ENOCK CAVALCANTI: Quando era procurador da República, Zé Pedro Taques, numa ação exemplar, expôs a tentativa feita pelo promotor Antônio Alexandre da Silva, de suborná-lo, oferecendo-lhe uma pacoteira com 100 mil reais. Zé Pedro fingiu que aceitava a grana e levou a Policia Federal para prender o promotor em flagrante. Hoje, como governador, Zé Pedro Taques parece que nem cogitou flagrar e expor os dois profissionais da mídia mato-grossense que teriam ido ao Palácio Paiaguás buscar vantagens indevidas. Zé Pedro Taques, governador, é um tigre de papel

Zé Pedro Taques, professor universitário, governador de Mato Grosso

Zé Pedro Taques, professor universitário, governador de Mato Grosso

Publico abaixo uma versão estendida do artigo de minha autoria publicado, nesta quinta-feira, 13 de agosto, no Diário de Cuiabá:

 

Zé Pedro é um tigre de papel

Por Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos: “tigre de papel” é expressão que serve para designar algo aparentemente ameaçador mas que, na realidade, é inofensivo, um blefe. A expressão, antiga na cultura chinesa, ganhou o mundo após entrevista do líder comunista Mao Tsé-Tung à jornalista norte-americana Anna Louise Strong, em 1956. Mao – o Grande Timoneiro da revolução chinesa – usou essa expressão para qualificar os Estados Unidos que viviam ameaçando explodir a China – mas que, na verdade, nunca explodiram, acabando por se vergar ante o fenômeno econômico em que a China se transformou. A metáfora, desde então, caiu na boca do povo.

Tigre de papel. Tantos anos depois, 2015, em Mato Grosso, vejo os factoides que brotam do Paiaguás e fico a pensar que nosso governador, Zé Pedro Taques, com seus rompantes, é nosso tigre de papel pantaneiro. Faz que ruge pros mais fracos, corta o reajuste dos servidores pela metade, troveja, como se fosse chover, mas o Estado continua mergulhado nos impasses de sempre. Cadê que o Zé Pedro impediu que os novos caititus da Assembleia Legislativa se pagassem, às custas dos cofres públicos, uma verba indenizatória indecente, de R$ 65 mil reais mensais, a maior e mais constrangedora de todo o Brasil?!

Vejam que o tigre de papel pantaneiro, até hoje, também, não foi capaz de dizer, depois de tantos e variadas reuniões e planejamentos, o que será feito desse esqueleto encravado no coração de Cuiabá que são as inacabadas obras da Copa.

Pare um cidadão mal avisado na rua e pergunte: você acha que vamos ter o VLT? A incerteza é geral. As previsões mais otimistas dão conta de que o VLT, se vier, só virá perto de 2020 e olhe lá.

Mas devo retomar assunto de crônica anterior, relembrando o comportamento vacilante que Zé Pedro Taques teve diante das investidas que lhe teriam feito um dirigente de poderosa rede de TV regional e um jornalista de poderoso jornal também regional. Esses fatos foram noticiados sem desmentidos vindos lá do Centro Político Administrativo.

Alguém dirá: mas você vibrou quando noticiou que o Governo do Estado cortou a propaganda na Poderosa! Sim, parecia que começaríamos a ter um desmonte dos vergonhosos esquemas da mídia em Mato Grosso, mas não houve desmonte nenhum, até agora.

O homem da TV teria cobrado um patrocínio de 2 milhões mensais. O jornalista (fato que eu ainda não comentara aqui no Diário), que mantivesse verba de zelo paga pelo Silval. Que fez Zé Pedro diante dessas investidas? Pelo que se sabe, nada. O tigre miou.

Quem se lembra do caso do promotor da Vara de Entorpecentes Antônio Alexandre da Silva, que tentou subornar o então procurador da República José Pedro Taques, em 1998, quando ele ainda não se definira por deixar o MPF e pela carreira de político direitista? Vejam que Antônio foi flagrado pela Polícia Federal quando repassava parte do suborno “negociado” com Taques, que, usando a inteligência da PF e os serviços do delegado federal Augusto César Martinez. armou flagrante no Moitará Sebrae Center. Ah, aquela foi uma atuação fulminante, marcante.

O promotor queria que Taques desse parecer favorável à liberação dos Títulos da Dívida Agrária no processo de arrecadação da fazenda Codian, em Cáceres. Para isso, ofereceu R$ 100 mil, uma nota preta. Zé Pedro, babando na gravata, fingiu que aceitava o dinheiro, mas acabou levando o promotor a ser preso em flagrante e a enfrentar, daí  em frente, um longo processo administrativo no âmbito do Ministério Público que, infelizmente, a meu juízo, não conseguiu afastá-lo daquela instituição. Essa história está na memória do Google e, não sei porque, não pode ser pesquisada nos saite do MPE-MT, na internet.

Hoje, como governador, Zé Pedro Taques parece que nem cogitou flagrar e expor os dois profissionais da mídia que teriam ido ao palácio buscar vantagens indevidas. Pelo contrário. Apesar da cobertura que o acontecimento teve na blogosfera cuiabana, o governador não tomou a iniciativa e, pelo que parece, evita mesmo falar no assunto, o que acaba por preservar, digo eu, a cultura da verba de zelo, do conchavo nos bastidores e todas esses vícios que marcam a história da política e também do jornalismo, em nossa Terra.

Enfim, avalio que o Zé Pedro, procurador da Republica, soube se fazer personagem notável. Já o Zé governador, coitado, já enredado pelos vícios da politicagem pantaneira,  é mais um tigre de papel.

 

ENOCK CAVALCANTI,  jornalista, é editor de Cultura do Diário de Cuiabá. 

Categorias:Direito e Torto

5 Comentários

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  1. - IP 177.41.92.135 - Responder

    O Zé Pedro não teve coragem,deveria ter tido,concordo com você! Porém,contudo ,todavia,o senhor corajoso jornalista Enock,tem ou teria a obrigação,de se sabedor dos nomes,e com certeza sabe,de nos revelar esses dois tranbiqueiros que foram chantagear o governador.Seria da Globo e da Gazeta? FALE ENOCK,exigimos saber.

  2. - IP 177.41.92.135 - Responder

    Se não revelar você é um jornalista de papel ,sem coragem!

  3. - IP 201.22.173.188 - Responder

    Gostaria de parabenizar e agradecer por ser um profissional coerente, o único que não se ajoelha a mesmice ao comentário fraco e sem conteúdo, está em um estado “Único” onde verdade só tem um viés, o PODER.
    Veja que o “Zé” poupa o Maggi, é o Blairo o inventor do Eder Morais na vida publica de MT, o mesmo das ruas do entorno da Amaggi.
    Nos já sabemos quem vai pagar a conta do “Zé” e olha que votei nele, era o menos pior, mais já sabemos que a prioridade no governo dele e a Segurança, por quê? Porque é o caminho mais fácil para os efeitos midiáticos, com ações grandiosas, para municiar os programas de 12:00 hs e assim colher a popularidade mais rápida.
    O queríamos era o Foco na Educação, onde sabemos que ali Sim, poderíamos ter vitorias consistentes, verdadeiras e duradouras contra a criminalidade.
    Sabemos que para o projeto de poder do Zé a Educação e meio mais longe enquanto a segurança e o mais rápido.

  4. - IP 191.223.185.113 - Responder

    O passeio barulhento com os novos carros da área da Segurança Pública foi patético. Onde estão as novas escolas e os espaços públicos para as crianças e adolescentes? Governos de inspiração fascistas só sabem equipar as polícias para oprimir a periferia, num culto à violência do Estado. Pedro optou pelo pior. Patético. Tosco. Policialesco.

  5. - IP 177.203.35.33 - Responder

    Quem não sabe os nomes dos jornalistas?? Um é o genro do dono da TVCA.

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