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Empresário Salim Rahal denuncia deputado Emanuel Pinheiro por tentativa de calote. Além de não pagar, parlamentar teria dado como garantia da dívida, 2 quilos de esmeraldas falsas. Emanuel se diz vítima de difamação, mas seu advogado reconhece a dívida

Há muitos e muitos anos atrás, o deputado Emanuel Pinheiro (PR) e o empresário Salim Kalim Rahal, com atuação no setor imobiliário (no Grupo Cedro, de Arquitetura e Construção, com sede no bairro Santa Rosa, em Cuiabá), eram amigos bem chegados. Tão chegados que foi em nome dessa amizade que Salim emprestou para Emanuel R$ 70 mil reais, no longínquo ano de 1971. Só que o tempo passou e Emanuel, segundo Salim, não apareceu para pagá-lo. O empresário foi, então, cobrá-lo. Recebeu como garantia um pacote com dois quilos de pedras verdes que seriam valiosas esmeraldas – e alongou o prazo para que Emanuel Pinheiro devolvesse o dinheiro que recebera. O tempo continuou rolando e Salim resolveu vender as esmeraldas para reaver parte do dinheiro. Só que, ao tentar revendê-las, foi informado, por um especialista, que ali não estavam esmeraldas mas pedras de berilo – também verdes mas de valor bem menor.  Esse engodo que teria sofrido, foi o bastante para que Salim contratasse o advogado Hélcio Corrêa Gomes e iniciasse cobrança judicial contra seu ex-amigo Emanuel Pinheiro, numa demanda que, segundo informa o empresário, foi pacificada, recentemente, pelo Superior Tribunal de Justiça que reconheceu o direito de Salim cobrar de Emanuel Pinheiro a quantia (corrigida monetariamente) de mais de R$ 600 mil reais. Salim, através do advogado Hélcio Correa Gomes, iniciou, então, o processo de execução. Só que Emanuel Pinheiro insiste, segundo Hélcio, em não pagar, naquilo que caracteriza como uma tentativa de calote. Salim levou suas queixas à imprensa, a noticia explodiu inicialmente no Midia Jur que, ouvindo o deputado Emanuel Pinheiro, soube que o parlamentar considera que está sendo difamado por Salim Rahal. À TV Centro América, na tarde desta segunda-feira, Emanuel teria se negado a comentar o fato. O advogado de Emanuel, Marcos Brito, todavia, contrariou a versão do seu cliente, reconhecendo a dívida mas alegando que existe uma negociação para viabilizar o seu pagamento, já que não haveria concordância com relação ao valor a ser pago.  "Não estamos difamando ninguém, só estamos querendo receber um direito que já foi garantido pela Justiça", argumenta o advogado Helcio Corrêa Gomes, que representa Salim Rahal nesta briga judicial marcada por grande desgaste, de parte a parte. Confira, abaixo, a matéria divulgada pelo Midia Jur.

Deputado Emanuel Pinheiro é condenado a pagar dívida contraída em 1991

STJ mantém condenação e republicano está sendo executado em mais de R$ 600 mil; parlamentar confessa empréstimo, mas diz que juros são fora de negociação

ISA SOUZA
DO MIDIAJUR

Deputado estadual diz que juros cobrados pelo dono da dívida são exorbitantes, mas que espera negociação

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve uma condenação contra o deputado estadual Emanuel Pinheiro (PR), que deverá pagar R$ 611.408,90 ao empresário Salim Kamil Abou Rahal, por uma dívida contraída em 1991. A sentença transitada em julgado já está em fase de execução.

Conforme Salim, que é do ramo da construção civil em Cuiabá, o parlamentar pegou emprestado, à época, o correspondente a R$ 70 mil, sem informar porque precisava do dinheiro. O valor foi obtido pelo empresário através de um empréstimo bancário.

Salim ressaltou que emprestou o valor a Emanuel devido à amizade, de pelo menos três anos, que ambos mantinham. Além disso, como garantia, ele afirma que recebeu do parlamentar aproximadamente 2 quilos de esmeraldas. Segundo ele, o deputado confirmou, por meio de documentos, que as jóias eram originais.

Devido ao aumento volumoso da dívida, por conta dos juros bancários, em 1997, Salim afirma que procurou Emanuel. Segundo ele, o parlamentar teria se negado a devolver o dinheiro. As pedras que eram apenas uma garantia acabaram se transformando no pagamento.

Porém, ao tentar vendê-las para quitar o empréstimo, o empresário descobriu que as esmeraldas "eram falsas", segundo suas palavras.

“Eu acreditei que eram originais… Como não acreditar? Levei a um perito e ele me disse que, como são resíduos de esmeralda, chamados também de berilo, o quilo deveria custar uns R$ 2 mil, ou até menos. Fiquei surpreso, tive que realizar outros empréstimos para pagar a dívida”, disse.

Segundo Salim, para quitar a dívida foram pagos R$ 100 mil em dinheiro e mais uma fazenda. Atualizado para hoje, o empresário acredita que o montante da dívida, com juros, chegaria a quase R$ 1 milhão.

Devido ao primeiro empréstimo, Salim afirmou que nunca mais conseguiu reerguer seu negócio.

“Devo ter perdido ao menos 80% do que minha empresa, que é de médio porte, chegou a ser um dia. Hoje meu nome está sujo na praça e não consigo mais melhorar os negócios. Confiei no Emanuel e a última e única forma que encontrei de reaver o valor foi na Justiça. Sei que a condenação ainda é pouca perante todo o prejuízo, mas ao menos é um recomeço”, disse.

SEM SAÍDA

O advogado de Salim, Hélcio Corrêa Gomes, informou que há algumas semanas oficiais de Justiça foram até a casa de Emanuel para avaliar os bens do parlamentar, para que a dívida possa ser sanada.

“O grande problema é que, pelo que foi verificado até o momento, não consta quase nada no nome de Emanuel. Os bens estão em nome de parentes ou terceiros”, disse o advogado.

Hélcio também lembrou que a ação é transitada em julgado, e não tem mais como o político recorrer.

“Não há mais saída. Nós ganhamos em primeira instância, perdemos em segunda, recorremos e ganhamos. Em seguida, fomos ao STJ, onde também obtivemos decisão favorável”, afirmou.

O advogado informou que, pela ação de cobrança estar em fase de execução, cabe apenas aguardar. “Não há como tomar nenhuma atitude jurídica agora”.

OUTRO LADO

Por telefone, o deputado estadual Emanuel Pinheiro, que negou a versão apresentada pelo empresário.

Conforme o parlamentar, ele estaria sendo "difamado". “A gente já entrou já Justiça com outra ação de calúnia, injúria e difamação. Isso é uma difamação. É coisa de muito tempo atrás e o que ele quer é se aproveitar dessa situação para me extorquir”, disse.

Emanuel também negou que tenha dado pedras de esmeralda a Salim. “Nunca existiu isso, mas vamos esperar a decisão na Justiça”, concluiu.

O advogado de Emanuel, Marcos Brito, afirmou que de fato existe uma ação de execução, mas por conta dos juros “absurdos”, há a tentativa de um acordo extrajudicial.

Por outro lado, Brito negou a versão de Salim sobre o empréstimo e as joias. Conforme o advogado, o empresário trabalhava "quase como uma factoring", e emprestava dinheiro para auferir lucro.

Entre Salim e Emanuel, além das pedras preciosas, que eram comumente usadas como forma de caução, teria havido cheques, um com o valor do empréstimo e outro em branco, como garantia.

“Não negamos que exista a dívida e, agora, a ação de execução, ela existe. Porém não concordamos com o valor que está sendo cobrado, que é abusivo. O deputado não nega a dívida, tanto que ela é pública e nos resta pagar”.

O advogado também ressaltou que um fato “estranho”, que faria com que a história contada por Salim não fizesse sentido, é o fato de o empresário ter demorado tanto tempo para recorrer à Justiça.

“Quem espera oito anos para entrar com uma ação de uma dívida que era de R$ 70 mil? De qualquer forma, queremos pagá-la de uma forma justa e correta. Porém, uma vez que está no Judiciário não justifica ir para a imprensa provocar o deputado a pagar”.

2 Comentários

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  1. - IP 187.24.100.47 - Responder

    Comprei minha casa do grupo CEDRO. Comprei e paguei, e recebi uma obra inacabada e promessas sem fim… Comprei, paguei e nao recebi.

    Vejam o quanto esse Salim é sujo.

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