Em meio ao batidão do cotidiano, SAÍTO segue encarando os questionamentos existenciais, e acreditando, como São Tomás de Aquino, que pelo dinheiro pode-se ter todas as coisas venais, mas não a sabedoria, que o dinheiro não consegue comprar

Saito, juiz em Mato Grosso, e São Tomas de Aquino, filósofo e teólogo italiano

Saito, juiz em Mato Grosso, e São Tomas de Aquino, filósofo e teólogo italiano

Do espinho à consolação
Por Gonçalo Antunes de Barros Neto – Saíto

Antes da filosofia, e mais especificamente da teologia, os deuses eram imortais, preocupando os devotos com a origem dos mesmos, a correspondência das divindades com a natureza, com o humano e com o que o circunda e permite viver.

Com a teologia, passam a ser eternos, portanto, sem origem e sem fim. De eternos, passou-se ao monoteísmo e, deste, para criador do que há, gerando a um dentre bilhões. No que se criou, atributos divinos não há, mas no que gerou, se igualou em essência e perfeição. Qual o sentido disso tudo? Por que se está aqui? A criatura é um fim em si mesmo ou responde a um propósito?

Ou tudo é ilusão (?), escapando dessa inquietação os ateus, portanto, menos predispostos a essa catarse. Respondendo se ‘a bem-aventurança do homem consiste nas riquezas?’, Tomás de Aquino adverte – ‘deve-se dizer que, pelo dinheiro pode-se ter todas as coisas venais, mas não as espirituais, que não podem ser vendidas.
Como prelecionou D. Paulo Evaristo Arns, ‘a sabedoria não nasce espontaneamente’
Donde dizer o livro dos Provérbios: Que adianta aos estultos possuírem riquezas, não podendo comprar sabedoria?’ (Suma Teológica, vol. III, Questão 2, Artigo 1)-. Se a bem-aventurança é um fim, e sabedores que não se começa pelo efeito, mas pela causa, esta é o que se pratica diariamente, com a vontade dirigida àquela. Até aqui, tudo coerente. O problema está na vontade, que é livre (livre arbítrio) para todos. Muitos não se lembrarão da advertência do Filho e cada qual depositará seus tesouros em lugares diferentes (e não no céu), guiados pela vontade (tomada aqui como necessidade), que nem sempre é coerente com os ditames da bem-aventurança (coisas espirituais).

São João diz no capítulo quarto: ‘Se alguém disser que ama a Deus, que não vê, e não ama seu irmão, que vê, é um mentiroso’. E alguém pode amar a riqueza e a seu irmão ao mesmo tempo, com a mesma intensidade? Se assim fosse, falar-se-ia em mais valia, em capital e trabalho, ou mesmo em incentivos fiscais? Sempre se deve desconfiar das intenções daqueles que arrotam simpatias pelo próximo, desde que seu pirão seja garantido primeiro.

A divisão do pirão vem antes, como causa, na prática de um ser virtuoso, e a liberdade não lhe tomará como mentira, mas como coerência com o ser criado para amar e servir. Sábio por fazer cumprir, pela própria natureza dada, a perfeição como atributo Daquele que foi gerado, qual exemplo para quem dela, busca.

Como prelecionou D. Paulo Evaristo Arns, ‘a sabedoria não nasce espontaneamente. Ela vai crescendo, como uma planta, e muitas vezes se transforma em árvore frutífera de grande utilidade para o ser humano e para os que se relacionam com ele’ (Da Esperança à Utopia). Faz parte das coisas espirituais, é bem-aventurança, o dinheiro não a pode comprar. É por aí…

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO é juiz de Direito e professoe em Cuiabá, Mato Grosso

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