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ENOCK CAVALCANTI: O PT precisa de direções que superem sua dependência de mandatos eletivos e constituam ambiente de crítica, autocrítica – e de utopia

Reproduzo, abaixo, artigo de minha autoria que circula nesta quarta-feira na edição impressa do jornal Diário de Cuiabá:

 

Autocrítica do PT
Por Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos: às vésperas do seu 6º Congresso Nacional, o momento é de autocritica, para o PT e para os petistas.

O PT cometeu o erro grave de não disputar a hegemonia na sociedade, faltou-lhe procurar convencer a população da justeza do seu projeto, como se isso pudesse decorrer apenas das suas políticas públicas.

O que se observa hoje é que o PT estabeleceu relações de poder muito semelhantes às praticadas pelos partidos da ordem, que acabaram dando margem às acusações de corrupção que detonaram e continuam a detonar a imagem pública do partido. O PT não promoveu entre a maioria de seus militantes uma visão mais ampla de mundo, levando a que expressivas camadas de militantes não divisassem um futuro para além do reformismo do sistema vigente, e ainda mais, um reformismo moderado. Transformou as eleições na quase única meta e modelo da ação militante e da estratégia transformadora.

O longo caminho da autocrítica passa pelo reconhecimento dos erros e pela busca de uma nova prática política e social priorizando sua inserção na luta social dos trabalhadores e dos segmentos oprimidos e discriminados, respeitando suas autonomias, mas disputando seus corações e mentes. As práticas e as direções precisam ser renovadas para que, levando em conta a nova conjuntura de derrota, os erros cometidos, e a devida correção deles, abram-se novas perspectivas para o reencontro do PT com a maioria do povo, com seu ideário socialista e sua razão de ser.

Nesse momento adverso, precisamos ter a humildade de reconhecer a necessidade de construção de um amplo arco de alianças democrático e de solidariedade social no qual está em jogo um projeto de nação. O PT, se conseguir se reestruturar para isso, poderá vir a jogar papel importantíssimo, mas não pode ser pensado como dono desse projeto. Precisamos aprender a conviver com as demais forças políticas e sociais de um campo democrático-popular e, com elas, construir, em processo, esse projeto comum. Não se trata de cooptar essas forças mas de, entendendo sua diversidade e especificidades, compor um processo de frente política não apenas de forças partidárias, mas de forças políticas organizadas em torno de movimentos sociais, de movimentos de opinião pública, de movimentos intelectuais das várias áreas, de movimentos relacionados às diversidades individuais e sociais.

O desafio é grande. O PT precisa de direções que abandonem os vícios burocráticos e cartoriais, sejam de fato formadoras e orientadoras da militância. Que reconstruam e multipliquem a organização partidária, superem sua dependência de mandatos eletivos. Que constituam um ambiente de crítica, autocrítica e – de utopia. O PT precisa reconstruir sua utopia, superando os deslizes do presente, para seguir em frente como depositário das esperanças dos trabalhadores e de todos os demais setores subalternizados de nossa sociedade.

 

 

Enock Cavalcanti, jornalista e blogueiro, é editor de Cultura do Diário

1 Comentário

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  1. - Responder

    Primeiramente é preciso reconhecer os erros,os desvios de dinheiro público e parar definitivamente de defender bandido,como o senhor Enock faz costumeiramente nesta coluna.Pedro Henry, Silval Barbosa, José Dirceu, Pizzolato,etc,etc.foram apenas alguns dos bandidos defendidos pelo Enock aqui neste blogueiros sujo.E em nenhum momento vce senhor Enock fez uma ” mea- culpa”.Agora fala em reorganizar,sem admissão dos erros absurdos cometidos por Lula ,Dilma, Paloci é seu bando.Vao arder no inferno,que aliás é o destino natural dos comunas que se venderam para o conforto.Entregaram o Brasil para a Odebrecht,entendeu Enock,entregaram o nosso país para o empreiteiro.

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