ENOCK CAVALCANTI: Eleição em Cuiabá ainda é uma grande incógnita

Enock Cavalcanti

Eleição em Cuiabá ainda é uma incógnita

Por Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos: permitam-me dizer que a esses meus olhos vesgos, a disputa eleitoral em Cuiabá ainda é um rascunho. Já temos alguns traços, alguns rabiscos, algumas canetadas, mas está tudo muito indefinido. Tem que ficar de olho e acompanhar os desdobramentos da conjuntura, a cada dia.

A indefinição começa por Emanuel Pinheiro, até hoje embaraçado com a denúncia do paletó. Há pressões da família para que ele não se candidate à reeleição, que se guarde para as eleições de 2022 e invista agora, novamente, na carreira do filho que, bem arquitetada, pode até conduzir o garoto à Prefeitura de Várzea Grande, em já desenhada articulação com a família Campos.

Se Eduardo Botelho pensasse menos nos seus negócios e mais na política partidária, o caso já estaria bem encaminhado, como articularam alguns dos estrategistas do Emanuel e dos Campos: Emanuelzinho lá em VG, compromissado com o legado da família Campos e Eduardo Botelho candidato aqui em Cuiabá, compromissado com o legado de Emanuel Pinheiro. Mas deus não escreve torto nem por linhas retas, e o trabalho cotidiano da política é uma tarefa para políticos que não parem de atuar e não fiquem olhando para o céu, em busca de milagre que certamente não virá.

Botelho não aceitou a combinação. Emanuel ficou, então, diante de um DEM rebelado, onde domina a raiva ocasional que Mauro Mendes agora tem dele. Mauro não quer se submeter ao Emanuel. Não quer ficar menor do que o Emanuel. Mauro tem um ego enorme e é daqueles políticos que parece pensar e tramar sempre no curto prazo. Então, não quer o DEM apoiando Emanuel porque dessa forma o que apareceria para o eleitorado seria ele, Mauro, se curvando aos designíos de Emanuel Pinheiro que teria assim sua estrada pavimentada para, mais adiante, sonhar também com o Governo do Estado ou o Senado Federal. E viraria o chefe mais provável da política contemporânea de Mato Grosso, agora que Carlos Bezerra e Julinho Campos já estão prestes a vestir seus fraldões.

Emanuel gostaria de ter o apoio do DEM e demais partidos satélites e enfrentar, apenas, em 2020, um candidato da esquerda, que seria o Julier, ou o maestro Fabrício, ou a Gisela Simona ou, o que seria mais assustador, o deputado Lúdio Cabral.

Emanuel gostaria de ter o centro e a direita e até parte da centro esquerda no seu palanque, mas é claro que uma coligação desse tamanho só como sonho de uma noite de verão.

Emanuel é uma incógnita. Está pronto para disputar, tem a seu favor uma administração que soube pingar pequenas benesses por todos os cantos da cidade. Tem a seu favor uma amarração que reúne em torno dele nada menos que 13 partidos, de maior ou menor poder de fogo. Mas Emanuel talvez tenha dentro de casa a esposa, Márcia Pinheiro, funcionando como uma espécie de corvo de Edgar Allan Poe: Never more, never more…

 

Lúdio Cabral é praticamente uma carta fora do baralho, a não ser que Lula saia da prisão e vdnha até Cuiabá bater na sua porta. Gisela é uma incógnita, que já começa a nos dar esperança de que preferirá disputar pela centro esquerda, desconsiderando o canto da sereia de Mauro Mendes.

Quando Mauro Mendes entregou o Procon a Gisela, foi certamente pensando em ter uma Gisela pra chamar de sua, mas as coisas na política não são tão simples assim como às vezes imagina o garimpeiro Mauro.

A onda Bolsonaro passou mas quem é que sabe a força com que a direita xucra conta em Cuiabá?! É tanta gente praguejando contra viado, atropelando pobres nas madrugadas, preservando seus preconceitos recônditos contra negros, nordestinos, trabalhadores, imigrantes e miseráveis de uma maneira geral, que ainda se teme que os zumbis bolsonaristas ainda possam pontificar expressivamente nas urnas cuiabanas, em torno das candidaturas que Zé Medeiros, Selma Arruda, Nelson Barbudo e Wilson Kero-Kero forem capazes de articular. E Niuan Ribeiro já está a postos para ser o walking dead da hora.

Mas existe também, nessa raia, a figura surpreendente do vereador Abílio Jr, um bolsonarista que até me agrada quando se põe a defender o estrito cumprimento da Lei.

Abilio Jr é outra incógnita. Gilberto Figueiredo é outra incógnita.

Felipe Wellaton é outra incógnita. Fábio Garcia é outra incógnita.

O pastor Victório Galli é outra incógnita. O partido Novo é outra incógnita. Não dá pra ler o futuro a partir desses dados ainda tão incompletos.

Wellaton ensaia passos à esquerda, mas ele tem essa ingenuidade de achar que o partido de Roberto Freire ainda tem algo haver com uma luta por cidadania que sonhara Graciliano Ramos e Jorge Amado.

Nesse time à direita, a única coisa que se sabe é que o vereador Dilemário Alencar se converteu, tristemente, à ideologia mais retrógada e deve andar atirando dardos na fotografia do presidente Lula.

O presidente Lula , falar nele, se voltar de fato, como se prevê, vai dar uma sacudidela pra valer no cenário político. Isso tem que ser considerado. Como deve ser considerada a sobrevida que Bolsonaro conseguiu até aqui. O capetão não se autodestruiu em seis meses, como alguns previam.

Ainda há muito jogo pra ser jogado.

Eleitor, cidadão, contribuinte, tem que ficar atento para não comprar gato por lebre, como aconteceu em 2018, na eleição do capetão Bolsonaro.

Considerações deste blogueiro que as faz apenas para provocar outras considerações. É importante debater. Debater na pré-campanha, durante a campanha e depois da campanha, indefinidamente. Na verdade, a grande incógnita para todos nós é a própria vida, que a gente nunca sabe como vai acabar agora que a pós-modernidade segue a nos negar o Paraíso Perdido…

Enock Cavalcanti jornalista é editor da PAGINA DO E

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