Enock Cavalcanti e a indignação meia-bomba de Antônio Joaquim diante dos boatos de que vaga de conselheiro do Tribunal de Contas estaria sendo leiloada, atualmente, por R$ 6 milhões

Maggi e Antônio Joaquim

Antônio Joaquim e os 6 milhões
Por Enock Cavalcanti

Meus amigos e inimigos: as atividades do Tribunal de Contas de MT continuam sendo alvos de especulações sem fim. E essas atividades, por mais que o Tribunal faça para valorizar sua atuação, continuam a ser vistas, por muitos, como indecorosas.
Vejam que, recentemente, o jornalista Mauro Camargo, antigo homem forte do jornal A Gazeta e atual titular do HiperNotícias, divulgou que estaria em curso nova negociata envolvendo a compra de vaga no TCE por uma nota preta: R$ 6 milhões, em dinheiro vivo.
Sim, depois da negociata dos 4 milhões, que teria envolvido Sérgio Ricardo, Alencar Soares, Maggi, Riva e outros graúdos deste pobre MT, segundo investigação do MP, agora se fala em nova negociata, já devidamente inflacionada, de 4 para 6 milhões! E tudo nas barbas da Justiça, no MP, de uma população embasbacada.

Mas vejam que o Mauro divulgou o boato, confirmado pelo deputado José Domingos Fraga (PSD-MT), um dos interessados na boquinha, e o TCE, atualmente comandado pelo conselheiro Antônio Joaquim, teria reagido indignado.
Confesso que fiquei imaginando se o presidente do TCE acionaria a Polícia contra o Mauro Camargo, como já fez contra jornalistas que ousaram divulgar lances de suas disputas com o médico Alonso Alves. Mas o Joaquim não chamou os meganhas nem convocou coletiva, nem pôs a cara na janela. Preferiu falar através de interposta pessoa. A indignação meia bomba veio pela assessoria de imprensa, onde pontifica o jornalista Américo Corrêa. Na nota, Joaquim afirma que “repudia e rechaça com veemência o assunto divulgado (…), inclusive citado como fruto de boataria, de que estaria em curso abjeta e espúria negociação por vaga de conselheiro de contas. Esclarece que a informação é descabida, absurda e totalmente fora de propósito”.
E disse mais, pela boca do Américo: “Esse ultraje propalado prejudica sensivelmente a imagem e todo o esforço empreendido pelo TCE-MT em busca do fortalecimento institucional, ao qual todos os seus membros estão compromissados e engajados”.
Confesso que fiquei com a pulga atrás da orelha. Que compromisso é esse e que fortalecimento institucional é esse que o Joaquim garante que está sendo trabalhado?
Afinal de contas, depois dos escândalos recentes, quais foram as providências moralizadoras adotadas no TCE com relação com a corrupção falada do Humberto Bosaipo, do Sérgio Ricardo, do Alencar Soares? Será que o Joaquim pode citar uma providência sequer que tenha sido adotada por aquela Corte para botar esses casos em pratos limpos? Com tantos auditores, tantos experts, tantos X-9, por que não nos dizem quem, de fato, corrompeu quem? As investigações sobre a compra de vaga, na Era Maggi, estão aí, e o que fazem Joaquim e demais conselheiros para o esclarecimento dos fatos e a fixação das responsabilidades?
Antônio Joaquim se disse ultrajado pelos boatos que o Mauro Camargo, afastado do poder em A Gazeta, agora estaria espalhando como blogueiro. Mauro replicou que
“ultrajante é a utilização política, eleitoral e partidária da Corte de Contas”, querendo falar, obviamente da candidatura política que o conselheiro Joaquim anuncia para si mesmo, assim que se aposentar do TCE, caso se aposente de fato.
Sim, diante dos olhos cegos da Justiça Eleitoral, essa candidatura do Antônio Joaquim pode acabar se transformando em novo escândalo no TCE.


Enock Cavalcanti, jornalista e blogueiro, é editor de Cultura do Diário

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