Adilton na Câmara

Adilton na Câmara

Ailton. Adilson. Airton. Muitos em Rondonópolis não sabiam ao certo o nome do afilhado político do governador Blairo Maggi, escolhido candidato a prefeito pelo PPS. Isso, em 2004, com a popularidade de Blairo no alto, pouco contava. O importante era eleger o felizardo. Assim, Adilton Sachetti sob as bençãos do padrinho Blairo venceu a eleição para a prefeitura com 30.932 votos deixando para três Wellington Fagundes (PL), com 27.931 votos; Zé Carlos do Pátio (PMDB), com 26.133 votos; e Carlos Ihamber (PDT), com 1.153 votos. Transcorridos 14 anos, bem conhecido e deputado federal, Adilton concorre ao Senado pelo PRB.

Adilton mesmo apadrinhado, bateu na trave para se eleger. Para facilitar a caminhada do afilhado de Blairo, seus aliados políticos na cidade trataram de escolher um candidato a vice que tivesse cheiro de povo. Manoel Machado, o Maneco (PSL), militante comunitário em Vila Operária, se encaixou como luva no projeto. Vila Operária é um distrito com vários bairros densamente povoados, que a título de peso eleitoral pode ser comparado ao CPA em Cuiabá ou ao Cristo Rei em Várzea Grande. Mais: aquela região é um reduto do antigo PMDB (agora MDB) por força da liderança do padre Lothar Bauchrowicz,  que endeusa Carlos Bezerra – à época o avalista de Zé do Pátio.

Com Blairo abençoando e Maneco quebrando a pose nobre de Adilton a campanha avançou. Certa noite Adilton seguiu para um comício numa vila, mas não sabia o caminho nem onde exatamente ficava aquela comunidade. Nas imediações de Vila Operária parou o carrão ao lado de um grupo que conversava. Baixou o vidro e sem cumprimentar ninguém perguntou onde ficava uma tal de Vila Clarion. Recebeu a informação e perdeu alguns votos.

Eleito e empossado passou a se sentir filho único da rainha da Inglaterra, que estaria doente e a poucos suspiros de lhe entregar a coroa e o reino. Sua administração teve aprovação popular, mas ele não soube viver o calor humano que é a grande marca  de Rondonópolis. Quatro anos depois de entrar na prefeitura, saiu pela mesma porta. Em 2008 tentou a reeleição pelo PR. Recebeu 46.975 votos perdendo para Zé do Pátio (PMDB), que conquistou 51.775 votos. Naquela eleição João Antônio Fagundes (PR), filho de Wellington Fagundes, foi companheiro de chapa de Adilton; e Marília Salles (PSDB), mulher de Rogério Salles, fez dobradinha com Zé do Pátio.

Durante o mandato de Adilton entrei uma vez em seu gabinete. Foi dois dias após a eleição em que Zé do Pátio o jogou na lona. O entrevistei para um balanço de sua administração; em duas ocasiões, tomado pela emoção, não conseguiu conter as lágrimas. Estava arrasado. Não era mais o homem de nariz empinado, que certa vez disse, mas que nega sempre que esse fato é citado: alguém perguntou se ele era metido e não gostava da pobreza. Sua resposta entrou para o lado mais grotesco do folclore político: “isso não é verdade; meu vice, o Maneco, é pobre, preto e analfabeto”.

O baque eleitoral de Adilton em Rondonópolis fez Blairo mudar os planos para a eleição ao governo em 2010, o que facilitou o surgimento do nome do então vice-governador Silval Barbosa (PMDB) ao governo.

Como prêmio de consolação, Blairo criou a Secretaria Extraordinária de Apoio e Acompanhamento às Políticas Ambientais e Fundiárias, que não tinha pé nem cabeça e em 2 de junho de 2009 nomeou Adilton seu titular.

Posse na Agecopa (esq./dir.) Yênes, Brito, Yuri, Blairo, Adilton, França, Bonilha Jefferson

Posse na Agecopa (esq./dir.) Yênes, Brito, Yuri, Blairo, Adilton, França, Bonilha  e Jefferson

Mesmo com as asas políticas quebradas Adilton permanece em Rondonópolis, mas em 2009 tinha planos para Cuiabá, que iam muito além da insossa secretaria que Blairo lhe jogou no colo. Em 18 de julho daquele ano voei de Várzea Grande a Manaus nos dois sentidos, cobrindo um voo inaugural da TRIP, que acabava de incorporar o jato Embraer 175 à sua frota e o apresentou a autoridades dos dois estados e de Rondônia. Na volta, eu na última fileira, bem longe dos ocupantes nobres dos assentos, ganhei a companhia de Adilton, que me confidenciou, “o Blairo pediu pra que eu assuma uma agência que está sendo criada pra cuidar da Copa do Mundo. Vou entregar a presidência do PR de Rondonópolis ao Ananias (Martins, então vereador) e ficarei por um período em Cuiabá”.

Em 12 de novembro de 2009 Blairo empossou a diretoria da recém-criada Agência  Estadual de Execução dos Projetos da Copa do Mundo do Pantanal  (Agecopa), com Adilton na presidência e seis diretores: Yênes Magalhães (Planejamento e Gestão), Jefferson de Castro (Orçamento e Finanças), Yuri Bastos Jorge (Assuntos Estratégicos), Carlos Brito (Infraestrutura), Roberto França (Comunicação e Marketing) e Agripino Bonilha (Articulação Interinstitucional). Junto com a presidência o governador deu carta branca para Adilton contratar 80 aspones, além de outros cargos menores. A secretaria criada para Adilton volatilizou-se;

Na Agecopa briga era o que não faltava. Ninguém se entendia, mas em meio a tanto estrelismo o desentendimento entre Adilton e Yuri ganhava espaço acanhado no noticiário bem atrelado ao poder. Em outubro de 2010 Adilton entregou o cargo ao então governador Silval Barbosa, que nomeou Yênes presidente interino. No adeus o ex-presidente disse que a Agecopa queria se transformar em poder paralelo.

Inelegível em 2010 por conta da Agecopa, Adilton voltou à cena política em 2014 pelo PSB e se elegeu deputado federal com 112.722 votos (7,75% do eleitorado), dos quais 47.866 em Rondonópolis Nilson Leitão (PSDB) foi campeão de votos ao cargo com 127.749 votos.

Adilton e Wellington, juntos

Adilton e Wellington, entre tapas e beijos

AO SENADO –Adilton disputa o Senado com os suplentes Chico Galindo (PTB) e Alessandra Nicole (PRB). Galindo foi deputado estadual, vice-prefeito de Cuiabá e prefeito com a renúncia do titular Wilson Santos. Nicole presidiu a APDM – versão feminina da associação dos prefeitos (AMM); é mulher de Alessandro Nicoli, que foi prefeito de Santa Carmem em dois mandatos consecutivos.

A coligação A Força da União, que abriga o PRB, é liderada pelo PR do senador Wellington Fagundes, candidato ao governo com a vice Sirlei Theis (PV)  e duas chapas ao Senado: uma encabeçada por Adilton e outra pela ex-reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), professora Maria Lúcia Cavalli (PCdoB), com os suplentes Gilmar Soares Ferreira, o Professor Gilmar do Sintep (PT) e Aloísio Arruda (PCdoB), além de candidatos a deputado federal e deputado estadual. Esse grupo é formado por 10 partidos: PR, PV, PCdoB, PTB, PP, Pode, Pros, PRB, PT e PMN.

ADILTON – Blairo, o padrinho de Adilton, na verdade é seu amigo de juventude e compadre. As casas dos dois em Rondonópolis são divididas por um muro, mas entre elas há uma passagem ‘bandoleira’. Adilton Domingos Sachetti é catarinense de Nova Veneza, viúvo e tem 62 anos; é arquiteto, empresário e produtor rural, e mudou-se do Paraná para Rondonópolis em 1983 para trabalhar em projetos do grupo empresarial da família de Blairo – nessa condição foi autor do projeto urbanístico de Sapezal, cidade fundada pelo patriarca dos Maggi, André Antônio Maggi no Chapadão do Parecis.

2005 - Foto oficial na Prefeitura de Rondonópolis

2005 – Foto oficial na Prefeitura de Rondonópolis

Presidiu o Sindicato Rural de Rondonópolis e a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) e foi um dos criadores do Núcleo do Algodão na Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária em Mato Grosso (Fundação MT). À frente da Ampa e também em nome da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) travou uma batalha na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o subsídio que os Estados Unidos concediam aos cotonicultores americanos – o resultado foi o melhor possível para o Brasil e principalmente para Mato Grosso, que se tornou líder nacional na lavoura algodoeira respondendo por cerca de 60% da safra nacional – e venceu. Pela primeira vez os Estados Unidos perderam uma disputa na OMC.

CÂMARA – Deputado do baixo clero, Adilton não é destaque no noticiário da Câmara. Em plenário votou favorável ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e também pela aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Teto dos Gastos Públicos.

RESUMO – Adilton tem experiência administrativa e parlamentar. Seu perfil é de direita e defende o agronegócio. Mesmo em período eleitoral não consegue sorrir; é isolado e não demonstra sensibilidade – ao estilo jogador de pôquer.

Seu padrinho Blairo deixa claro que o apoia ao Senado. Lógico que Adilton gosta dessa capa de proteção, ainda que ela não o faça sorrir.

Com espírito desarmado Adilton segue gostando de Blairo e do Maneco, e em campanha, mesmo sem admitir que seja político percorre Mato Grosso, a terra que escolheu para viver.

 

Eduardo Gomes/boamidia

FOTOS:

! – Agência Câmara

2 – Guilherme Filho

3 – Marcos Negrini

4 – Matusalém Teixeira

 

PS

 

26º capítulo da série TRANSPARÊNCIA – sobre as eleições majoritárias

FONTE www.boamidia.com.br