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ENOCK CAVALCANTI: Tanta gente revoltada com a reforma da Previdência – mas ainda não basta. Parlamentares e governantes vivem dentro de uma redoma que, para ser abalada, exige muito mais

As ruas e a Previdência

Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos: uma multidão foi às ruas, pelo Brasil afora, nesta quarta-feira, 15 de março, para protestar contra a reforma da Previdência, pretendida pelo governo golpista de Michel Temer. O protesto juntou muita gente, notadamente em São Paulo. Só que, pela reação do Governo Federal e dos parlamentares, no Congresso Nacional, já se vê que essa mobilização não bastou para alterar o propósito da reforma. A pressão precisa crescer.
Na Grande Cuiabá, onde existem perto de 2 milhões de pessoas, as centrais sindicais avaliam que perto de 5 mil pessoas prestigiaram a manifestação. Num meio de semana, no meio do expediente de trabalho, com esse calor infernal que faz em Cuiabá, foi, sem dúvida, uma vitória. Só que ainda não basta. O que são 5 mil diante de tantos outros que se mantém adormecidos?
Ouvi alguns oradores dizendo que “o povo não aceita esta Reforma”, “o povo está mobilizado para garantir seus direitos”, como se a adesão ao protesto fosse geral. O fato é que governantes e parlamentares ainda estão fazendo cara de paisagem diante de quem protesta. Estiveram na Praça do Ipiranga, e participaram da passeata que percorreu as ruas centrais de Cuiabá, 32 sindicatos de servidores do Estado, bem como militantes da Central Única dos Trabalhadores, da Força Sindical, da Central dos Trabalhadores do Brasil. Uma grande tarde multicolorida na capital de Mato Grosso. E muitos gritos de Fora, Temer!
enock, muito mais esperneios, muito mais gente erguendo seus estandartes. Os governos do PT não souberam fazer os trabalhadores avançarem nesta tática de ocupação das ruas e a tendência de muitos continua sendo sempre esperar que haja uma negociação capaz de fazer quem nos ataca recuar.
Só que a realidade é trágica, os poderosos de plantão, notadamente os banqueiros, que nem ficam aqui no Brasil, comandam esses ataques contra os direitos da maioria do povo confiando que o aparato ideológico manterá a grande maioria longe dessa “bagunça” toda.
Quem, do nosso povo, é capaz de estabelecer uma vigília tal que não dê descanso aos nossos deputados federais e nossos senadores, na hora em que estiverem por aqui, nas ruas, fora daquela redoma alienante lá do Congresso Nacional? Para recuarem no apoio à Reforma da Previdência é fundamental que os parlamentares e governantes não fiquem sabendo do protesto popular apenas pelos jornais, pela TV, mas que sintam o cheiro, o calor, a pressão física daqueles que não querem perder seus direitos.
Imagino o Fábio Garcia, o Carlos Bezerra, o Tampinha acuados em todos os cantos, em todos os locais por onde se desloquem em Mato Grosso. A gente sabe que eles já acertaram seus votos com o Palácio do Planalto, com os enormes esquemas econômicos que os sustentam.
Para fazê-los retroceder, só se enfrentarem uma verdadeira guerrilha popular. Uma mobilização popular que não lhes dê sossego ao acordar, durante o dia e também na hora de dormir. Só esse tipo de mobilização para acuar os golpistas. E os palácios lá em Brasília precisam ser todos cercados pelo povo que repele esse nível inacreditável de espoliação que tentam nos impor.

Enock Cavalcanti, jornalista e blogueiro, é editor de Cultura do Diário

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