EDUARDO PÓVOAS – Debaixo de sol escaldante, encontrei um ex-aluno de meu avô Nilo Póvoas e de meu pai, Lenine

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EDUARDO PÓVOAS

 

Recebi dias atrás um telefonema do meu colega e amigo do Colégio Estadual de Mato Grosso, Osmar Capilé, que se encontrava na residência do seu pai, dizendo que, ao seu lado estava o Coronel aposentado da Aeronáutica Aral Cardoso, ex aluno do meu avô Nilo Povoas e do meu pai Lenine, no Rio de Janeiro, e que gostaria de se encontrar comigo.

 

Passou o telefone ao Coronel e marcamos um encontro para o dia seguinte às 15 horas, em frente à Academia Mato-grossense de Letras.

 

Identificamos como chegaríamos para o encontro tal como cor da camisa, da calça e o sapato, pois havíamos nos visto há muitos anos atrás e talvez não nos reconhecessemos.

 

Impreterivelmente às 15 horas estávamos lá, eu e o coronel debaixo de um sol escaldante e com uma temperatura de quase quarenta graus para trocarmos, aproveitando uma sombra do muro da Academia, algumas palavras sobre meu avo e meu pai.

 

Estava eu frente a um cidadão de 81 anos, com uma saúde invejável e com uma memória sem nenhuma contaminação pelo “famoso” alemão Auzheimer.

 

Com riquezas de detalhes, narra o coronel sua época de aluno de Português do meu avo e de Geografia do meu pai, em um colégio na Tijuca, um bairro do Rio de Janeiro.

 

Contou-me sobre sua admissão e de seus amigos, na Aeronáutica, onde sobressaíram nas provas de Português e de Geografia, as que foram lecionadas por meu avo e por meu pai, segundo ele, chamando sobremaneira a atenção de seus argüidores.

 

Pensava eu, nesse momento, que tudo que meu avô e meu pai passaram a esse menino e seus amigos a época, foi fruto dos professores fantásticos que existiam aqui em Cuiabá.

 

Imaginem se esses professores sonhassem com a hipótese de algum dia alguém propusesse a extinção do órgão que cuida do nosso passado.

 

Nosso papo estava agradável, que nem mesmo a temperatura dos quase quarenta graus conseguiu diminuir minha empolgação escutando a narrativa de um ex piloto.

 

Tinha mais emoção e mal sabia que seria duplamente presenteado pelo comandante ao me oferecer um livro sobre sua família contando a história de cinco aviadores e um CD de guaranias interpretadas por ele com musicas de sua autoria.

 

Eu, que sou um emotivo nato, chegando a me emocionar em filmes de farwest, estava, a essa altura, com os olhos cheio de lágrimas recebendo seu livro com a seguinte dedicatória:

 

“Ao Dr. Eduardo Póvoas neto do meu incomparável professor Nilo Póvoas, o maior mestre da língua portuguesa, oferece como preito de gratidão a esse ilustre educador cuiabano, o caçula dos irmãos Cardoso. Aral M. Cardoso”.

 

Fiz questão de publicar isto para mostrar a quem deseja acabar com a história do nosso povo, a importância de se fazer parte dela.

 

Infelizmente nem todos podem fazer parte dela, porem aqueles milhares que sabem da sua importância respeitam-na.

 

Quem fez, sabe mesurar isto, mas ainda há tempo para aqueles que desconhecem a riqueza e importância dela, passar a admirá-la!

 

Eduardo Póvoas é Cidadão Cuiabano

 

 

 

 

 

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