PREFEITURA SANEAMENTO

ENOCK CAVALCANTI: Parece que Chapada não terá Festival de Inverno. Só frio.

A neblina cobre a cidade. O que foi feito do Festival?


A música não vem. Só o frio, em Chapada

Por Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos. O frio chegou, mas a fonte secou. Mês de julho se acabando  e Chapada dos Guimarães parece que não terá mesmo a 34º edição do FESTIVAL DE INVERNO neste ano de 2019. Quem disse que não existe uma crise? Parece que a crise tem hoje a cara de Chapada. A cara de Mato Grosso, graças a Mauro Mendes, é a cara da calamidade.

Tradição da cidade de Chapada dos Guimarães, o Festival faz parte do Calendário Oficial Turístico do Estado do Mato Grosso e, neste ano  não será realizado, com a completa omissão da Prefeitura da Cidade, nesta gestão da prefeita Thelma de Oliveira, e do pessoal do Turismo – e do Grupo Gazeta de Comunicação que tá por aí quietinho, quietinho, como se também não fosse com ele. Com a Gazeta fora da jogada, por que a TV Centro América, ou a Band, não se animaram? Talvez o que anime essa gente de TV a fazer festa não seja a festa em si, mas o dinheiro que a festa pode proporcionar, não é mesmo?

Sem Festival, como é que ficaremos sem aqueles shows que mobilizavam e sacudiam tanta gente? e sem aquelas loucuras juvenis, chance pra se agarrar amores e paixões em meio à neblina acolhedora? E aqueles porres homéricos no centro psicodélico da América do Sul?

Lembro que a Associação Casa de Guimarães realizou várias edições do Festival de Inverno, em conjunto com o Grupo Gazeta. No ano de 2018, em sua 33º edição a Associação Casa de Guimarães foi substituída pelo novato Instituto Usina. O povo nunca prestou muita atenção em quem organizava. Importante é que havia rolê, com tanta gente encapotada – e também muitos peladões e peladonas, nos ambientes mais fraternos.

O Instituto Usina já tinha sido interpelado pelo Tribunal de Contas do Estado do Mato Grosso – TCE-MT, para explicar a proposta de convênio, destinada à realização do Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães. O valor previsto foi de R$ 1.499.360,00.

Segundo o TCE-MT, o Instituto Usina também estava em situação de inadimplência (não prestação de contas), em função de convênio de número 046, firmado no ano de 2009, registrado no Sistema SIGCON, sistema de gestão de convênios de Mato Grosso.

Tem essa coisa cansativa que é a organização da festa lá na serra. E a festa, de repente, passou a se misturar também com suspeita de corrupção, como quase tudo neste País Tropical.

 A Associação Casa de Guimarães, se bem me lembro, fora o principal alvo da Operação Pão e Circo, deflagrada pelo Gaeco no dia 22 de maio de 2018. A Associação, pelo que se divulgou, recebeu mais de R$ 35 milhões por meio de contratos com o Governo do Estado e a Assembleia Legislativa no período sob investigação, entre 2011 e 2018. Quem é que recortou esta matéria, para não esquecer que a Chapada também já esteve no roteiro das operações?

Eu vi Milton Nascimento cantar em Chapada. Caetano Veloso…Se bem que o gostoso, no Festival de Inverno, é se entregar à modorra entre esses paredões, que já estavam ali há milhões de anos atrás, como nós ensina o professor Pardal. As águas mansas resistem como podem ao avanço da especulação imobiliária… A gente teme que um dia elas vão perder – e até os rios da Chapada se transformarão em esgoto para os condomínios que se multiplicarão em derredor. Eta, vida marvada.

Entre os registros de financiamentos culturais registrados na região, o mais expressivo foi o pagamento à Casa de Guimarães de R$ 2.289.690,00 pela realização do evento Chapada Encantada, uma ação que levou decoração natalina e atrações musicais à praça central de Chapada dos Guimarães, em dezembro de 2016.A cidade ambiente de festa e, também, de folguedos.

O maior volume de recursos pago por uma ação à Casa de Guimarães foi em 2014, sob responsabilidade da Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo FIFA 2014: R$ 13 milhões, pela realização do FIFA Fan Fest.

Ao todo, entre 2011 e 2014, a Casa de Guimarães recebeu um total de R$ 22.250.166,00. Além da ação na Copa do Mundo, destaca-se no período um total de R$ 3,6 milhões recebidos para a organização de três edições do Festival de Inverno de Chapada. Mas a gente já fala hoje da Casa de Guimarães como se fosse coisa do passado.

Só que o período do Festival chegou e nada de Festival neste julho friorento de 2019. O que foi feito da Prefeitura de Chapada? O que foi feito do Grupo Gazeta de Comunicação? O que foi feito da Casa de Guimarães? O que foi feito do Instituto Usina? O que foi feito da Rede Globo de Televisão? O que foi feito do espírito festivo e acolhedor dos chapadenses? Será que sem um grande patrocinador e a cobertura de uma grande rede de televisão não se faz festa em Chapada? Depois que Alessandra Kurcinski partiu tudo aqui ficou muito silencioso… E o Muraro quase não faz circular o Pluriverso Chapadense, para acirrar as contradições…

Como Chapada é um lugar mágico, será que aparecerá algum produtor inesperado e arrojado para não deixar a população mato-grossense sem o seu tão rotineiro e tão simbólico festival? Só mesmo nas canções de Johnny Alf para o inesperado fazer suas surpresas…

O que se sabe, por enquanto, é que sábado que vem, 3 de agosto, Chapada deve ter um dia de frio siberiano, com os termômetros podendo assinalar temperatura de 2 graus – e descendo. Será que algum dia vai nevar em Chapada dos Guimarães? Ou já nevou e eu não soube?

Ficarei aqui recordando o dia prazeroso que foi levar a amiga inesperada à Chapada, enfrentar o nevoeiro,  e terminar  recitando Kant, por sobre aquele noturno e abismal cenário: “Duas coisas me enchem o espírito de admiração e de reverência sempre nova e crescente, quanto mais frequente e longamente o meu pensamento nelas se detém: o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim”.

Enock Cavalcanti

Enock Cavalcanti, jornalista e blogueiro, é editor da PAGINA DO E

 

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