PREFEITURA SANEAMENTO

JORNALISTA EDUARDO GOMES: Pelas propostas que vi e ouvi, independentemente de quem ganhe, perderemos. Temo pelo amanhã. Esse temor aumenta quando escarafuncho o perfil dos principais candidatos. Não busco neles pureza angelical nem acredito na presença de virgem em cabaré. Minha pulga na orelha se explica assim: a falta de política de saúde pública é o principal, mas não o único fator para me deixar com os pés atrás com essa gente que desconhece ou desqualifica áreas e questões pontuais estratégicas.

eduardo gomes, jornalista, reflete sobre o caos da saúde em cuiabá e em todo mato grossoDe diagnóstico errado

EDUARDO GOMES
Dor intensa no peito. Visão turva. Insensibilidade labial. Com o eletro nas mãos o primeiro médico diz: é refluxo. Dois dias depois e com outro eletro uma médica ratifica o colega. O infarto fica mascarado por 12 dias até que um cardiologista aponta uma encruzilhada: pontes de safena ou morte. Em outro consultório surge a alternativa dos stents farmacológicos, quatro pra ser mais claro. Entra em cena o plano de saúde com cobertura nacional e começa a agonia, com 10 dias na UTI aguardando a liberação da angioplastia. Três pacientes num corredor da morte e um deles morre. Plano de saúde joga com o relógio: retarda a autorização e quem fica pelo caminho aumenta a lucratividade. Pior ainda é no SUS.

Hoje, um ano depois de sair do corredor da morte, brindo à vida que Deus piedosamente preservou em meu coração. Louvado seja o Senhor!

A ausência do Estado em todas as suas esferas na saúde não foi objeto de debate dos candidatos ao governo com a população e recebe tratamento palanqueano dos que sonham com o Palácio Paiaguás.

Pelas propostas que vi e ouvi, independentemente de quem ganhe, perderemos. Temo pelo amanhã. Esse temor aumenta quando escarafuncho o perfil dos principais candidatos. Não busco neles pureza angelical nem acredito na presença de virgem em cabaré. Minha pulga na orelha se explica assim: a falta de política de saúde pública é o principal, mas não o único fator para me deixar com os pés atrás com essa gente que desconhece ou desqualifica áreas e questões pontuais estratégicas.

Na semana passada conversei com Lúdio Cabral. Perguntei a ele sobre o Corredor Bioceânico; Lúdio, candidato ao governo pelo PT coligado com o PMDB e o PR, não sabia do que se tratava.

José Riva (PSD) caminha sobre um binômio: enquanto legislador destaca o projeto para criar a Lei da Eficiência Pública; na esfera da sugestão administrativa defende uma ferrovia ligando Água Boa ao Pará. Francamente, criar uma lei pra alcançar a eficiência é chover no molhado. Botar um trem apitando na margem esquerda do Araguaia quando na direita cruza a Ferrovia Norte-Sul, e o governo avança no projeto da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste – que viabilizará economicamente a Norte-Sul – é desconsiderar as demandas prioritárias.

Temo Pedro Taques (PDT), que enquanto procurador da República travou hidrovias e até mesmo estudos técnicos hidroviários, o que é incompatível com a lógica, pois é a partir dos levantamentos que se define com amplitude a viabilidade ou não dos projetos.

Venci o infarto. Escapei do corredor da morte. Pelas minhas netas, meus filhos, minha família e Mato Grosso que há 44 anos adotei e fui por ele adotado, refletirei bastante sobre meu voto. Sei bem o que é diagnóstico errado.

Eduardo Gomes é jornalista

eduardo@diariodecuiaba.com.br

3 Comentários

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  1. - IP 177.6.110.248 - Responder

    a saúde realmente é tudo. gostaria muito de ter a certeza de ir a um posto de saúde em qualquer cidade de mato grosso e encontrar lá o médico de que preciso

  2. - IP 177.4.189.66 - Responder

    Excelente texto. O pouco que os candidatos falam a respeito, é usando a velha forma genérica de “responder – não respondendo”.

  3. - IP 200.103.89.38 - Responder

    Melhoras Eduardo Gomes! Quanto aos nossos candidatos recorro aos clássicos gregos: Tanto quanto a porta do Hades, odeio aquele que esconde no fundo de seus coração, o pensamento e diz outra coisa. (Ilíada, 9) “Vejo que não são as ações, mas as palavras que leva a tudo. Não há vergonha em mentir, se a mentira traz a salvação”, declara Ulisses -“Não é outra coisa senão a velha fórmula do “quem quer os fins quer os meios”

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