ENOCK CAVALCANTI: Juiz Julier ou Fabricio Carvalho para prefeito? Qualé a do PDT em Cuiabá?

Julier e Fabricio

Julier ou Fabrício? Qualé a do PDT em Cuiabá?

Por Enock Cavalcanti

 

Meus amigos, meus inimigos: nesta sexta-feira, 19 horas, o PDT se reúne em convenção municipal, em Cuiabá. Lá mesmo no Hotel Fazenda, local de tantas e tantas convenções. A reunião poderá dar pistas definitivas sobre os rumos do partido que, em outros tempos, já foi apontado como uma dos mais radicalizados à esquerda, no cenário político brasileiro, quando tinha o comando do seu fundador, o ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, Leonel Brizola.
Hoje, pelo menos o PDT cuiabano, é uma pálida sombra daquele partido brizolista que chegava a pregar o socialismo, em uma nunca bem definida versão morena. Morena porque teria a cara do vulgo brasileiro, o trabalhador das periferias sempre em busca de uma vida mais digna? Há controvérsias.
Brizola morreu. O PDT brizolista pode-se dizer que agoniza, já que o discurso do partido hoje é marcado por uma cacofonia sem fim, notadamente aqui em Mato Grosso, onde seu maior líder do passado, o homem das Diretas Já, Dante de Oliveira, acabou se atucanando, deu uma solene guinada à direita, e seu lugar tenente, Antero de Barros, que sempre sobreviveu nas urnas como sanguessuga de Dante, se transformou agora em mero vendedor de opinião, marqueteiro de aluguel, mais interessado, aparentemente, no dinheiro que na ideologia ou na disputa de votos e de ideias, e vive bem distante do PDT. Sem Dante, Antero não é ninguém, conclui-se.
Mas, nesses novos tempos, a disputa em Cuiabá está aí e o que o PDT cuiabano tem a oferecer para quem aspira por um governo diferenciado do atual governo do prefeito Emanuel Pinheiro, do MDB?
Dentro do PDT, fala-se nas possíveis candidaturas de Julier Sebastião e do maestro Fabricio Carvalho. Na convenção desta sexta, poderemos ter alguma pista sobre o espaço que cada um deles ocupará dentro do partido, e na disputa do ano que vem.
Eu, que olho de fora, vejo que a candidatura de Fabricio Carvalho, mais ao centro e derrapando para a direita, se agiganta, enquanto Julier Sebastião, mais à esquerda, ainda não deu as caras. É grande a mobilização que o maestro vem fazendo para esse encontro de sexta-feira. Ele quer começar a despontar como um candidato com grande apoio entre os culturetes. Da candidatura de Julier não se tem noticia de mobilização. O juiz anda discreto demais para o gosto de quem sabe que a presença nas lutas e na mídia é sempre uma referencia fundamental nos partidos ditos de esquerda – e em qualquer partido.
Mas será de esquerda o PDT mato-grossense? Esse PDT que mantém a vice-governadoria de Mauro Mendes, no governo do Estado, atualmente empenhado em massacrar a greve dos profissionais da Educação que buscam o fiel cumprimento de uma Lei, a 510, que trata da contínua valorização do poder de compra dos salários?
Eu digo que o PDT é um partido atualmente marcado por contradições excessivas aqui em Mato Grosso. O partido diz que se prepara para disputar contra Emanuel mas tem como seu presidente municipal, o atual deputado estadual licenciado e secretário de Cultura Allan Kardec que, nas duas últimas eleições, para prefeitura de Cuiabá e para a Câmara Federal, marchou ligadinho com a família Pinheiro, ajudando a fazer de Emanuel prefeito e do inacreditável Emanuelzinho, deputado federal.

Temos que escrever e especular muito mais para entender o PDT. E ver o que vai rolar nesta sexta-feira, com certeza. O PDT daqui é igual uma nuvem, toma formas surpreendentes de acordo com os ventos cotidianos da política.

 

Enock Cavalcanti

Enock Cavalcanti, jornalista e blogueiro, é editor desta PAGINA DO E

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