EDUARDO GOMES – Percival ficou milionário só com mandatos

A riqueza de Percival, segundo o repórter Eduardo Gomes, não é sinônimo de tranquilidade. No mês passado, o Ministério Público Federal (MPF) propôs ação civil pública contra ele e duas empresas de construção pedindo que devolvam R$ 500 mil aos cofres públicos.

Quando disputou a primeira eleição, Percival Muniz era estudante; agora, possui milhões

Eduardo Gomes
MTAQUI

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Percival Muniz é milionário. Esta frase não é mera afirmação, mas acima de tudo a divulgação dos bens declarados por ele à Justiça Eleitoral ao pedir registro de sua candidatura a prefeito de Rondonópolis pelo PPS, partido do qual é presidente regional.

O patrimônio declarado por Percival é de R$ 4,399 milhões, mas esse montante é bem maior se considerados os bens que o candidato tem em comum com sua mulher Ana Carla Muniz. Além disso, a fazenda de 1.694 hectares que Percival comprou no município de São José do Xingu pode estar subavaliada, segundo um corretor que atua em Vila Rica, cidade mais próxima dessa área, da qual o candidato a prefeito de Rondonópolis sustenta ser dono de somente 50%.

O patrimônio de Percival seria ainda maior se seu monomotor Bonanza de prefixo PT-LKH não tivesse caído numa fazenda no município de Querência, em 8 de março de 2009; a queda dessa aeronave a destruiu e resultou na morte do piloto Rhenner Regis Laphaete de Oliveira e Silva, que era o único ocupante do avião.

Trajetória

Até o começo de 1982, Percival dos Santos Muniz era estudante pobre. À época cursava biologia em universidade pública em Brasília. Naquele ano, a convite do presidente do PMDB, Carlos Bezerra – que disputaria eleição para prefeito em Rondonópolis –, Percival mudou-se para aquela cidade e foi lançado candidato a vereador peemedebista. Nome estranho aos rondonopolitanos, no primeiro momento Percival adotou o nome político de Muniz. Essa escolha deixava nos eleitores a impressão de que o candidato seria seu tio e médico Antônio dos Santos Muniz, o Dr. Muniz.

Eleito vereador em 1982, Percival imediatamente entrou em cena para disputar e vencer o pleito para deputado federal pelo PMDB em 1986, ano em que Carlos Bezerra se elegeu governador.

Deputado federal, Percival foi lançado candidato a prefeito de Rondonópolis em 1988, com apoio da máquina do governo, mas foi batido pelo liberal Hermínio Barreto.

Carlos Bezerra queria abrir vaga na Câmara para o suplente de deputado federal Norberto Schwantes e para tanto nomeou Percival secretário de Estado de Assuntos Fundiários. Ao término de seu mandato, o PMDB estava em frangalhos em Mato Grosso e Percival não disputou a eleição em 1990.

Em 1994 Percival estava filiado ao PDT e tentou se eleger deputado estadual, mas não passou de 6.809 votos. Dois anos depois, pelo mesmo partido, foi candidato a vice-prefeito de Rondonópolis na chapa do peemedebista Alberto de Carvalho. Alberto recebeu 25.820 votos.

Gravações telefônicas clandestinas pegaram Alberto negociando propina semanal com o dono da empresa Transporte Coletivo Rondonópolis (TCR) e este fato se transformou no escândalo da Semanada. Pressionado politicamente e para fugir da cassação, Alberto renunciou em 20 de fevereiro de 1999 e seu vice Percival o substituiu. Após a queda do prefeito, descobriu-se que as gravações teriam sido feitas por Eustázio de Mattos, amigo de infância de Percival e a mando deste.

Para conseguir apoio em nome da governabilidade na prefeitura, Percival assumiu compromisso de que não seria candidato a novo mandato de prefeito, mas não cumpriu o prometido.

Em 2000, com 38.392 votos, Percival venceu a eleição para prefeito de Rondonópolis, pelo PPS, e seu vice-prefeito foi Marco Antônio Ribeiro dos Reis (PV), já falecido.

Blairo Maggi se elegeu governador em 2002 pelo PPS e Percival indicou sua mulher, Ana Carla Muniz, secretária de Educação de Mato Grosso. Nas eleições de 2006 e 2010, Percival se elegeu deputado estadual pelo PPS; na primeira recebeu 41.719 votos e na outra, 26.178.

O candidato a vice-prefeito na chapa de Percival é o tucano Rogério Salles, que foi vice-prefeito e prefeito de Rondonópolis, vice-governador e governador, e atualmente é segundo suplente de deputado federal.

Fortuna

Mesmo tendo se dedicado exclusivamente à política ao longo dos últimos 30 anos, o deputado Percival dos Santos Muniz, de 56 anos, é milionário.

A riqueza de Percival, no entanto, não é sinônimo de tranquilidade. No mês passado, o Ministério Público Federal (MPF) propôs ação civil pública contra ele e duas empresas de construção pedindo que devolvam R$ 500 mil aos cofres públicos.

A ação é resultado de investigação do MPF sobre um convênio firmado em 2001 pela prefeitura de Rondonópolis com o Ministério da Integração Nacional no montante de R$ 1.518.000 para obras de drenagem de águas pluviais e pavimentação. O MPF apurou que o convênio foi executado parcialmente, mas a prefeitura pagou integralmente o valor contratado, mesmo sem a conclusão do serviço. Percival nega a existência de irregularidades e debita a ação ao “momento político”.

O município em disputa

Percival disputa a prefeitura com o prefeito Ananias Filho (PR) e o ex-vereador Juca Lemos (PT). Quem vencer administrará no próximo ano um orçamento de R$ 518 milhões.

Rondonópolis tem 198.949 habitantes e 138.773 eleitores; é a maior praça do agronegócio no Centro-Oeste. No ano passado, o município exportou US$ 1.008.012.361 (FOB) e importou US$ 980.227.702 (FOB) – o alto valor das importações se deve à compra de máquinas para o parque industrial da cidade. O Produto Interno Bruto (PIB) rondonopolitano é de R$ 4.862.344.000 e sua renda per capita, de R$ 26.730,57.

A taxa de crescimento populacional proporcional de Rondonópolis entre os censos de 2000/10 foi de 30,17%. Este índice supera Mato Grosso, que cresceu 21,15% no período e também é maior que o resultado alcançado pelo Brasil, de 12,33%.

O município pantaneiro de Rondonópolis tem 4.165,23 km² e faz limites com Itiquira, Santo Antônio de Leverger, Juscimeira, Poxoréu, São José do Povo e Pedra Preta, na região sul de Mato Grosso. A cidade é banhada pelo rio Vermelho (Poguba para os bororos), afluente do São Lourenço da Bacia do Prata, dista 120 quilômetros da divisa com o Mato Grosso do Sul (BR-163),  205 quilômetros da divisa com Goiás (BR-364) e 190 quilômetros de Cuiabá (BR-364/163/070). Seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,791 numa escala de zero a um.

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3 Comentários

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  1. - IP 201.14.97.253 - Responder

    Uma funcionária aposentada do estado, de pequeníssimo escalão, foi intimada, quase sob vara, a comparecer a receita federal para comprovar a veracidade das sua declaração de renda. Isso acontece todos os dias com funcionários públicos e profissionais liberais. Constantemente leio, vejo e ouço na imprensa agentes públicos acusados de desviar dinheiro, acusação esta, em muitos casos, acompanhada de videos mostrando o crime. Jamais ouvi falar que um deles siquer foi intimado pela receita a comprovar a origem dos seus bens, e nem mesmo sei que alguem esta preso. Os Estados Unidos conseguiram colocar Al Capone na cadeia por causa do impôsto de renda.

  2. - IP 189.95.93.27 - Responder

    O eleitor Aloisio disse bem ; se voçe cair na malha fina da receita por uma simples infformação imprecisa está ferrado, mas essas raposas enriquecem inexplicavelmente , porem essa mesma receita parece desconhecer . Qual sera este misterio que impede a receita federal de cair matando nessas pessoas.
    Esse Percival é um dos que se diz mais ilibados nesse amontoado de fichas sujas que ocupam a ALM T.

  3. - IP 201.10.174.248 - Responder

    e os outros CANDIDATOS A PREFEITURA DE ROO ??? PQ SÓ COMENTARIO DESSE PERCIVAL ??? TEM MUITA LAVAGEM DE DINHEIRO, GENTE GRANDE DO OUTRO LADO E MTOS GRANDES KKKKKKK E SÓ FALA DO PERCIVAL …. SE É PARA PERSEGUIR … POE TODOS … E NAO SIMPLESMENTE UM ….

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