EDMUNDO ARRUDA JR: Sobre a crítica de P.Ghiraldelli a Pondé e Karnal

Ghiraldelli e Pondé

Sobre a crítica de P. Giraldelli a Pondé e Carnal!*

Por Edmundo Arruda

Paulo Ghiraldelli em seu video disponível nas redes, empreende uma critica a Luiz Felipe Pondé e Leandro Karnal. Gosto do Paulo repeteco do pragmatismo do grande filósofo norteamericano Richard Rorty. Mas a critica a Pondé e Karnal (guardo simpatia pelo primeiro e não muito do segundo) parece-me mais ciumeira que algo sério. Eles sabem se promover. São a versão masculina das vedetes de um não desprezível auditório plural e em progressão. Ousam sair do habitus acadêmico tardio, instigando outros auditórios menos seletos, isolados, desmoralizados pela crônica empáfia e incapacidade de encontrar, minimamente, correlatos nas consciências de indivíduos. Bloguistas, conferencistas e escritores de sucesso, Pondé e Karnal irritam essa academia ornitorríntica. No Brasil essas condições de alguma correlação entre ideias e pessoas fora dos corredores universitários (ou em disputas por prendas, privilégios, auto-promoções e e seleções/avaliacões conhecidas do compadrio corporativista, são tomadas como acões ofensivas, inaceitáveis.
Pois bem, Paulo coloca dois carimbos nos seus colegas, algo eticamenente inapropriado, pra dizer pouco, sem envidar o exigido calvário do conceito em sua análise crítica. É o que se espera de um professor Doutor em fulgurante anúncio do vídeo, sobre as razões de intelectuais guinarem para a direita. Ora, imaginem o disparate de medir o quilate ou os vinténs de uma reflexão no nível de PhDs pelo viés da patrulha ideológica. Ok. Tempos de metamorfoses (U. Beck) a tornar a ciência ainda mais monstra (Paul Feyerebend). Nem entro no mérito do selo da “auto-ajuda” na qual Paulo Giraldelli os sentencia como farinha do mesmo saco(conhecida figura retórica para desclassificar o “adversário/inimigo”). Golpe baixo. Paulo fica devendo demonstrar a seus desprezados colegas uma indagação analiticamente aceitável. Eles, Pondé e Karnal têm todo o direito de se expressar. É constitucional. E, éticamente defensável numa sociedade carente de alguma indagacão fundada em dúvidas sobre os resultados concretos de pensamentos heróicos herdados do século XVIII, do lado dos que perfilam a seita dos zeladores morais das grandes virtudes socialistas.
Pondé seria um intelectual cativo, resignado, um desconstrutivista pós-moderno sem responsabilidade alguma em termos das consequências epistemológicas e políticas. Um livre pensador adequado a um certo anarco-capitalismo, a luva perfeita para o estupro neoliberal. Será?

 

Karnal


Karnal seria algo diferente de Pondé. Nele o apelo não é para alguma mudança mais orgânica, mas uma reivindicação à revolução dos costumes e da moral no plano restrito do indivíduo. Seria mais um pentecostal laico a serviço da auto-ajuda. Será?
Pondé e Karnal, intelectuais reacionários? O J’accuse chama a atenção, pela intriga. Menos pelos argumentos, como veremos, mas de pronto, pelo pressuposto. Se os dois criticados, e Paulo ressalta que nada há de pessoal, somente uma ilustração de tipos ideais que encontram confirmação entre milhares de intelectuais brasileiros, ele, Paulo, encarnaria a subsunção total na realidade do conceito de intelectual revolucionário. Haja modéstia. Então fiz um esforço e revi o video.
E não é que, um tanto oportunisticamente Paulo, um rortyniano, basicamente, sepulta o Nietzsche pragmático e encarna um paupérrimo a, b, c de marxismo para expressar a relação entre formas de consciência e condições materiais de existência – na (re) produção. Um recurso mágico ao estruturalismo (científico) muito parecido com o marxismo de L.Althusser. Ok! O ornitorrinco guarda potência em termpos mutacionais nos quais todas as colateralidades não serão punidas.
A descontrução de Pondé e Karnal foi insuficiente e superficial menos pela aulinha sobre organicidades pré- gramscianas. Não. Paulo se socorre do marxismo, num tempo em que não somente a ideia de dialética do progresso parece biruta por crônica contrafacticidade, mas por dois brancos, um universal, os danos dos efeitos perversos do marxismo-leninismo na cultura socialista e nas suas formas de gestão concreta da (política e do desenvolvimento); outro, doméstico, embora relacionado (porque também derrota contabilizada) com o que motiva em grande medida as insurgências midiáticas de Pondé, Karnal e outros poupados sei lá porquê (Cortella e outros tantos). Trata-se do branco ou silêncio sobre a auto-destruição da esquerda brasileira por consequência de uma bomba de efeito retardado, o “transformismo” e, mais próximo do tempo, por causa da renúncia ao pensamento ou efeito Chauí, em face do escândalo do Mensalão…ao qual se seguiram um conjunto “reflexivo” no qual as narrativas tornam-se substitutas da realidade, instalando o reino da “pós-verdade”. O simulacro torna-se o real, remetendo as polarizações reais a um detalhe sem importância ao meio à guerra de desinformação e às retóricas estratégicas. A histeria dos “progressistas” do Sul e, pasmem, do Norte, sobre o futuro da Amazônia é um exemplo especular dessa alienação a la Leonardo de Caprio. Cria uma “unidade” fictícia entre forças do progresso e da regressão, amalgamando-os a serviço dos donos do dinheiro e do poder mundial.

 

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* Edmundo Lima de Arruda é Doutor em sociologia pela Université Catholique de Louvain. Prof. Titular aposentado da UFSC.

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