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ENOCK CAVALCANTI: Júlio Campos, essa múmia política, ameaça se impor sobre todos nós

 

Júlinho

JÚLIO CAMPOS, A MÚMIA

por Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos: assustadoras estas pesquisas que apontam que, em MT, não haverá renovação na política, continuaremos no mesmo atoleiro moral.

Devo ser um homem teimoso, cabeça dura, imbecil. Mas não aceito que se possa considerar que Júlio e Jayme Campos vão ressurgir vitoriosos nas eleições, já que existe tanta expectativa pela renovação de valores. Cadê as moças e os rapazes capazes de renovarem de fato Assembleia, Câmara, Senado e o Governo?

Para mim, que vivi intensamente a Era Dante, acompanhando os lancinantes debates que se teve entre a turma da esquerda dantista, pretensamente progressista, e a turma dos Campos, de perfil ruralista, me parece difícil de engolir o espetáculo que esta Era Taques nos oferece.

Eu, que vi Dante e Antero empolgarem multidões se apresentando como opção que iria varrer para sempre a influência reacionária dos irmãos Campos, vejo agora que Antero, de mãos dadas com Zé Pedro Taques e outros que tais, está por aí legitimando esta volta ao passado como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Olho para o fervor com que Antero abraça hoje seus adversários de antigamente e fico arrepiado, sem voz, apoplético, querendo passar mal, tomar uma dose de conhaque. E alguém me ecoa: mas que importância tem o Antero?

Vejam que, em cenário tão kafkaniano, é a filha do Riva, a loira Janaina Riva, que desponta como uma forte possibilidade de renovação. Mas ela não foi eleita com dinheiro da corrupção? Me cobra alguém. Emanuel Pinheiro ainda anda por aí, enredado no mistério daquele paletó. O procurador Mauro mais que uma promessa segue como uma incógnita desanimadora. Lúdio Cabral, ensimesmado, parece que está com dificuldade de se erguer como liderança política, em face do labirinto pessoal em que mergulhou e da inapetência dos petistas para encarar seus próprios demônios. Afinal, o deslize constrangedor de Alexandre César até hoje não foi exorcizado.

Outro dia encontrei o empresário Junior Vitamina e ele me confessava que até o Partido Novo, em que depositava confiança, já anda se burocratizando. Nos encontros da Rede, Sebastião Carlos e Fabrício Carvalho falam em fogo sagrado – mas suas plenárias não empolgam. No PDT, o juiz Julier também não consegue superar a lógica do mercado, já que o partido é controlado mesmo pelo sojicultor Zeca Viana, um aliado de Maggi, Pivetta, Eraí e Carlos Fávaro na imposição da lógica do agronegócio.

Estamos todos patinando e essa múmia política que é o Júlio Campos ameaça se impor sobre todos nós. O cenário que era dantista vai se transformando em dantesco – e eu bem sei que Dante de Oliveira, com seus acordos e coalizões, contribuiu para todo este terror.

ENOCK CAVALCANTI, jornalista e blogueiro, é editor de Cultura do Diário

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