Para Ussiel a relação de Mauro Mendes com Valtenir é promíscua

Para Ussiel a relação de Mauro Mendes com Valtenir é promíscua

Cauteloso, Pedro Taques (PSDB) não entrou diretamente no mundo da denúncia contra seu concorrente Mauro Mendes (DEM) em razão do vídeo viralizado e recentemente postado, onde seu coordenador de campanha, Mauro Carvalho, aparece entregando maços de dinheiro ao deputado federal Valtenir Pereira (MDB), que é candidato à reeleição em sua coligação. Pedro fica em silêncio e quem fala é o tucano Ussiel Tavares, que vê promiscuidade entre Mauro Mendes e Valtenir.

Com alto índice de rejeição, Pedro pisa em ovos. Daí, seu cuidado para não denunciar um palanque pesado, quando o seu também não é leve. Diante disso, quem toma as ‘dores’ da coligação liderada por Pedro é o secretário-geral do PSDB e advogado Ussiel Tavares, que se manifesta por meio de notas enviadas pela assessoria tucana aos jornais e outros meios de comunicação.

Ussiel chamou de promíscua a relação de Valtenir com Mauro Mendes e estendeu a promiscuidade ao relacionamento do candidato democrata com o cacique o MDB e que tenta a reeleição para deputado federal, Carlos Bezerra.

O vídeo de Mauro Carvalho com Valtenir é algo que deveria ser investigado pelo Ministério Público, Ministério Público Eleitoral e pela Polícia Civil. Suas cenas e diálogos revelam a entrega de recursos financeiros de Mauro Carvalho para Valtenir, com fortes indícios de que se trata de movimentação em caixa dois em período eleitoral.

Ussiel falou somente sobre o vídeo de Mauro Carvalho e Valtenir, mas se quisesse poderia muito bem ter recordado que há um ano uma reportagem da Rede Globo exibiu vídeos de deputados e ex-deputados de Mato Grosso recebendo maços de dinheiro de Sílvio Corrêa, então chefe de Gabinete do à época (2010/14) governador Silval Barbosa. Os vídeos da Globo mostraram entre outros os à época deputados estaduais Emanuel Pinheiro e Ezequiel Fonseca, o deputado José Domingos e outros embolsando dinheiro, que Silval em delação premiada homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, disse que se tratava de mensalinho.

Num dos vídeos que Ussiel não focalizou, Emanuel Pinheiro, agora prefeito de Cuiabá, recebe um maço de notas e deixa um deles cair do bolso abarrotado de seu paletó. Implacável a sabedoria popular o apelidou de Paletó. Na campanha eleitoral de agora, o filho de Emanuel, Emanuelzinho é candidato a deputado federal pelo PTB e, em razão de sua hereditariedade política, recebeu o jocoso apelido de Paletozinho – uma das campanhas com maior ostentação de adesivagem de veículos, bandeiras e cabos eleitorais é a de Paletozinho, que tem sinais exteriores de alto custo.

O vídeo é resultado de uma gravação clandestina e portanto criminosa – sem que isso atenue o vergonhoso relacionamento entre seus personagens. Se Ussiel quisesse ou pudesse falar sobre esse tipo de gravação, o ideal seria que ele cobrasse apuração do escândalo Grampolândia Pantaneira, que segundo o desembargador do Tribunal de Justiça, Orlando Perri, teria feito 70 mil grampos contra autoridades, jornalistas, médicos, advogados, empresários e servidores públicos. Grampolândia, segundo seu principal operador e réu confesso, o cabo da Polícia Militar Gerson Corrêa, tinha dois chefes: Pedro Taques e seu primo então chefe da Casa Civil, Paulo Taques.

Comedido, Ussiel criticou somente Valtenir, Mauro Mendes e Carlos Bezerra. Nem Mauro Carvalho ele criticou. Sobre Grampolândia, nem uma palavra de Ussiel: afinal com a alta rejeição de Pedro, tocar naquele assunto seria o mesmo que falar em corda na casa de enforcado.

 

Eduardo Gomes/boamidia

FOTO: Arquivo boamidia