Encontro estrelado por Zé Dirceu, em Cuiabá, é bem vindo e demonstra que força do PT nasce do intenso e permanente debate interno

Esta Página do E saúda a realização de mais um encontro da tendência Construindo um Novo Brasil, que acontecerá em Cuiabá, na tarde deste sábado. A força do PT nasce da força de suas tendências. É um encontro fechado, como se diz, ao qual apenas os militantes desta corrente petista terão acesso e a principal atração será, certamente, a análise de conjuntura a ser apresentada por lideranças nacionais do PT como José Dirceu (foto) e o atual ministro da Previdência José Pimentel. Só que a corrente CNB não é só José Dirceu – ela é comporta por muitos e valorosos companheiros, aqui e em todo o Brasil, que contribuem, cotidianamente, no processo de construção do PT.

Eu tenho criticado José Dirceu sob muitos aspectos. Entendo que o PT falhou, e falhou seriamente, ao não convocar Dirceu e demais implicados no chamado escandalo do mensalão para se defenderem junto à Comissão de Etica. Ao não permitirem a atuação da Comissão de Ética, neste caso, o CNB, por se tratar de um grupo hegemônico dentro do PT, cometeu um sério atentado contra a democracia interna do partido. Tanto é que o julgamento de Dirceu e dos mensaleiros hoje se dá na mídia, no STF, etc, sem que o partido tenha, didaticamente, apreciado o problema e estabelecido, para o conjunto de sua militância, as lições que episódio nos trouxe.

Como não houve uma preocupação orgânica em aprender com a crise do mensalão, capacitando-se assim o partido para novos desafios, este aprendizado vai se dando por vias tortas – e as vias tortas acabam se transformando em vias retas, e o fato é que a discussão sobre as crises, as vitórias, as quedas e retomadas do processo de construção do PT acabam por envolver o conjunto da sociedade brasileira, com exposição continuada na mídia, o que não deixa de ser uma coisa alvissareira.

A tendência CNB se reúne hoje, a tendência Articulação de Esquerda se reúne em breve, assim como a Utopia e Vida já planeja um encontro para o próximo sábado. São reuniões que demonstram que o PT está mais vivo do que nunca, falando de si, para si e dando muito o que falar.

Eu fico torcendo para que a reunião do CNB, neste sábado, represente um momento de aguda autocrítica, seja sobre os episódios lastimáveis como o mensalão e o dossiê dos aloprados, seja, de uma forma mais geral, sobre os rumos do governo petista do presidente Lula que, levado por uma tônica de conciliação, passou a priorizar a relação com os chamados partidos da base do que uma relação mais aprofundada com o próprio Partido dos Trabalhadores.
 

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