PREFEITURA SANEAMENTO

ENOCK CAVALCANTI: Everton Pop, acusado de embolsar parte do salário de seus servidores quando vereador, se assanha para um possivel retorno. Que porcaria de renovação é essa?

Reproduzo, abaixo, artigo de minha autoria publicado na edição impressa do Diário de Cuiabá, no dia 6 de setembro.

 

A saída? Onde fica a saída?
Por Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos: mistério agora é saber se, diante da exposição dos possíveis crimes de tantos e tantos políticos, nossos cidadãos terão maturidade para trocar pra valer o time que nos representa, na Assembleia Legislativa, na Câmara Federal, no Senado e na governadoria do Estado.

Acredito que mudança de fato só virá quando nosso povo estiver capacitado para a democracia direta, que exige a participação de todos e de todas. Só que, diante da realidade que temos, sonhar com sovietes que funcionem como não funcionaram na Rússia, na China, tem um gosto de utopia que não sei ao certo como viabilizar.

Mas uma coisa é certa: temos que repudiar esse jeitinho de quem diz todo dia que Silval é um ladrão, que roubou até o tapete do Paiaguás, mas não tem coragem de analisar também as maracutaias dos governos de Blairo Maggi, Jayme Campos e Dante de Oliveira – e mais e mais, chegando até o atual governo de Zé Pedro Taques, que abraçou e festejou com Alan Malouf do mesmo jeito que Silval festejara.

A saída? Onde é que fica a saída? A saída é questionar sempre, já que o caminho se faz ao caminhar. Só que é difícil demais essa construção coletiva, quando a maioria do povo, tal qual o juiz Mirko Gianotte, não tá nem aí.

Não se afobe, não. Nada é pra já – nos alerta o poeta Chico Buarque. Há que ter paciência histórica. Mas o que vejo é que, com o dinheiro que tem e os esquemas que articulam, políticos como Maggi, Mauro Mendes, Jayme, Wellington, Carlos Bezerra, Gilmar Fabris, et caterva, continuarão, provavelmente, a cantar de galo para o eleitorado mato-grossense.

Poxa, políticos novatos como Alan Kardec e o Procurador Mauro, não tem sequer a coragem de ocuparem a tribuna da Assembleia ou os caixotes, no meio da rua, para cogitarem um caminho que seja para a massa que bate cabeça em meio às calorentas ruas de Cuiabá. Enquanto esses se calam e o Carlos Abicalil e o Archimedes Pereira Lima Neto não dão as caras e o Ademar Adams se mostra estafado para entrar nesse jogo, imagino que todos aqueles deputados que apareceram embolsando a grana corrupta do Silval estão pensando em novas candidaturas e novas ilusões para cima da população.

O Everton Pop, processado sob a acusação de embolsar a grana de seus próprios servidores de seu gabinete, na Câmara de Cuiabá, com apoio da Band, já se assanha para um possível retorno. Antero, aquele da mala de dinheiro que teria sido repassada por ele, Dante e Riva pro Manoel do Presidente, também está por aí, dando uma de salvador da pátria. Que porcaria de renovação é essa?

 

ENOCK CAVALCANTI, jornalista e blogueiro, é editor de Cultura do Diário

 

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ENTENDA O CASO

Judiciário / ACUSAÇÃO ACEITA

09.06.2017 | 12h06

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Ex-vereador teria exigido parte de salários e contratado “fantasma”

Juiz Luís Aparecido Bortolussi Júnior aceitou acusação contra Pop feita pelo Ministério Público Estadual

 

O ex-vereador e apresentador Everton Pop, que passa a responder por ação na Justiça

THAIZA ASSUNÇÃO DA REDAÇÃO MIDIA NEWS

O juiz Luís Aparecido Bortolussi Júnior, da Vara Especializada Ação Civil Pública e Ação Popular, acatou a acusação do Ministério Público Estadual (MPE) contra o ex-vereador de Cuiabá e apresentador Everton Pop, por improbidade administrativa.

 

O MPE acusa o ex-vereador de ter nomeado assessores parlamentares, durante seu mandato, 2008 e 2012, mas exigia que a maioria deles prestassem serviços particulares em seu programa Cidade 40º, na TV Cidade Verde (Band), remunerando-os com recursos do Legislativo.

 

Ele também é acusado de contratar funcionário “fantasma” exigir que alguns dos então assessores repassassem parte dos seus salários para  pagar outras pessoas que, também, prestavam serviços particulares ao programa televisivo.

Com a decisão do juiz, publicada na última segunda-feira (5), o apresentador passa a ser réu da ação proposta pelo MPE, que pede que ele seja condenado às sanções civis e políticas disciplinadas pela Lei de Improbidade Administrativa, além de ressarcimento ao erário.

A Sra. Larissa Mineyah de Lima Pereira alegou perante a Justiça Trabalhista ter o requerido nomeado funcionários fantasmas e, se utilizado de seus assessores em atividades pessoais, em especial, o auxiliando no programa televisivo por ele apresentado

 

Na petição, o MPE detalhou que alguns dos ex-funcionários ajuizaram ações trabalhistas contra o ex-vereador por desvio de finalidade.

 

Uma das funcionárias alega na ação que, além de ordenar que seus assessores realizassem serviços na TV, Pop também fez nomeação de servidor “fantasma”.

“A Sra. Larissa Mineyah de Lima Pereira alegou perante a Justiça Trabalhista ter o requerido nomeado funcionários fantasmas e, se utilizado de seus assessores parlamentares em atividades pessoais, em especial, o auxiliando no programa televisivo por ele apresentado”, diz trecho da denúncia.

 

Na ação, ainda segundo o Ministério Público Estadual, a mulher ressalta que o ex-vereador também exigia a devolução de parte de seus salários para  pagar despesas relacionadas ao “Cidade 40º”.

“A ex-assessora parlamentar asseverou, ainda, que os integrantes da equipe parlamentar do requerido que auferiam remuneração mais alta realizavam repasses de parte do salário para outros colaboradores do apresentador, que não haviam sido nomeados pela Câmara de Vereadores, e que um dos assessores nomeados pelo requerido na Câmara Municipal, de nome Jean, morava em outro Estado, todavia, tinha deixado o seu cartão com o cunhado (Wander), para que este realizasse o repasse de valores do subsídio aos demais assessores”, diz outro trecho da ação.

De acordo com o MPE, a ex-funcionária Rosanery Dorneles Vasconcelos teria afirmado, perante a Justiça do Trabalho, que repassava, a mando de Everton Pop, mensalmente, a quantia de R$ 760,00 de seu salário para Fábio Henrique Beccari Ribeiro.

luis bortolussi 2017

O juiz Luís Aparecido Bortolussi Júnior, que aceitou acusação contra Everton Pop

“Rosanery Dorneles Vasconcelos teria afirmado que a equipe do requerido era composta por catorze pessoas, sendo que dez recebiam pela Câmara Municipal e os demais recebiam valores originados de repasses daqueles assessores que eram efetivamente nomeados, e que devolviam parte da respectiva remuneração, de modo que, direta ou indiretamente, os assessores do requerido recebiam verbas da Câmara Municipal. A ex-funcionária, além do mais, apontou a existência de pessoa que havia sido nomeada e morava em outro Estado da Federação, percebendo, ainda assim, valores dos cofres públicos municipais”, diz outro trecho da denúncia.

 

A decisão

 

Na decisão, o juiz Luís Aparecido Bortolussi Júnior afirmou que os autos apontam diversos indícios de que o ex-vereador utilizou de servidores nomeados como seus assessores para serviços particulares.

 

O magistrado cita, como exemplo, as ações ajuizadas pelos ex-funcionários na Justiça do Trabalho

“Dentre os documentos acostados à inicial, extraem-se os indícios suficientes ao recebimento da inicial em face do réu Françoilson Everton Pop Almeida da Cunha, sobretudo, das Atas de Audiências da Justiça do Trabalho de fls. 41/48 e 86/93 (Larissa Mineyah de Lima Pereira) fls. 65/85 (Luciano Henrique de Lima Pereira) e fls. 94/97 (Wander Cleison Padilha Lino), da Sentença proferida no processo ajuizado na Justiça laboral por Wander Cleison Padilha Lino (fls. 268/272 e 275/279), dos documentos alusivos à referida ação reparatória ajuizada pela Sra. Rosanery Dorneles Vasconcelos perante esta Justiça Comum (fls. 311 e ss.) e dos Termos de Declarações prestadas perante o Ministério Público Estadual pelos cidadãos Armstronge D. B. S. Garcia, Clebio Rosa Borges, José Renato Santos de Oliveira e Rosanery Dorneles Vasconcelos (fls. 463/464)”.

“Além do mais, aparentemente, os fatos apurados nas reclamações trabalhistas ajuizadas, em face de Françoilson Everton Pop Almeida da Cunha e do Município de Cuiabá, apontam não apenas para a suposta utilização indevida pelo requerido de mão de obra pública para fins particulares, com provável desvio de finalidade, como para a nomeação e remuneração de servidor público fantasma, além da exigência de que alguns dos cidadãos nomeados assessores parlamentares repassassem parte de seus respectivos subsídios, para a complementação da remuneração paga a pessoas que, também, prestavam serviços particulares no programa televisivo “Cidade 40º”.

Os documentos, segundo o juiz, decaem para probabilidade da prática de atos de improbidade administrativa, “o que logicamente será devidamente apurado mediante ampla defesa e com observância estrita ao contraditório, durante a instrução processual regular”.

 

Na decisão, o magistrado deu prazo de 15 dias para o ex-vereador se manifestar.

 

O juiz também determinou o ingresso do Município de Cuiabá no polo ativo da ação, uma vez que é citado nas ações judiciais.

 

Outro lado

A reportagem tentou contato com o apresentador diversas vezes, por meio de seu telefone celular, mas as ligações não foram atendidas.

 

A produção de seu programa, na TV Cidade Verde, disse que somente ele poderia falar sobre o assunto, por se tratar de questão particular.

 

 

 
 FONTE MIDIA NEWS
Categorias:Cidadania

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