gonçalves cordeiro

ENOCK CAVALCANTI: Emanuel parece ter uma cabeça gastadora. Daí a decisão de criar secretaria “especial” para os festejos dos 300 anos, escanteando Chico Vuolo.

Republico, abaixo, integra do artigo de minha autoria que circula na edição impressa desta quarta-feira, do jornal Diário de Cuiabá, versando sobre a polêmica dos 300 anos de Cuiabá:


Emanuel, Vuolo e a sinecura
POR ENOCK CAVALCANTI

Meus amigos, meus inimigos: a expectativa de muita gente, na capital, era que o novo secretário de Cultura, Francisco Vuolo, sujeito acima de qualquer suspeita e recebido com entusiasmo pela comunidade cultural, concentrasse a organização dos festejos pelos 300 anos de Cuiabá.

Imaginava-se que, na Prefeitura, fosse se juntar o Vuolo com mais alguns que já estão lá, sob contrato, e se tocaria o barco, convocando-se também algumas personalidades e voluntários, como a primeira-dama Márcia Pinheiro.

Um crossover deveria ser armado com o Governo do Estado e entidades tais como CDL, Academia de Letras, UFMT, padres, freiras, espíritas. Nas redes sociais, o incansável Eduardo Mahon já mostrou que é possível reunir pessoas e motivá-las para realizarem em favor dos 300 anos de Cuiabá, sem ter que se recorrer a qualquer sinecura.

Mas qual! O Emanuel Pinheiro parece ter outras prioridades e uma cabeça gastadora. Daí esta vergonhosa e constrangedora decisão do prefeito de criar uma secretaria “especial” para cuidar dos festejos, escanteando Chico Vuolo.

Como se Cuiabá já não tivesse secretarias demais, e gente demais dependurada nos tradicionais cabides da Municipalidade. Apesar dos discursos sobre a crise, dos anunciados cortes de despesas, da propalada redução do tamanho da máquina, que todo político faz, Emanuel não teve pudor em criar mais essa custosa boquinha.

O novo cabidão do Emanuel, vejam só, vai ofertar nada menos que 16 cargos, com salários que vão de R$ 3.991,35 a R$ 12.916,96, somando um desperdício anual de R$ 1,2 milhão dos contribuintes. Vejam que a nova sinecura terá um secretário, mamando R$ 12.916,96 e um diretor de Planejamento Estratégico, mamando R$ 10.847,58. E por aí vai a sangria. Também cuidará, é claro, dos contratos e licitações relativos às comemorações que se planeja.

Já pensou esse dinheiro colocado, desde já, nas mãos do Vuolo para que ele fosse tocando os projetos que certamente tem na cabeça?

Registre-se que, na Câmara dos Vereadores, Felipe Wellaton, Gilberto Figueiredo e Marcelo Bussiki reagiram contra esta secretaria tão dispensável, que de especial não tem nada. Será que esses vereadores ainda conseguirão desmontar este esquema? Torçamos.

Enock Cavalcanti, jornalista e blogueiro, é editor de Cultura do Diário

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