quiser ouvir toda história, tem que consultar outra fontes, como a Edna Sampaio, o Afrânio Araujo e tantos que por lá passaram…

Destaco a fala do Valter Pomar porque ele mantém sempre o foco marxista, de desvelar, no tabuleiro de xadrez da nossa realidade brasileira, como se movem os diferentes peões, nesta batalha sem trégua pela vida, que a gente chama de luta de classes e não pode ser resumida como uma corrida descontrolada do Forrest Gump. Há um método cruel por trás de tudo, há muitos e muitos anos.

Aqui em Mato Grosso, nas raras reuniões da cúpula do PT que acontecem, virou tradição apresentar análises de conjuntura na perspectiva dos nossos mandatos parlamentares, e a posição e os espaços que a classe trabalhadora ocupa, na realidade regional, em sua eterna batalha contra os dominadores de plantão em nosso Estado, aparecem sempre desfocados. E os trabalhadores deixam de ser educados na arte de se prepararem para as batalhas do dia a dia contra quem verdadeiramente interessa enfrentar e derrotar.

O debate na sexta, na Adufmat, propunha uma análise do processo de desmonte do Estado brasileiro, que vem sendo promovido pelo atual governo do capetão Bolsonaro, e Pomar, o historiador militante da Articulação de Esquerda, mostrou que tem um olhar mais abrangente, demonstrando que o interessa das classes dominantes brasileiras nunca é desmontar completamente o Estado, já que eles também não sabem viver sem ele.

Esse é um momento de fortes conflitos entre as nações, em todas as partes do mundo, e de fortes conflitos entre as classes sociais, dentro de cada uma das nações. Só que as classes dominantes brasileiras, não querem saber de apostar na soberania brasileira e disputar a hegemonia internacional com grandes nações como os Estados Unidos, a Alemanha, o Japão, a China. Nossos patrões preferem se colocar à sombra do império norte-americano, como sócios menores que se alimentam das sobras das grandes nações. É um patronato sanguessuga, sem tirar nem por. Ora, para uma disputa internacional eles teriam que costurar um contrato social interno e buscarem ter a maioria do povo ao seu lado…Nessa de repartir a propriedade e o poder dentro do Brasil, nossa elite, desfocada dos olhos da maioria do povo, prefere ficar com tudo que conseguirem controlar…

Aí eles fazem o desmonte do Estado só naquilo que não lhes interessa. Não, não fazem um desmonte linear do Estado, explanou o Valter Pomar, como vocês podem conferir no vídeo que publico abaixo. A gravação não tem aquela qualidade da TV Globo, notadamente no som, mas é mais uma gravação militante da PAGINA DO E. É sempre impactante ver como patrões submissos diante dos interesses externos da nação brasileira, e perversos em sua ação sempre truculenta sobre o nosso povo, agem e procurar eternizar o seu poder.

Aí é que vem o cacete para cima dos trabalhadores e das trabalhadoras brasileiras: eles reduzem ao minimo a dimensão social e produtiva do Estado e ampliam ao máximo a sua dimensão repressiva e espoliativa.

Vejam no video todos os alertas que Valter Pomar nos trouxe.

Pena que foi a esquerda do PT, basicamente, que esteve lá na oca da Adufmat. Apareceram uns rapazes da novata Unidade Socialista, não se é bem esse o nome, um partido em formação…Mas onde estavam os militantes do PC do B, do PSB, do PDT, do PCB, da Causa Operária, do PSOL?

Bem, dizem que a unidade se constrói na luta…mas a luta não está aí, diante de nós, desafiadora?

Valter Pomar falando na Adufmat from Enock Cavalcanti on Vimeo.

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