PREFEITURA SANEAMENTO

EDUARDO PÓVOAS – O importante é fazer com que o nosso tempo na Terra tenha nos proporcionado a chance de que, como a borboleta, deixemos construídos enormes e belos jardins idênticos aos de Viena.

Moça no Jardim das Rosas, em Viena, capital da Austria

A BORBOLETA QUE FICOU CEGA
por EDUARDO PÓVOAS

Eduardo Póvoas é cidadão cuiabano

Esta história parece muito com algumas que você deve conhecer.
É a história de uma belíssima borboleta com cores variadíssimas nas suas majestosas asas, parecendo um enorme arco íris, que provocava o ciúme doentio das outras que nem de longe chegavam perto da sua imponência.
Parece que seu trabalho do dia a dia, sem nunca falhar, incomodava àquelas que pouco eram afeitas a estas tarefas.
Perambulava sobre as flores de um enorme jardim descrevendo na trajetória do seu vôo uma elipse perfeita enquanto fazia sabiamente a polinização das mesmas.
Vez ou outra, algumas com menor brilho e beleza tentavam acompanhar seus passos, limitando-se a um percurso ridículo para a nossa majestade.
A custa desse seu trabalho incessante, o imenso jardim mantinha a beleza daqueles do Palácio de Schonbrunn na Áustria fazendo com que nossos olhares só deixassem de admirá-lo quando sua majestade cruzava nossos horizontes.
Com sol ou chuva, bem cedinho nossa bela e imponente borboleta lá estava saltitante e com um olhar aguçado parecendo tomar conta do seu terreno.
Passava o tempo e sua luz e beleza, junto com sua disposição para o trabalho, diminuía consideravelmente para a alegria de suas parceiras.
Sabiam estas que jamais poderiam fazer o que a nossa majestade fazia.
Sabiam também que em nenhum momento poderiam atingir o grau de produtividade da nossa personagem.
Então o que restava a elas?
Só lhes restava a torcida para que com o passar dos dias nossa borboleta perdesse as forças não conseguindo mais produzir o que produzia.
As cores maravilhosas de suas asas perdiam o brilho de antes.
Seus magistrais vôos formando uma espetacular elipse já não eram os mesmos.
Seu poder de polinização diminuiu consideravelmente pois o percurso de seu vôo já não atingia distancias consideráveis.
Seus olhos opacos e sem brilho dificultavam seu pouso. Sinais estes de que ali começava “o começo do fim”!
Claro, a borboleta como nós, temos nosso “período de validade”.
A borboleta, como nós, um dia deixará de existir.
O importante é fazer com que o nosso tempo na Terra tenha nos proporcionado a chance de que, como a borboleta, deixemos construídoS enormes e belos jardins idênticos aos de Viena.
O importante é quando perdermos as cores das nossas asas, o brilho dos nossos olhos e o nosso poder de vôo esperarmos, com muita tranqüilidade, nosso julgamento final.
Nestas linhas faço uma homenagem aos meus queridos amigos e colegas do Colégio Estadual de Mato Grosso e das “peladas” do Dutrinha  que se estamos a perder as cores das nossas asas,o brilho dos nossos olhos e o nosso poder de vôo, certeza tenho que aqui deixaremos inúmeros jardins idênticos ou melhores que os de Viena.
Eduardo Póvoas é cidadão cuiabano
povoas@terra.com.br

 

 

O beijo, pintura do austriaco Gustav Klimt, com todas as cores e flores de Viena

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

5 × 2 =