EDUARDO PÓVOAS: Perdi meu pai com 82 anos de idade e ate hoje não consigo conviver com essa perda, imagine quem perdeu um filho com 16 anos.

TRÊS LÁGRIMAS
Por EDUARDO PÓVOAS

Dias atrás, conversava eu com um dileto amigo que no começo do ano passado perdeu de maneira trágica um filho adolescente em acidente automobilístico. Sempre quando encontrávamos a sua capacidade de administrar essa tragédia me deixava perplexo, pois lhes confesso, não teria eu, e que Deus me ouça, habilidade para tal.

Perdi meu pai com 82 anos de idade, e ate hoje não consigo conviver com essa perda, imagine quem perdeu um filho com 16 anos. O natural e normal é acontecer o que aconteceu comigo, o filho sepultar o pai e não o que aconteceu com ele, o pai levar para o cemitério um filho, e imaginem, de 16 anos!

Depois que perdi meu pai, passei a ter certa “intimidade” com alguns periféricos dessa imensa dor, pois ela nunca vem sozinha e amena.

Passei a conhecer três tipos de lagrimas, nenhuma igual à outra.

Uma que aparece nos melhores momentos da nossa vida. É aquela da alegria, vem ao assistir o nascimento de um filho ou de um neto, uma boa noticia ou com os seis números da mega sena etc. Vem e vai embora muito rápido, permanecendo só enquanto a alegria estiver estampada nos nossos rostos.

Outra a da dor é também muito passageira. Demora o suficiente para nos “avisar” que algo no nosso organismo não vai bem. Ao sentirmos a melhora do órgão afetado ela também vai embora.

Agora, a da saudade é implacável, é destemida, é persistente, é aquela que nos persegue 24 horas por dia, não respeita nossa dor e pouco importa se aflora em nossos rostos nos mais inoportunos momentos.

É ela que quando percebe que a saudade de um ente querido escraviza nossos corações rola insistentemente pelos nossos rostos transformando-os em verdadeiras cachoeiras da dor.

Eu que tenho milhares de motivos para admirar a atitude do meu amigo, quando que, achava eu, que de “letra”, sabia com maestria guiar as dores do seu coração quando sentia saudades de seu adolescente filho, não sabia a força motriz que fazia seu surrado coração bater.

Ledo engano, pois traído pela implacável saudade essa terceira lagrima, a que não deixa um pai, uma mãe ou um filho esquecer-se daquele que por aqui só foi motivo de alegria e prazer, foi fatalmente traído por ela quando sorrateiramente começou a rolar na sua face.

Ninguém consegue por muito tempo “tapear” essa terceira lagrima.

Confesso-lhes que a saudade que sinto do meu querido pai é interminável. Imagino a sua, meu dileto amigo.

Eduardo Póvoas é Cidadão Cuiabano

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