gonçalves cordeiro

ENOCK CAVALCANTI: Essa onda de corrupção começou com Dante e Antero que apadrinharam Riva

Divulgo aqui, inteiro teor de artigo de minha autoria que circula, nesta quinta, na edição impressa do Diário de Cuiabá:

 

Começou com Dante

por Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos: de repente, se percebe que tem mídia de menos para tanta corrupção revelada pelo garimpeiro Silval. O cidadão mais consciente tem que comprar os dois jornais, acessar todos os sites, se integrar em número infinito de grupos de WhatsApp para conseguir um mínimo de entendimento sobre o que aconteceu, na gestão passada, em Mato Grosso.

Velhos vícios e políticos viciados são expostos em toda a sua sordidez. Nomes sempre comuns nas denúncias, como Gilmar Fabris, Sérgio Ricardo, agora aparecem ao lado de debutantes como Luciane Bezerra. Você se espanta – e percebe que sabe muito pouco do que realmente aconteceu.

O governador Zé Pedro Taques quando fala de corrupção, gosta muito de limitar o espaço temporal. E só aponta seu dedo duro para Silval, como se toda a bandalheira deste Estado fosse responsabilidade única do afoito garimpeiro. Mas qual! O garimpeiro, no final das contas, até que está sendo legal, contando tanto – e muita coisa documentada por vídeos reveladores. Como é que Emanuel e Alexandre César irão desmentir a força daquelas imagens?

O desafio é levar a apuração até o fim. Pra começar, é preciso superar a limitação que Zé Pedro tenta impor aos fatos. Que Silval que nada, começou bem antes! Na administração do parceiro do Zé Pedro, Blairo Maggi, a maracutaia andou solta, e o sojicultor passará o resto da vida se explicando na Justiça sobre a grana que teria jorrado em seus bolsos e de seus parceiros.

Éder Moraes é criatura de Maggi, mas a gente deve lembrar que José Riva iniciou sua carreira quando Dante de Oliveira e Antero mandavam e desmandavam. Se Sérgio Ricardo comprou sua vaga, se a Mesa da Assembleia tinha sempre um preço, o que será que se descobrirá se tivermos a coragem de investigar como Dante e Antero orientavam suas nomeações? E Jayme Campos? Dona Thelma parece que não perdeu o jeito, e surge agora apontada como mulher de garganta profunda na hora da propina. E tudo que Palmério Dória revelou sobre o possível enriquecimento do Homem das Diretas e seus familiares, jamais foi contestado.

E por que não recordar a ação popular que Chico Daltro impetrou contra Riva, Antero, Bosaipo e Dante, cobrando a devolução do dinheiro do antigo Bemat que teria ido irrigar campanha do Manoel do Presidente a prefeito de Tangará?

Não, não, Zé Pedro Taques! A coisa não começa com Silval. Tenha a coragem de percorrer conosco todo o caminho. E iremos chegar ao governador que era chamado Dom Ratão – e continuar avançando…

 

ENOCK CAVALCANTI jornalista e blogueiro, é editor de Cultura do Diário

Categorias:Cidadania

2 Comentários

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  1. - Responder

    Pelo visto,vce está querendo desviar o foco sobre as delações do Silval.O que tem de ver o cú com as calças,nunca se viu tal estado de degradação na política de MT,e vce vem falar de Dante et caterva?,Veja bem seu desviado:os governos Maggi e Silval,foram sem nenhuma dúvida os mais corruptos da história recente do Brasil.Se porventura outros roubaram e o fizeram com certeza,é troco comparado com o que se viu em MT nos mandatos destes cleptomaníacos.E vem vce falar do passado só para cutucar o Pedro.Foi o Pedro quem quebrou as pernas do Comendador e da turma do Dante,quando vce não tinha publicado uma linha siquer contra o poder do Arcanjo ,que dominava os 3 poderes de MT.Vce se acovardou,Pedro e o Zaque,enfrentaram os bandidos perigosos,com destemor e coragem.

  2. - Responder

    Historicamente, perfeito. Objetiva e juridicamente falando: prescrito e despropositado. O Governador pode até fazer um jogo de cena e apontar o dedo para seus dois últimos antecessores, mas ele, como ninguém, sabe dos esquemas criminosos – praticados dentro e fora do poder público, ou por intermédio deste – nos idos dos anos 1990 (mais precisamente de 1994 a 2002). A matéria publicada vale como registro histórico, mas seu único efeito concreto é “acender vela prá difunto já enterrado e carcomido pelo tempo”. Voltar no tempo pode até nos ajudar a entender o todo, mas gastar o tempo de forma objetiva com aquilo que ainda pode ser alcançado pelo manto da lei é dever de todo o cidadão de bom senso que deseja mudar e melhorar o atual estado de coisas. Afinal de contas, esquemas, maracutaias, troca de favores, indicações políticas, retornos financeiros a governantes em decorrência de conchavos contra o patrimônio público são ações e atitudes que remontam à Grécia Antiga, aliás, dizem os religiosos, existe desde o Éden.

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