Debate expõe aposentadoria indecente de Emanuel

DEBATE NA TV DA GAZETA NA PAGINA DO E

O Procurador Mauro só aparece nas eleições? No ínicio do debate entre os prefeitáveis, nesta segunda, na TV da Gazeta, Patrícia Dorileo pergunta, o candidato do PSOL responde. Quem disse que a mídia conversadora tem interesse em dar espaços para políticos de esquerda como Mauro Lara? Que jornal ou saite já o procurou para fazer dele um articulista permanente em seus espaços? Sim, o sumiço do Procurador pode ser uma consequência, até mesmo de sua própria inaptidão para abrir espaços para as suas ideias.

Repórter mais experiente entre os perguntadores, Rafael Costa Rocha teve, todavia, o desempenho menos questionador, mais fraquinho, no debate desta segunda, na TV da Gazeta, no meu entender. Rafael se limitou a levantar bola pra professora Serys Slhessarenko que, mesmo assim, se confundiu toda na hora de falar de passe livre.

Nesse primeiro debate, achei mais eficiente a tática adotada pelos repórteres Laise Lucatelli, Patricia Dorileo e Ailton Marques de procurarem revelar para os eleitores/telespectadores quem são os candidatos a prefeito e um pouco da verdade por trás deles. Para as propostas eleitorais, estão aí os programas eleitorais, os comicios, os panfletos, etc. Jornalistas sérios tem que acirrar as contradições. A discussão das propostas tende a ser campo para o mero devaneio dos candidatos, e para as tais propostas utópicas de que falou Wilson Santos. Então, querendo ser criativo, Rafael Costa e também o Ulisses Lalio foram por uma linha muito conservadora.

Gostei de ver a aposentadoria imoral de Emanuel – diversas vezes denunciada ao longo dos anos na PAGINA DO E – expondo o candidato do PMDB em sua “esperteza” tão prejudicial aos cofres públicos. Aposentadoria precoce paga às custas dos cofres públicos. E Emanuel ainda disse que nunca fez uma lei em benefício próprio. Faltou quem dissesse que ele, na verdade, se aproveitou da Lei malandra que criara o FAP – Fundo da Aposentadoria Parlamentar, lei que já estava pronta, votada e aprovada por gente inescrupulosa como ele, para passar a mamar uma aposentadoria privilegiada paga pelo contribuinte.

Para ver que Emanuel podia fazer diferente, bastava olhar para Serys Slhessarenko e Wilson Santos, que também participaram do debate desta segunda e, como deputados estaduais em Mato Grosso, ao lado de outros parlamentares como a professora Zilda Campos, a professora Verinha e o Gilney Viana, jamais sujaram suas mãos com o dinheiro dessa aposentadoria indecente que, graças a Serys e Wilson, acabou sendo extinta. Serys e Wilson Santos, felizmente, neste episódio, desafinaram o coro dos indecentes. Valeu, Serys! Valeu, Wilson Santos.

No debate, sempre algo deslocada, a decana Serys, no entanto, não soube bater colocado no Emanuel como devia, nessa questão da aposentadoria. É evidente que esse é um calcanhar de Aquiles do peemedebista e aquele negócio dele tentar se justificar dizendo que como ele Dante, Bezerra e outros mais também recebiam aposentadoria é de uma covardia política tremenda. Ele busca proteção em outras personalidades, ao invés de argumentar de forma convivente a favor do FAP. Mas é claro que não dá pra argumentar de forma convincente a favor do FAP, ainda mais em se tratando de um parlamentar que se aposentou e passou a sacar esse dinheiro dos cofres públicos com apenas 32 anos de idade. A Serys derrapou, disse que ele passara a receber em 2004 e o próprio Emanuel acabou entregando que foi bem antes, em 1996.

O Procurador Mauro protestou contra Julier que tentou impedir sua participaçao no debate. Para se defender Julier disse que o Procurador esconde que é um cobrador de impostos e que teria fingido ser membro do Ministerio Público. Ora, ora, ficou faltando ao Julier explicar direitinho por que não queria o Procurador no debate. E explicar melhor sua prioridade para a Segurança Pública que, de repente, o coloca numa mesma rota de atuação do atual governador reacionário e direitista Zé Pedro Taques. E a distribuição de renda? E os direitos humanos? Esse negócio de ficar ouvindo marqueteiro e não a direção política de sua coligação pode arrastar o Juiz Julier pruma posição de batedor descontrolado, sem perspectiva ideológica. O alerta da Laise Lucatelli foi mais do que válido.

Aliás, duas coisas que não entendi direito, preciso pensar mais sobre isso: por que a Serys ficou atacando o Julier? Por que o Julier ficou atacando o Procurador e vice versa? Me parece que nessa primeira fase, os primeiros adversários que Serys, o Procurador e Julier tem que detonar são o Wilson e o Emanuel, que dispõem das maiores máquinas e representam política de forte conteúdo antipopular e capitaneam os partidos do golpe parlamentar contra Dilma nessa campanha cuiabana. Mas o Wilson, esperto, já cuidou de ir paparicando a professora e evitando ataques deste lado.

Wilson Santos exercitou bem a arte de fugir de perguntas desagradáveis. Seus adversários tem que ser mais persistentes nos questionamentos. E a Serys, aceitando o abraço de jacaré que o Wilson lhe deu, apresentando-se o tempo todo como seu parceiro, ficou neutralizada diante do adversário do PSDB.

O embanamento do Emanuel diante da questão da aposentadoria precoce e imoral, volto a dizer, mostra que é um questionamento a ser aprofundado. Mostrar nos programas eleitorais a aposentadoria do trabalhador comum em contraste com a aposentadoria privilegiada de um dos membros da elite cuiabana. Elite evidentemente predadora. Não sei quem fará isso, mas quem fizer fará um favor para a grande maioria de nosso povo, que não vem atentando para a sangria que o FAP representou e representa, já que foi extinto mas continua sendo paga a uma legião de remanescentes insaciáveis entre os quais se encontra o Emanuel.

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

dois × 2 =