EDUARDO PÓVOAS – Passo pela Getúlio, diante do Liceu Cuiabano e revejo no alpendre, aguardando bater a campainha, colegas que marcaram minha vida.

Minha querida Cidade Verde

por EDUARDO PÓVOAS

Seu aniversario me trás saudades do meu tempo de Colégio Estadual de Mato Grosso, onde tive a honra de ser Presidente do Grêmio Estudantil 7 de Setembro, pois não há como falar do aniversario da Cidade Verde sem que haja uma íntima relação com os desfiles escolares que homenageavam a capital.

Indiscutivelmente a fanfarra do Colégio São Gonçalo (carinhosamente chamado pelos jovens da época de “colégio dos padres”), era um show e todos os desfiles saia na frente de todas as outras.

Fiz uma reunião com a minha diretoria e resolvemos que o nosso querido Colégio Estadual não poderia e não deveria mais ser apenas coadjuvante nos desfiles de 7 de setembro.

Começamos no dia seguinte uma campanha no sentido de adquirir uma fanfarra maior que a do Colégio dos Padres. Fizemos rifas, apresentações culturais (era moda da época), corremos atrás de patrocinadores e eis que conseguimos sair “tete a tete” com a respeitadíssima fanfara do Colégio São Gonçalo.
Nossos ensaios eram comandados pelo queridíssimo Prof. Haongrizio Cintra, mais amigo que professor.

Realizamos um sonho que atormentava os alunos do maior colégio público de Mato Grosso.

Foi realmente um show que esta gravado até hoje na minha memória.

Claro, estão também gravados na minha memória as inesquecíveis aulas dos grandes mestres que lecionavam nesse colégio.

Passo pela Avenida Getúlio Vargas e revejo sentado no alpendre aguardando a hora de bater a campainha, alguns colegas que marcaram minha vida.

O Rubinho Paes de Barros, tirado cedo do nosso convívio, orador nato e jornalista desde sua infância, era o animador das nossas festas. O Lito que trazia às segundas feiras todos os trailers dos filmes que seriam exibidos no Cine Teatro gravados na memória e os repetia para nós. Isto sem contar com a magia que ele e o Almiro tratavam à bola, hoje vilipendiada por muitos que recebem milhões para tratá-la bem.

Enio Carvalho como sempre, exalando seu ar de Dom Juan preocupado se o Neurozito estaria presente (tocava o Neurozito até altas horas da madrugada com o Jacildo no Clube Feminino) na primeira aula (de física) magistralmente ministrada pelo saudoso João Barbuino Curvo, que logo depois se casaria com a nossa colega de sala Vera Pouso, que, junto com a Lucimar Spinelli, Laudelita, Luzia Gama, Alice e Glória Fontes, Lucinda Nogueira e tantas outras, compunham a parte feminina da nossa sala “mixta”.

Moacir Spinelli chegando com seu jipe Toyota que usamos inúmeras vezes para jogar futebol de salão em uma das poucas quadras que existia, a do Clube Náutico e depois, um gostoso banho no rio Cuiabá, encostando atrás do Ford (carinhosamente chamada de fubica) do competente professor de desenho, Prof. Mardio Silva, O Rubens Marins ainda com a cara de sono do trabalho da noite anterior, o Cristóvão Marcelo com a tarefa e a lição na ponta da língua e o resto da patota, inclusive eu, esperando o Diretor do Colégio, o brabíssimo Sebastião de Figueiredo dar apenas um “bom dia” para a tropa toda entrar em forma.

Será que os jovens de hoje terão razões e motivos de sentir daqui a alguns anos a saudade de seu tempo de estudante?

Farão verdadeiros amigos para que ao se lembrar deles, fazer rolar no seu rosto uma lágrima de saudade?

Realmente sou feliz!

Tenho motivos e rola no meu rosto sempre que me lembro dessa minha infância, uma lágrima de saudade!

Eduardo Póvoas- Agora cuiabano de verdade (ex pau rodado).

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