TCE - OUTUBRO

ENOCK CAVALCANTI: TRE precisa confirmar decisões do juiz eleitoral Saíto

O juiz Saíto

Divulgo, abaixo, inteiro teor do artigo de minha autoria que circulou na edição impressa do jornal Diário de Cuiabá, nesta quarta-feira, 4 de outubro de 2017, e no qual abordo a cassação de quatro vereadores da Câmara Municipal de Cuiabá:

 

Saíto e as mulheres
POR ENOCK CAVALCANTI

Meus amigos, meus inimigos: as mulheres de Mato Grosso passaram a ter uma dívida histórica para com o juiz da 55ª Zona Eleitoral de Cuiabá, Gonçalo Antunes de Barros, o Saíto. É que esse discreto julgador expôs a trama sórdida através da qual os vereadores Marcrean Santos (PRG), Elizeu Nascimento (PSDC) e Abílio Junior e Sargento Joelson (PSC) se elegeram para a Câmara de Cuiabá.

Vejam que, conforme a determinação da Lei Eleitoral, cada partido ou coligação, na formação de suas chapas de candidaturas para as eleições, deve preencher a cota de 30% com candidatas mulheres e 70% com candidatos homens. Foi um jeito que se encontrou para incentivar a participação política das mulheres. Só que essa determinação legal não está adiantando de nada – e os partidos, com a complacência de muitos representantes do MP e da Justiça Eleitoral, pelo Brasil afora, através dos anos, vinham fechando os olhos para a fraude que estava sendo praticada pelos partidos.

Só que o juiz Saíto resolveu acatar o questionamento feito pelo MPE daqui e dar um basta nesta maracutaia, pelo menos naqueles mandatos sujeitos à sua jurisdição.

Colocado diante da possibilidade de fraude, vejam que o Saíto não se acomodou. Assumiu o seu papel de juiz-investigador, esse papel que, ultimamente, tanto assusta ao governador Zé Pedro Taques e outros políticos da região.

Conversando com as mulheres candidatas por estes partidos nanicos, Saíto constatou que algumas das mulheres-candidatas nem mesmo sabem, até hoje, o que seja filiação partidária, não conhecem o estatuto ou os projetos do partido pelo qual foram lançadas. Segundo o magistrado, elas contam que não participaram de convenções partidárias e deixaram evidente que foram apenas usadas para fraudar o preenchimento da cota exigida pela Lei.

E vai por aí a bandidagem praticada pelos partidos dos vereadores Macream, Abilio, Joelson e Elizeu: algumas candidatas eram convencidas, durante a campanha, além de cederem os seus nomes, a trabalharem como cabos eleitorais para outros candidatos, homens. Uma farra indecente diante dos olhos da Justiça Eleitoral e de toda a sociedade.

Agora que o Saíto deu um tranco nesses políticos, vamos ver se será feita auditoria para apurar a formação da chapa de mulheres em todos os partidos, desde que a exigência entrou em vigor. E o mais importante: o Tribunal Regional Eleitoral precisa confirmar as decisões do Saíto! Um galo só não tece uma manhã.

 

ENOCK CAVALCANTI, jornalista e blogueiro, é editor de Cultura do Diário

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