TCE - OUTUBRO

Em livro inédito, jornalista João Negrão relembra como foi o confronto de Zé Pedro Taques e Julier contra o PSDB e Dante de Oliveira. Dante morreu dizendo que foi vítima de uma sacanagem articulada possivelmente por Zé Pedro Taques – o mesmo governador que hoje é paparicado por tucanos que viveram e sofreram aqueles momentos ao lado de Dante, como é o caso de Wilson Santos

 

 

Jornalista João Batista da Silva (João Negrão) já atuou como Secretário-adjunto de Comunicação Social do Governo de Mato Grosso

Jornalista João Batista da Silva (João Negrão) já atuou como Secretário-adjunto de Comunicação Social do Governo de Mato Grosso

 

 

Quem vê hoje o deputado Wilson Santos se derramando em elogios para o governador Zé Pedro Taques não imagina que, no início dos anos 2000, em Cuiabá, eles viveram uma situação de confronto aberto. Ao lado de Wilson, estava a cúpula do PSDB daquele período, comandado pela figura icônica de Dante de Oliveira, governador que passou à história como o Homem das Diretas Já.

 

Era um período em que o então procurador da República Zé Pedro Taques forçava a mão para tentar comprovar que o grupo político de Dante estaria envolvido com o grupo criminoso do Comendador João Arcanjo Ribeiro.

 

Esses fatos são relembrados em um trecho do livro sobre a eleição de 2004, que foi escrito, sob encomenda do próprio Wilson Santos, pelo jornalista João Negrão, hoje radicado em Brasilia mas que sempre teve uma atuação de ponta no jornalismo de Mato Grosso.

O livro permanece inédito porque a encomenda feita por Wilson Santos até hoje não foi paga. Sim, Wilson Santos deixou muitos restos a pagar pelo caminho.

A PAGINA DO E teve acesso a este trecho que retrata um dos períodos mais conturbados da história política de Mato Grosso e o divulga aqui, para amplo conhecimento dos seus leitores. A divulgação talvez ajude a esclarecer o papel de personagens políticos do passado e do presente de Mato Grosso. (EC)

 

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 manchete sobre ação de taques contra dante

O fator Dante de Oliveira e seu PSDB

Por João Negrão (trecho inédito de livro)

 

Os adversários sabiam, parte do eleitorado estava consciente, muita gente temia, havia pesquisas e o próprio resultado das eleições de 2002 foi emblemático: Dante, o PSDB e seu grupo político estavam extremamente desgastados política, administrativa e moralmente. Tanto que o próprio Wilson consumiu mais de dez meses de sua vida política, quase todo o ano de 2003, só para decidir se ficava ou não no partido. Como já abordamos anteriormente, o PSDB vinha de dois governos – o federal e o estadual – com oito anos de mandato e o natural desgaste desse longo período à frente de uma administração. Mas não era só. Foram dois governos negligentes em questões essenciais. A primeira delas a social; e segunda, a questão econômica e um fatal desprezo pelo patrimônio público. As privatizações das empresas estatais que o digam. Acrescente-se a isto os argumentos utilizados para justificar a venda das companhias: “O papel do governo é investir em educação, saúde e segurança pública e não administrar empresas. Isto é competência da iniciativa privada”. Chegavam a argumentar que o dinheiro das vendas das estatais seria empregado em programas sociais ou para o pagamento da dívida externa e, assim, sobrariam mais verbas para investimentos no bem-estar da população. A venda das empresas aconteceu – e alguns negócios duvidosos ocorreram -, mas a dívida externa continuou crescendo e educação, saúde e segurança pública permaneceram sendo os desastres que assistimos até hoje. Resultado: o povo cansou de tanta balela e o troco veio nas urnas em 2002.

 

Exclusivamente no âmbito estadual, o governo de Dante de Oliveira era mal lembrado pela população por ter desprezado não apenas questões sociais ou desmontado o Estado sem que resultados concretos fossem obtidos. Em que pesem a modernização da estrutura da máquina administrativa e o implemento de algumas parcerias de sucesso com a iniciativa privada, como a que viabilizou a construção do gasoduto que trouxe o gás da Bolívia e a termoelétrica de Cuiabá, o governo do PSDB em Mato Grosso ficou muito aquém do propagado. Além disso, Dante e parte do seu secretariado transpareciam uma arrogância que vinha de há algum tempo e contaminou quase todo o governo. As parcelas mais conscientes da sociedade concluíram esta situação de imediato e depois o conjunto do eleitorado começou a perceber que havia mais discurso do que prática no governo de Dante. Para complicar, surgem as denúncias de ligação de membros do staff do governador ao crime organizado e do financiamento da campanha dos tucanos pelo chefão da máfia, João Arcanjo Ribeiro, conforme apontavam investigações da Procuradoria Geral da República e da Polícia Federal desencadeada com a batizada “Operação Arca de Noé”. Mais ainda: negócios do bicheiro teriam obtido garantias do governo com verbas do Departamento de Viação e Obras Públicas, o DVOP. Os dirigentes da Assembléia Legislativa também teriam participação de parte do esquema envolvendo o governo e o PSDB, além de suas próprias negociações com Arcanjo, como a troca de cheques do poder Legislativo em suas factorings.

 

Corretas ou não, a verdade é que as denúncias contaminaram o ambiente político e o partido de Wilson estava à beira da desmoralização total. A presença de Dante e companhia em seu palanque, portanto, poderia trazer prejuízos graves para a campanha, já que as acusações deram farta munição aos adversários. Muito embora Wilson aclamasse sua independência política em relação a Dante, sua ligação com ele estava irremediável justamente porque ambos pertenciam ao mesmo partido, tido pelo eleitorado como “corrupto”, “coronelista” e “tradicional”, do qual o ex-governador era o seu presidente regional. Essa relação era mesmo prejudicial para a candidatura de Wilson, conforme indicavam as pesquisas. Dante subtraia muito mais que somava junto ao eleitorado, que também temia que “a forma de fazer política” de Wilson fosse semelhante à de Dante, justamente “em virtude das diretrizes e vinculações partidárias”.

 

Também de posse dessas informações, os adversários intensificaram o combate a Wilson Santos e transformaram a campanha do PSDB num verdadeiro inferno, sobretudo na reta final dos dois turnos. Por todos os flancos, vindo de Sérgio Ricardo, de Alexandre Cesar ou do eufórico Totó Parente, os ataques à relação de Wilson com Dante de Oliveira eram insistentes. Mais afoito, o PT partiu com todas as armas. Começou a utilizar informações das investigações da “Operação Arca de Noé”. Em alguns depoimentos havia afirmações quanto ao suposto financiamento de campanhas do PSDB e mais particularmente de Dante por factorings de Arcanjo. Um desses depoimentos era o de Nilson Teixeira, ex-gerente de factorings do bicheiro. Alexandre Cesar obteve autorização do juiz Julier Sebastião da Silva, tido como seu amigo, para utilizar o depoimento de Teixeira, gravado em vídeo, em seu programa eleitoral. No depoimento, o ex-gerente, que está preso na Penitenciária de Pascoal Ramos, afirmava haver a participação de Dante e de membros de seu grupo em negócios envolvendo o seu patrão. Era a tentativa do PT de vincular o PSDB ao bicheiro e, conseqüentemente, Wilson ao crime organizado.

 

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Estragos na campanha de Wilson

 

Não bastasse isto, os adversários de Wilson, principalmente o candidato petista que insistia na vinculação do PSDB, Dante e Wilson com os criminosos, tiveram uma providencial ajuda do Ministério Público Federal (com Pedro Taques à frente) e da Justiça Federal (capitaneada por Julier Sebastião da Silva). A pedido do MPF, a Polícia Federal invadiu os escritórios de Dante de Oliveira, do presidente do PSDB, Antro Paes de Barros, e de Paulo Ronan, que era secretário-geral do partido, e a sede da agremiação tucana. O motivo seria a busca e apreensão de documentos e computadores que pudessem comprovar as denúncias surgidas a partir da operação de caça aos empreendimentos criminosos de Arcanjo Ribeiro. Os resultados de tais apreensões até hoje, dia 21 de março 2005, data em que escrevo este capítulo, não foram apresentados à sociedade. Mas os estragos na campanha de Wilson Santos foram fatais: enterraram a possibilidade de vitória no primeiro turno. Mas a pá de cal nas pretensões de levada logo no primeiro turno foi o episódio do comitê da maldade. “Esses dois episódios, o da ação do Ministério Público Federal, na pessoa do procurador Pedro Taques, e Justiça Federal de Mato Grosso, por decisão do juiz Julier Sebastião da Silva de mandar a Polícia Federal invadir o escritório do Dante e a sede do PSDB, e também a questão do ‘comitê da maldade’ tiraram a nossa vitória no primeiro turno”, afirma Wilson.

 

As investidas da campanha do PT abalaram profundamente a campanha de Wilson, tanto do ponto de vista individual – o candidato viveu momentos de extremo abatimento – quanto coletivo. Aquela situação mexeu com o coletivo das coordenações da campanha e também com o eleitorado de Wilson, sobretudo as pessoas mais próximas. “Abalou muito a gente. Me senti abalado, mas procurava não passar isto para as pessoas. Eu tinha que me manter firme. Mas todos ficamos abalados”, afirma Wilson. “As pessoas que nos conheciam tinham segurança que aquilo não mudava a opinião, mas o nosso medo era aquele universo de indecisos. Eu tinha receio de que as acusações do PT pudessem mexer com eleitorado indeciso”, acrescenta. Os ataques retiravam entre 5 a 7 pontos de Wilson, mas logo essa queda era recuperada. “Nós tínhamos a capacidade de recuperação imensa. Em uma semana a gente recuperava novamente e voltava aos patamares anteriores. Mas a preocupação era com os indecisos”, reafirma.

 

Naquele momento também se estabeleceu uma breve crise no PSDB. Nem tanto pelos abalos das denúncias na campanha de Wilson e mais pela decisão do candidato de não responder aos ataques. O fato é que as investidas dos petistas, sobretudo, afetavam o PSDB, Dante de Oliveira e outras lideranças do partido, como o senador Antero Paes de Barros e a deputada federal Thelma de Oliveira. O eleitorado, em sua maioria, percebia que havia uma manobra nessa vinculação. Tanto que a retirada de pontos percentuais não ultrapassou os 8%. Tal índice, obviamente retira a eleição de qualquer um, dependendo da diferença entre os adversários. E ajudou a retirar de Wilson a conquista do mandato no primeiro turno. Mas não representava um desgaste político pessoal para candidato. O mais afetado mesmo era o partido e suas lideranças, sobretudo Dante e Antero. Este último, segundo as pesquisas, pouco atrapalhava a campanha de Wilson. Detinha um “empate técnico”: 19% acreditavam que ele ajudava e 21%, que ele atrapalhava. Já Dante detinha um índice maior: 21 contra 27. Com uma ressalva: em algumas regiões com muito peso eleitoral, a presença do ex-governador era abominável. Daí a necessidade de esconder Dante e companhia da campanha de Wilson.

 

“Quem cala consente”

 

A ocultação de Dante e companhia da campanha de Wilson não era bem aceita, óbvio, pelo próprio presidente regional do PSDB, Antero, Thelma de Oliveira e outros. A campanha possuía membros do partido à frente de pontos-chave, em coordenações importantes. Mas eram pessoas mais de bastidores, sem mandato e sem muita inserção política. O próprio Dante, Antero e Thelma tinham participação de bastidores, mas não eram bem vistos quando se tratava de aparecer ao público. Assim, eles foram praticamente afastados dos comícios, reuniões públicas, arrastões, carreatas e outros eventos. A não ser em locais onde a resistência a seus nomes não era tão salientes. Mesmo assim, esta situação clandestina incomodava o PSDB e seus capas-pretas. Quando surgiram as denúncias do PT e os mandados de busca e apreensão nos escritórios, parte da direção do partido, tendo à frente Dante e Antero, argumentaram que deveria haver uma resposta por meio do programa eleitoral da coligação. Wilson foi contra.

 

“A invasão do escritório de Dante, da sede do PSDB e da casa de Paulo Ronan foi ato turbulento, inoportuno, de caráter eleitoreiro, completamente truculento, só visto na ditadura, só visto em regimes de exceção. Quer queira ou não aquilo acabou nos intimidando, intimidando a nossa militância. Houve uma certa paralisação por alguns dias na nossa campanha, tendo em vista aquele episódio. Havia uma briga interna no PSDB que queria decidir se nós íamos usar o horário eleitoral da TV e do rádio para responder ou não. Eu veementemente não aceitei e acho que hoje nós agimos acertadamente, não passamos recibo”, afirma Wilson.

 

Antero discorda. Para ele, teria que ter havido a defesa. “Porque não havendo reação pressupõe que se está concordando. É aquela história: quem cala consente”, afirma o senador. A não-reação, segundo ele, “foi muito mais desgastante do que a acusação”. Ele argumenta que deveria ter havido uma reação “sem entrar no mérito da questão”, da defesa do Dante ou de integrantes do governo Dante. “Poderia ter entrado no mérito exclusivamente da defesa da instituição PSDB, de repudiar a violência da invasão da sede do PSDB, determinada claramente por um juiz petista. Isto resolveria o problema naquele momento”, advogou. “Como é que não se condena esse ato? Em plena democracia usar o Ministério Público e uma autoridade judicial para invadir a sede de um partido político e receber dividendos eleitorais? Isto é o mínimo que a democracia exige: repudiar esse ato. Então é uma omissão. Eu não diria do Wilson, mas do pessoal do marketing que não deram uma palavra sobre isso. Então, essa omissão é indefensável”, complementa.

 

Sobre as denúncias contra Dante e seu governo, Antero também defende: “Se tem um membro ou mais membros de seu governo envolvidos nisso [com o crime organizado] não significa dizer necessariamente que o Dante esteja envolvido nisso, ainda que seja provado o envolvido dessas pessoas, o que até hoje não está”. O senador acredita que o erro de Dante na campanha de 2004 foi não ter se lançado candidato a vereador, tese defendida por ele. “Eu acho que o Dante cometeu um erro grave nessa campanha municipal e eu disse a ele. Ele não foi candidato a vereador, foi erro gravíssimo”.

 

– Por que ele cometeu esse erro? – pergunto.

– Porque ele teria o palanque, não precisaria pedir pra ninguém. Ficava difícil para o  Wilson parar a campanha e deixar o Dante responder no horário eleitoral, mesmo ele sendo presidente do PSDB. Não cabia. O Wilson tinha que tocar a campanha, portanto não cabia ceder o horário do Dante. Agora, se ele fosse candidato a vereador teria o palanque dele, o comício dele, a imprensa iria ouvi-lo. Eu pedi para ele ser candidato a vereador. Eu acho que ele teria ajudado a chapa, o PSDB teria feito mais vereadores e ele teria passado essa questão a limpo.

 

‘Adversários foram competentes’

 

Em parte, a opinião do senador Antero é compartilhada por outros membros do conselho político da campanha de Wilson. O ex-vice-governador Osvaldo Sobrinho também crê que as acusações do PT foram mal respondidas pela campanha da coligação “Por Cuiabá no Século 21”. Para ele não foi dada a devida relevância quando surgiram as primeiras acusações. “Não se deu a relevância que tinha no inicio quando as palavras foram soltas. Depois virou uma onda. Quando se tentou se contornar e falar a verdade e contrapor aquilo já estava na boca comum e os adversários já estavam usando como o grande mote de campanha deles”, observa Sobrinho. Para ele, a falta de uma resposta correta às acusações petistas, sobretudo, é que permitiu o crescimento de Alexandre Cesar e a pouca diferença no final do primeiro turno. Mais que isto, possibilitou que o candidato do PT entrasse no segundo turno em vantagem e ameaçasse vencer Wilson fragorosamente.

 

O deputado Carlos Brito também concorda que a campanha de Wilson não soube contra-atacar à altura as investidas dos adversários, em especial o PT, no primeiro turno e início da segunda etapa da eleição. “Os adversários foram competentes no sentido de buscar no Dante aquilo que não podiam atacar o Wilson. Por outro lado, de cá, não soubemos contra-atacar”, relembrou.

 

nota psdb perseguição a dante

 

Entrevista com Dante de Oliveira

 

Devido ao fato do ex-governador Dante de Oliveira ter sido o principal “personagem” deste capítulo, no qual se analisa sua delicada situação na campanha e sendo principal alvo de críticas dos adversários na campanha e de seus próprios aliados, publico aqui na íntegra a entrevista que fiz com ele para este livro:

 

Uma questão que eu queria ver em primeiro lugar é o seguinte: porque de certa forma você teve que ficar afastado da campanha do Wilson Santos? Tivemos todo aquele problema da relação do PSDB com o Wilson, do desgaste do partido e de seu governo e outras questões como as denúncias de financiamento da sua campanha e de Antero em 2002 pelo Arcanjo, ou seja, um suposto envolvimento com o crime organizado. Seria por isto? Você poderia avaliar?

 

Dante de Oliveira: Veja bem, em primeiro lugar, desde o inicio do ano de 2003 houve toda uma pressão muito forte em cima do Wilson para ele sair do partido. O PSDB estava naquela época vivendo um momento difícil, estávamos perdendo quadros, deputados estaduais e federais eleitos, a derrota do Antero, a derrota minha. Havia muitos convites para Wilson ir para um outro partido e poder pegar um outro rumo. E naquela época havia boatos de que eu seria candidato a prefeito, que na última hora eu acabaria pressionado a ser candidato a prefeito. Então eu chamei o Wilson aqui na minha residência, conversamos novamente e disse que ele poderia ficar tranqüilo que no partido teria todo o apoio nosso e que eu não tinha nenhum projeto de voltar a ser prefeito. Eu disse que já tinha sido prefeito duas vezes e não existia essa hipótese, que era muito mais uma boataria para tumultuar a cabeça do próprio Wilson. Disse que ele poderia confiar que eu estaria dando todo apoio durante a campanha e que mais, que nós do PSDB desejávamos era a vitória em Cuiabá. Duas cidades pólos que nós íamos fazer tudo para ganhar a eleição era Sinop e Cuiabá. Tentaríamos ainda lançar um candidato em Rondonópolis, que seria o Rogério Salles, o que não deu certo, mas nós íamos centrar fogo nas cidades pólos porque o partido não tinha condições estruturais até para focar uma campanha com o candidato a prefeito em todos os municípios. E sendo assim, eu fui muito claro para dizer a Wilson que ele poderia contar comigo onde eu pudesse render mais, se for para eu fazer carreata eu faço, se for para fazer caminhada eu faço, se for para fazer comício eu faço, se for para conversar com as forças políticas, a articulação da campanha, enfim, me coloquei a disposição e na campanha a gente participou de diversos atos, de carreatas no CPA, de comício na avenida Fernando Correia. Mas teve um determinado momento que eu senti que havia na campanha uma posição um pouco dividida de alguns que achavam que não era bom eu aparecer muito, porque tinha toda uma série de matérias mentirosas promovidas pelo Pedro Taques [procurador geral da República], do Julier [juiz federal Julier Sebastião da Silva] e tal, tudo uma tentativa de me desgastar. E senti bem que havia uma certa divisão no rumo da campanha. Como eu não sou pessoa de nunca ficar me oferecendo ou nunca participando de oferecido, eu próprio dei uma segurada para não atrapalhar a campanha e para que nem amanhã ou depois viessem culpar a mim por uma possível derrota, sei lá, para que não dissessem depois que “Ah, a culpa foi do Dante que queria aparecer demais”. Então fiquei na minha. Quando me chamavam e avaliava que era positivo eu ia, e toquei a campanha até o final assim.

 

Além dessas denúncias que você mencionou, há também a avaliação de seus oito anos de governo, do qual você saiu desgastado, o que refletiu na derrota sua e de Antero. Você faz esta leitura também ou não?

 

Dante: Não. Eu acho que a derrota foi promovida por uma série de erros nossos mesmo. Nós tínhamos um governo bem avaliado, muito bem avaliado, com mais de 80% de aprovação. Eu tinha consciência que nós fizemos um governo bom, que atacamos diversos problemas; tínhamos um projeto de governo, já este governo atual, de Blairo Maggi, não tem projeto de nada. Enfim, nos deixando um Estado arredondado, bem ajustado pela minha gestão que Blairo Maggi herdou. Mas infelizmente para o Estado ele não tem um projeto. Nem macro e nem para cada área específica, educação, saúde. Está tudo extremamente ruim. Mas o que acontece é que você tem que analisar nossos erros desde lá a trás quando houve a briga do Antero com Roberto França em 2001, que culminou com a saída do Roberto do partido. Aquilo já causou estrago na nossa base. E o Antero como candidato a governador não se preparou como tal. Já era politicamente o candidato, mas não fez uma base capaz de dar tranqüilidade para sua candidatura. Então, o que aconteceu? Começou a campanha, não havia recursos financeiros, os primeiros empréstimos saíram em agosto, quando a convenção foi em junho, disputado contra uma candidatura que não tinha nenhum problema, nenhum desgaste que era um cara bom, empresariado, bem visto na sociedade. E a campanha erra politicamente. Havia muito espírito de “já ganhou”, era “já ganhou” porque não tinha adversário parecido com que está hoje ai. Aparentemente sem adversário, se acomodaram. Quanto a minha candidatura, para não ser acusado que eu cuidei só da minha pele, eu acabei que não organizei a minha própria candidatura ao Senado. Eu misturei a minha candidatura com a do Antero e a do Bezerra, que já tinha problema. Eu fui contra a composição com Bezerra e logo depois estava fazendo campanha junto com o Bezerra.

 

Quem defendeu a aliança com Bezerra?

 

Dante: O Antero, a direção nacional e o Serra [ex-senador José Serra, atual prefeito de São Paulo, na época candidato a presidente da República]. Foram eles que definiram. Isto porque tinha a coligação nacional, a Rita da Mata, do PMDB era a vice do Serra. Então havia a verticalização. Mas eu cansei de alertar o Antero que não ia dar certo. Mas depois que decidiram, como eu sou um soldado do partido, acatei. Mas este também foi um erro grave. E foi um erro mais para mim, porque eu tinha que ter tocado minha candidatura, organizado minha candidatura, abrir comitês em todo Estado. Mas eu não fiz nada e a minha candidato acabou diluindo e aí foi tudo pro pau mesmo; cai um caíram os três. No fundo se tentou repetir aquele voto nos três em 1994, quando eu fui candidato ao governo e Antero e Bezerra para o Senado, que acabou elegendo o Bezerra e o Antero perdeu para o Jonas. Enfim, foi isto e não deu certo.dante e arcanjo - a memória é que faz a história

 

E quanto as denúncias de seu envolvimento com o crime organizado, até que ponto elas prejudicou?

 

Dante: Eu tenho a minha consciência tranqüila! Agora vem um bombardeio desses: você perde a eleição e toda a imprensa massificando uma sacanagem daquelas. Então, você acaba tendo que administrar com calma, dando tempo ao tempo, até porque graças a Deus a população brasileira e de Mato Grosso me conhece e sabe que eu não sou bandido, não sou assassino, não sou ladrão. Tenho minha vida pública aberta, 30 anos de vida pública. Eu desafio qualquer político a comparar o seu patrimônio com o meu. Tem outros políticos por aí que muito menos tempo de vida pública e possui patrimônio 500 vezes maior que o meu. Eu não tenho patrimônio nenhum. Tenho esse apartamento aqui, onde moro, um apartamento pequininho ali no Bosque da Saúde e outro também no Bosque da Saúde, de 130 metros quadrados. É o que eu tenho, é minha fortuna em 30 anos de vida pública. Você acha que eles já não reviraram tudo na minha vida. E podem revirar a vida inteira, podem ir buscar o que quiser. Não vão encontrar nada. Mas que atrapalha? Lógico que atrapalha, você tem uma Televisão Centro América, parando a sua programação normal, chamando atenção, apresentando aquelas denúncias, tudo suposição, nada de verdadeiro. O que fizeram, na verdade, foi uma campanha contra mim, uma campanha orquestrada para tentar me destruir.

 

Mas você não acha que também outra coisa que pegou foi uma certa antipatia por seu governo e pelo PSDB? Não chegou num ponto em que existia um pouco de arrogância de alguns membros do governo, uma postura, por exemplo, característica de um grupo de amigos do Dante, a turma chamada “turma do tênis? Você não acha que isto também contribuiu um pouco?

 

Dante: Isto tem em todo governo. Igual hoje tem a “turma da botina”. Quem que é o governo Blairo Maggi? Eles afirmam que governava com alguns amigos, e ele que governa com os empregados dele, que é muito pior? Agora, não se governa com inimigos! Você vai governar com amigo mesmo, que é em quem você confia. Agora ele [Blairo], não, ele governa com funcionários dele, o que é crime. Curiosamente não sei por que até hoje o Ministério Público não tocou pra frente uma denúncia que nós fizemos duas vezes. Eles [alguns secretários de Blairo Maggi], recebem o salário das empresas do governador e o salário do poder público. É um absurdo!

Como disse cometemos muitos erros na campanha [de 2002], mas também é bom olhar com frieza a questão da conjuntura nacional e estadual. Nós vivíamos naquela época a onda Lula. A onda Lula puxou a Serys. E quando a candidatura do Antero também não deu certo o Maggi se consolidou. Então o Maggi puxou Jonas Pinheiro e o Lula puxou a Serys. E houve também naquela época um grande acordo de todos contra mim. Quer dizer, eu tive meus 400 e poucos mil votos praticamente do primeiro voto. Eu não tive o segundo voto.

 

Por que?

 

Dante: Porque eu não fiz campanha do segundo voto e porque havia um grande acordo de todos os partidos contra mim. Quer dizer, eu via o Zeca D’Ávila, que é o símbolo do conservadorismo aqui, que é da UDR, eu via, não sei porque, apoiando a Serys. Os fazendeiros davam avião para Serys rodar o Estado. Quer dizer, o PT até então era do MST que invadia terra, os fazendeiros com medo, e em 2002 começaram a investir na Serys contra mim. Então, quer dizer, fizeram um grande complô, um grande acordo, um grande acerto. Mas só fizeram porque sabiam que Lula ia ganhar.

 

Houve um pouco de fisiologismo?

 

Dante: Um pouco não, demais…

 

Agora uma outra questão, do ponto de vista administrativo você criou o Fethab mas seu governo aplicou pouco no Fethab…

 

Dante: Não, não! Não apliquei pouco não. A história do Fethab é o seguinte: eu criei o fundo – e isso tem que fica bem claro – em abril de 2000, ou seja, no meio do segundo ano do meu segundo mandato. A campanha sórdida que o Blairo Maggi faz contra mim, ele e a equipe dele, é que eu tive o Fethab e não fiz nada. Como se eu tivesse oito anos de Fethab e pouco fiz. Bom, em 2000, no ano em que eu criei, nós arrecadamos R$ 33 milhões. Em 2001 nós arrecadamos R$ 97 milhões mais; e em 2002, último ano do meu governo, nós arrecadamos R$ 113 milhões, Isto somado dá R$ 243 milhões. E no meu governo eu cobrava o que? Eu cobrava contribuição do gado em pé que era comercializado, da soja e do combustível. Do combustível eu cobrava R$ 0,04 por litro. Quatro centavos por litro apenas. Então o governo do Blairo Maggi, que era radicalmente contra o Fethab – os produtores rurais até entraram na Justiça Famato contra, o processo está aí no Tribunal de Justiça -, fez o quê? O Blairo Maggi fez: além do gado em pé, além da soja, além do combustível, que era R$ 0,04 a cobrança, ele ampliou para algodão, ampliou para madeira e ampliou a taxação do combustível R$ 0,10. Esse que é o grosso do negócio aqui, o combustível. Com R$ 0,10 ele multiplicou por dois e meio, ou seja, 250%. Bom, com isso o que aconteceu? O senhor Blairo Maggi teve em 2003 uma arrecadação de R$ 201 milhões, em 2004 teve uma arrecadação de R$ 229 milhões. Ou seja, só em dois anos dele ele arrecadou R$ 430 milhões. Quer dizer, olha a diferença, em dois anos e meio eu arrecadei R$ 243 milhões e em dois anos ele arrecadou R$ 430 milhões. Bom, e aqui nós fizemos o que era possível fazer. Eu fazia parcerias direto com as prefeituras, conservei todas as estradas estaduais em terra. Você não via em 2001 e 2002 atoleiros nas estradas de terra como vimos no governo dele, porque ele pegou tudo isso e jogou tudo em asfalto novo. Eu cuidei de estrada de terra, fiz convênio com prefeitura. E investi em asfalto onde? Em toda a região de Cáceres, eu tinha um programa do Prodeagro que eu precisava concluir esse asfalto. Quando eu entrei no governo em 95 estava tudo acabado na região de Cáceres, Mirassol, Quatro Marcos, Araputangã, Lambari do Oeste, Jauru, Salto do Céu. Então a gente arrumou aquilo lá. Enfim, investimos numa serie de obras. Agora essa é a diferença, quer dizer, eles não falam isso: eles arrecadaram muito mais porque aumentaram a base de arrecadação e aumentaram a cobrança sobre o combustível. Não é que arrecadaram mais porque era ineficiente meu governo, não. Arrecadaram porque tocaram imposto no povo, quer dizer, mentiram para o povo que ia diminuir imposto e tocou foi imposto.

 

Mas e a questão da habitação? Seu governo não construiu uma casa sequer.

 

Dante: Habitação eu não fiz. E foi uma opção minha. Quando eu criei o Fethab foi pra habitação também, mas eu não tive condição, porque a demanda de estrada era tão grande e o maior problema do Estado de Mato Grosso era a estrada. Eu já tinha resolvido o problema da energia, a educação ia bem, a saúde ia bem. Então falei: “Vamos investir agora em estrada. Habitação fica para outro governo”. Fiz consciente.

 

Como é que você avalia agora, depois da eleição de 2002 e da eleição de 2004, como vai a correlação de forças políticas no Estado? Como é que você avalia a situação do PSDB, que sai derrotado de 2002 e você ficou sem mandato? E agora, depois de 2004, com poucas prefeituras conquistadas, apesar das vitórias em Cuiabá e Sinop?.

 

Dante: Veja bem, agora estamos com muita tranqüilidade trabalhando nos encontros regionais do partido. Nós já fizemos em Rondonópolis e em Barra do Garças e vamos fazer brevemente em Sinop, com a presença do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Estamos reestruturando o partido, estamos mobilizando as lideranças para montar a chapa para deputado estadual e do federal. Mas o mais importante hoje é que, a partir da vitória em Cuiabá e de Sinop e a partir do desgaste do governo Lula, com uma boa candidatura a presidente da República do PSDB, um trabalho vinculado estadual com o nacional, nós teremos condições de reocupar nosso espaço. Afinal de contas o PSDB é um partido que fez história, que tem programa, tem projeto, tem trabalho prestado a nível nacional e a nível estadual. Podem fazer a campanha que quiserem que não vão apagar da memória do povo o que eu fiz, os programas sociais importantes que implantei, como Padic, de apoio às iniciativas comunitárias, como o Xané, onde as crianças ficavam em tempo intergral nas escolas, o trabalho na área cultural da Lei Hermes de Abreu pela qual facilitei muito o acesso para a produção cultural, enfim, fiz muito e não vão apagar isto da memória do povo. Tem ainda os grandes trabalhos, como o de arrumação do Estado, de trazer a Ferronorte, de sanar o problema de energia, a vinda do gasoduto. Quer dizer, eles não vão apagar isso nunca.

Mas o que mais me impressiona é a presunção do grupo que esta no poder. Eles querem passar para os outros que Mato Grosso passou existir a partir deles. Eles querem desconhecer a história de Mato Grosso e dos ciclos histórico de desenvolvimento do Estado, o esforço do povo de 1700 até agora, e querem falar que tudo que ficou pra trás não existia, que está existindo progresso é agora. É muita presunção, é muito desconhecimento histórico. Mas não se pode esperar muita coisa desse grupo que esta aí. Seria querer exigir demais deles.

Então, o projeto principal nosso hoje é colocar bem, e bem aprumado, bem alinhado, bem alinhavado, a candidatura nossa ao governador do Estado. Nós temos dois candidatos que vamos definir na hora certa: vai ser Nilson Leitão [prefeito reeleito de Sinop] ou Rogério Salles [ex-governador e ex-prefeito de Rondonópolis]. Isto é importante para dar um rumo para o Estado. Isto que é o principal: firmar a nossa candidatura ao governo, o Antero, candidato a senador; então a gente define o projeto do PSDB.

 

E você…?

 

Dante: Eu sou candidato a deputado federal. Eu já disse isto. Eu já conversei com toda liderança que quiser compor conosco uma força alternativa para o Estado de Mato Grosso que eu não serei problema.

 

E a deputada Thelma?

 

Dante: A Thelma também vai decidir de acordo o que for melhor para o partido, melhor para o Estado.

 

Vocês já conversaram?

 

Dante: Já conversamos. Está mais ou menos encaminhado.

 

Ela coloca alguma resistência?

 

Dante: Não. Ela só quer saber qual o espaço que vai ficar para ela. Ela gosta de política, sempre trabalhou na política. Ela não é uma pessoa que está deputada federal porque é esposa de Dante. Não, ela tem espaço sempre.

 

Você sentiu em algum momento que fosse necessário dar uma reciclada, fazer uma autocrítica, para retomar espaço na política?

 

Dante: O homem que não se recicla, o homem que não faz autocrítica, o homem que não faz reflexões nessa linha, está fuzilado. Tem que reciclar sempre, tem que atualizar-se, você tem que conhecer as demandas novas da sociedade e a gente que quer ser um porta-voz da sociedade tem que está atualizado.

 

Qual foi o maior erro que você cometeu no seu governo?

 

Dante: Acho que a gente sempre tem erro no governo, o ser humano sempre erra. Eu não vou dizer que seja o maior ou menor, é ambos. Acertamos muito, mas erramos também. Não dá para falar que é um, que são dois, que são três… Às vezes também é uma imagem que se forma, que aparece, como esta que você falou que teve um grupo no meu governo que era arrogante. Às vezes você nem percebe, mas coincide de a população falar…

 

Assim por exemplo, tem muita gente que reclamava que você não gostava muito de receber as pessoas?

 

Dante: Não, não é verdade. Recebia sim. Isto é conversa fiada.

 

Você tem a fama de gostar de dar chá de cadeira, chegar atrasado em compromisso. Você tem consciência disso?

 

Dante: Eu recebia todo mundo e se dava algum chá de cadeira é porque tinha muito gente para receber. Às vezes vinha uma liderança de longe e tinha que dar a vez para ela. Veio de longe pra falar comigo, fura a fila. Vou fazer o quê? Eu vou atender um cara que mora aqui em Cuiabá, que a casa dele está bem ali, e vou deixar de atender um cara que vem de Alta Floresta? Tem que furar a fila mesmo e o outro, que mora perto, tem que esperar. Mas é assim mesmo: quando você ganha parece que deu tudo certo; quando perde todo mundo cai em cima…

 

Como na campanha do Wilson, que quando parecia que ia perder as pessoas começaram a sumir…

 

Dante: A sorte nossa é que corrigimos a tempo. Aquele início do segundo turno da campanha do Wilson foi muito difícil.

 

Você teve alguma intervenção naquele momento?

 

Dante: Eu acho que muita. Houve a minha interferência direta para substituir a equipe de Goiânia. Não que a equipe de Goiânia era ruim. Não tenho nada contra ela. Gostei dele, acho que são pessoas preparadas, inteligentes, fizeram a campanha do Wilson na eleição anterior. Mas não estava dando certo, o jogo era outro e a gente estava com aquela história de que não podia bater, de que não podia responder ataque.

 

Como você analisa o papel da cuiabania na eleição do Wilson?

 

Dante: Não há dúvida que teve um papel extremamente grande. No fundo a cuiabania não são só os cuiabanos nascidos e criados aqui, as tradicionais famílias. A cuiabania é um sentimento, é uma cultura formada ao longo dos anos, que é um conjunto de conceitos, de uma cidade prestadora de serviço, uma capital, uma cidade pólo, uma cidade que se acostumou a viver próxima do poder do governo do Estado, uma cidade portal para o Pantanal, portal para a Amazônia. Cuiabá é uma cidade cosmopolita e ao mesmo tempo fechada nos seus conceitos. E o Wilson conseguiu, mesmo não sendo filho daqui, conseguiu representá-la, conseguiu traduzir esse sentimento. Isto foi extremamente importante. Outra coisa importante foi que de uma hora para outra se juntou todos contra nós. Aí também entra pouco o peso da solidariedade, o povo gosta um pouco de vítima, de ser solidário com os mais fracos. Enfim, acabou o Wilson fazendo o discurso que a cuiabania queria ouvir e teve voto da cuiabania cuiabana e da cuiabania de outros Estados, da cuiabania migrante, daquele que vieram para cá, que já tem seus filhos, já tem seus netos, já viraram cuiabano, já incorporaram todo esse sentimento. Eu acho que é isso o Wilson soube traduzir muito bem. E o importante para Wilson é continuar traduzindo isso nas ações do governo dele. Tem que ter uma forte política cultural, tem que ter uma forte política de comunicação e trabalhar esse sentimento. Enfim, acho que isso é um projeto que se Wilson se não estiver pensando tem que pensar sério.

1 Comentário

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  1. - Responder

    Claro que sem o brilhantismo e as informações do colega João Negrão, mas de modo simples, em meu livro “Ciclo de fogo – biografia não autorizada de Riva” falo sobre esse caso, num capítulo e o reproduzo no PERFIL de Julier, que postei na série sobre os candidatos a prefeito de Cuiabá.

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