ENOCK CAVALCANTI: Não podemos deixar de saudar como meritória a campanha recentemente encetada pelo governador Zé Pedro Taques para redução do analfabetismo em Mato Grosso

Zé Pedro Taques e os analfabetos
POR ENOCK CAVALCANTI

Meus amigos, meus inimigos: o analfabetismo de muitos de nossos irmãos e irmãs brasileiros é chaga social que deve envergonhar a todos nós. Por isso, não podemos deixar de saudar como meritória a campanha recentemente encetada pelo governador Zé Pedro Taques para redução do analfabetismo em Mato Grosso. Sim, o Zé Pedro tem vezes que acerta e merece aplausos.

Uma campanha? Parece-me que o enfrentamento do analfabetismo deveria ser mais que uma campanha. Deveria ser uma causa, a permear todas as políticas públicas em nosso Brasil e em nosso Estado, todas as nossas atitudes. Seria uma postura radical, uma decisão comum de não admitir que sobrevivam, entre nós, pessoas que se comportem como bichos, incapazes de racionar para além de suas necessidades mais comezinhas.

O governo de Mato Grosso informa, agora, que existiriam em nosso Estado, entre mais de três milhões de habitantes, algo em torno de 150 mil analfabetos, acima dos 15 anos de idade. Atrevo-me a dizer que são muitos e muitas mais, já que, além dos que não sabem ler e escrever e somar dois mais dois, penso nos ditos analfabetos funcionais.

De acordo com a Unesco, o analfabeto funcional é todo aquele que consegue escrever seu nome, formar algumas frases simples e resolver também cálculos básicos mas que não consegue interpretar o que lê e, muito menos, consegue usar a leitura e a escrita para garantir seu desenvolvimento pessoal e profissional, em consonância com seus conterrâneos.

Vejam, então, que o combate ao analfabetismo, em toda a sua negatividade, é uma tarefa complicada, com resultados difíceis de auferir. Afinal de contas, onde queremos chegar? Qual o alcance efetivo dessa campanha? Além do mais, existem tantos que, sem saberem fazer um ó, certamente são capazes de uma leitura de mundo muito mais aprofundada e sensível que a minha. Não podemos também repetir o Mobral, que passou e deixou os analfabetos tal e qual.

O fato é que é importante ter como meta, para daqui a alguns anos, a possibilidade de vivermos em uma sociedade mato-grossense em que todos sejam capazes de lerem e curtirem os livros-reportagens do jornalista Eduardo Gomes, as sensíveis poesias de Lucinda Persona, as reflexões culturais da professora Aline Figueiredo e, por fim, decifrarem o emaranhado analítico que articulistas como Alfredo Menezes sempre deixam ao sabor do vento em seus artigos.

ENOCK CAVALCANTI, jornalista e blogueiro, é editor de Cultura do Diário

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