ENOCK CAVALCANTI e as lágrimas do sindicalista Oscarlino Alves. Por que Zé Pedro Taques não negocia RGA com servidores?

 

Divulgo, abaixo, inteiro teor de artigo de minha autoria divulgado, nesta quarta-feira, na edição impressa do jornal Diário de Cuiabá.

 

As lágrimas do Oscarlino

Por Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos: o governador Zé Pedro Taques, mesmo antes de assumir, anunciava que iria comandar, em Mato Grosso, o governo mais transparente e democrático que jamais se vira nesta terra. Mas parece que essa promessa azedou. Estamos diante de nova negociação do Reajuste Geral Anual e vejam que o Zé Pedro cometeu a indelicadeza de não sentar para negociar, previamente, com os principais interessados neste reajuste que são os servidores estaduais. Ele age como uma espécie de doutor sabe tudo, querendo impedir que o contraditório à sua visão da economia do Estado se manifeste.

Durante a passeata desta segunda, no Centro Político Administrativo, eu vi, mais uma vez, o sindicalista Oscarlino Alves, atual coordenador do Fórum Sindical, se emocionar e ameaçar ir às lágrimas, quando do alto do carro de som dialogava com as centenas de servidores que se concentravam na Praça das Bandeiras.

Vejam que o Oscarlino só reclamava disso: por que o Zé Pedro, antes de reunir secretários e deputados, para anunciar sua proposta de RGA, não convidou as lideranças sindicais para um papo? Um papo com cafezinho, guaraná ralado, e quem sabe algum tira-gosto. Um papo onde pudesse detalhar as bases da proposta apresentada pelo Governo e que, mais uma vez, aponta para o parcelamento da reposição?

Zé Pedro Taques tem medo de que? Transparência se faz, fundamentalmente, com diálogo. Um governo que não dialoga com uma de suas mais importantes bases sociais, que são os servidores públicos, trafega na contramão.

Todos vimos o desastre que foi, para o governo, a negociação da RGA, no ano passado. Um desastre que, todavia, não foi marcado por esta indelicadeza inicial. Sim, no ano passado, lembro que o digno professor Paulo Brustolin, que então ocupava a pasta da Fazenda, teve oportunidade de conversar previamente com os servidores. E, na semana passada, o próprio secretário de Gestão, Júlio Modesto, que se encontrou com o Fórum Sindical, sinalizou a possibilidade de que se possa avançar na proposta que o governador verbalizou para secretários e parlamentares. Então, por que a proposta foi anunciada desta forma?

O governador tenta fazer da proposta um fato consumado e o que se vê é que até o vereador cuiabano Ezequiel Nascimento, o PM que era um dos maiores puxa-sacos do governo do PSDB e inimigo mortal das associações dos militares, já estava lá na segunda-feira, trepado no carro de som do Fórum Sindical, abraçado com o coronel Wanderson Nunes e com o sargento Joelson, vituperando contra quem defende o pagamento parcelado.

Zé Pedro, em alguns momentos, se comporta como um cabeça dura. Há que ter humildade para ouvir o outro lado, já que ele não é apenas governador do PSDB e de seus apaniguados, mas o governador de todos os mato-grossenses. E entre esses mato-grossenses estão mais de 100 mil servidores que precisam ser tratados com respeito e cortesia.

ENOCK CAVALCANTI, jornalista e blogueiro, é editor de Cultura do Diário

Categorias:Cidadania

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