Éder Moraes refuta imputações da Operação Ararath

Éder Moraes e o homem que o inventou para a política, Blairo Maggi (PR), empresário, ex-governador de Mato Grosso e atual senador da República

Éder Moraes e o homem que o inventou para a política, Blairo Maggi (PR), empresário, ex-governador de Mato Grosso e atual senador da República

ARARATH


Construtoras tinham ‘aval’ da Sinfra

Sem orçamento e endividado, o governo emitia anuência informal ao BIC para credores do programa Estradeiro contraírem empréstimos

EDUARDO GOMES
DO DIÁRIO DE CUIABÁ

Mato Grosso, 2006. Atingida por uma crise mundial que não poupa o agronegócio, a economia ressente e a receita do Estado encolhe. O governo estadual não consegue pagar os empresários que levam adiante as obras do programa rodoviário Estradeiro. A saída para evitar a bancarrota é lançar mão da informal anuência, para que eles busquem socorro financeiro em bancos, até que a poeira se assente. Transcorridos quase oito anos, esse mecanismo foi jogado na vala comum dos supostos crimes de lavagem de dinheiro e contra o sistema financeiro, em fase de apuração com base nas investigações e indícios levantados pelo Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal na quinta etapa da operação Ararath, desencadeada em 20 de maio deste ano em Cuiabá e outras cidades.

O leque de apuração é amplo e envolve gente graúda, bancos, empresas e órgãos públicos. Do cruzamento de nomes surgiu uma vala comum e nela foram jogados dezenas de ofícios de Vilceu Marchetti, então titular da extinta Secretaria de Infraestrutura do Estado (Sinfra) declarando ao gerente operacional do Banco Comercial e Industrial (BIC) em Mato Grosso, Luiz Carlos Cuzziol, que a empresa “tal” era credora de “x” do governo e que a liquidação dessa dívida aconteceria em 1º de julho de 2007. Na papelada que abriu porta para empréstimos em torno de R$ 160 milhões, Marchetti era secundado pelo secretário-adjunto Eziquiel Lara. Assim a vala se abriu para Marchetti, Cuzziol, empresários e o ex-secretário estadual de Fazenda, Éder Moraes.

No transcorrer de Ararath, cumprindo mandados de busca e apreensão, policiais federais recolheram as tais anuências com o chamegão de Marchetti e Eziquiel. O curso das investigações apontou que elas poderiam ser indícios de lavagem de dinheiro. Afinal, tratava-se de vultosas operações envolvendo o BIC com empresas que realizavam obras para o governo. Aparentemente um angu de caroço danado.

Com a apreensão das anuências o MPF informou à imprensa que se tratava de operações ilícitas, com indícios de lavagem de dinheiro e que seriam orquestradas por Éder Moraes, que é ex-bancário do BIC.

O principal acusado, Éder Moraes, teve a prisão preventiva decretada e foi conduzido a Brasília, condição essa que o impediu de dar sua versão ao fato. Cuzziol também foi preso. Assustado Marchetti evitou os jornalistas e a mesma postura teve o empresariado que tomou empréstimos bancários. Até agora prevaleceu a versão do MPF. Cuzziol não fala com jornalistas. Éder Moraes diz que enquanto secretário de Fazenda não respondia pela Sinfra e que seu único papel era o de arrecadar e repassar o orçamento às secretarias. Nesta página, empresários e Marchetti deram suas versões.

Ararath também tem desdobramento no Ministério Público Estadual (MPE). Os dois depoimentos do empresário Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o Júnior Mendonça, na semana passada, ao MPE, como parte de sua deleção premiada para apontar a participação de autoridades do governo, Assembleia Legislativa, Judiciário e MPE no suposto esquema, não foram divulgados, mas reacenderam o caso. O Diário volta a destacá-lo, mas segmentado – para facilitar seu entendimento – tamanha sua complexidade, focalizando a anuência da Sinfra.

ANUÊNCIA – Por destempero administrativo e outras razões o governo atrasa pagamento às empresas que constroem grandes obras. Quando isso acontece os bancos entram em cena concedendo empréstimos aos credores do Estado. O volume dessas operações assusta o cidadão já escaldado com tantas denúncias de corrupção, que quase sempre não resultam em nada. Porém, à luz do mercado financeiro, não passam de filé para saciar a fome de dinheiro dos banqueiros.

O empresário João Simoni recebendo título de Cidadão Mato-grossense outorgado, na Assembleia Legislativa, pelo deputado Emanuel Pinheiro (PR)

O empresário João Simoni recebendo título de Cidadão Mato-grossense outorgado, na Assembleia Legislativa, pelo deputado Emanuel Pinheiro (PR)

Empresário sustenta que operações foram legais

DO DIÁRIO DE CUIABÁ

Construtora Locatelli, Três Irmãos Engenharia, Trimec, Cavalca, Engeponte, Constil, Guizardi Jr., Guaxe, Ensercon, Destesa, Constil, Alfer, Todeschini, Projetus e Objetiva são algumas das construtoras que receberam a anuência da Sinfra por ordem de Marchetti. Todas contraíram empréstimos bancários, receberam o que o governo lhes devia e pagaram a ‘dolorosa’ ao BIC.

O empresário João Carlos Simoni representa as empresas Constil e Todeschini. Simoni reconhece que fez operações com o BIC e que recebeu anuência de Marchetti. Para ele, trata-se de procedimento legal e muito comum na relação das empresas com o governo em todas as suas esferas. “Para o governo, atrasar seis dias ou seis meses é a mesma coisa. Pra nós empresários é diferente, porque temos 500, 600 ou mais operários nas obras e temos que pagar aos fornecedores”.

Simoni admite que o empresariado não pode pressionar o governo, que é o grande cliente. Por isso, se submete a juros bancários, mas não aceita a pecha de irregularidade lançada sobre as operações com o BIC. “Todos (os empresários) que trabalham para a antiga Sinfra (renomeada Secretaria de Transporte e Pavimentação Urbana/Setpu) primeiro vencem as licitações e depois executam as obras para, então, tentar recebê-las”, observa Simoni. O empresário ainda argumenta que o Tribunal de Contas do Estado acompanha em tempo real a execução do cronograma da obra contratada, mas que não adota idêntico procedimento quanto ao pagamento da mesma.

Outros três empresários, que pediram a omissão de seus nomes, reforçaram o que disse Simoni. Todos lamentaram que foram obrigados a pagar juros bancários em razão dos atrasos do governo. (EG)

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 Na papelada que abriu porta para empréstimos em torno de R$ 160 milhões, Vilceu Marchetti era secundado pelo secretário-adjunto Ezequiel Lara. Foi assim que o MPF e a Policia Federal reuniram indicios que, mal avaliados, segundo Éder Moraes, acabaram arrastando para a vala comum Vilceu Marchetti, Luiz Carlos Cuzziol, gerente do BIC BANCO,empresários de construtoras e ele mesmo, ex-secretário estadual de Fazenda no governo de Blairo Maggi


Na papelada que abriu porta para empréstimos em torno de R$ 160 milhões, Vilceu Marchetti era secundado pelo secretário-adjunto Ezequiel Lara. Foi assim que o MPF e a Policia Federal reuniram indicios que, mal avaliados, segundo Éder Moraes, acabaram arrastando para a vala comum Vilceu Marchetti, Luiz Carlos Cuzziol, gerente do BIC BANCO,empresários de construtoras e ele mesmo, ex-secretário estadual de Fazenda no governo de Blairo Maggi

Marchetti se dizia em paz com a consciência

DO DIÁRIO DE CUIABÁ

Segunda-feira, 7 de julho deste ano. Pela manhã sigo do Coxipó para o Diário. Na calçada da farmácia Unimed, à avenida Fernando Corrêa da Costa, vejo Vilceu Marchetti. Paro e me dirijo a ele, que me recebe com um distante aperto de mãos.

Digo que quero ouvi-lo sobre Ararath, pois escrevo um livro que pretendo lançar em 2015 sobre os maiores rombos nos cofres públicos. Ele não gosta e franze a testa. “Da minha parte não houve rombo”, retruca insatisfeito.

Insisto citando as anuências. Ele desarma o semblante, conversa calmo, mas objetivo. Disse-me que 2006 foi ano eleitoral e, na Sinfra, se viu obrigado a atender a muitos pedidos políticos, inclusive de deputados, para reformar essa ou aquela escola, construir isso e aquilo, enfim, a destinar para as emergências administrativas recursos que seriam para pagar as empreiteiras que trabalhavam no programa Estradeiro. Isso, segundo ele, contribuiu para um rombo no orçamento que pra não ter efeito dominó sobre as construtoras teria que ser contido por meio dos bancos.

Pergunto se ele não acha que a anuência abre caminho à corrupção. A resposta é seca: “Não”! Tento insistir na pergunta e sua voz me atropela: “Caminho pra corrupção, não; tenho certeza de que abre caminho pra banqueiro ganhar dinheiro e empresário ficar azedo com o governo”.

Faço a última pergunta: “Quem sugeriu a anuência?”. Ele abre meio sorriso: ”Isso sempre existiu. A Sinfra assume que deve, o empresário leva o papel ao banco e a Secretaria de Fazenda trata de arrecadar para gente pagar o que deve”, sintetizou.

Estendo a mão me despedindo e meu velho conhecido diz que está em paz e tem a consciência tranquila. À noite, pelos sites, tomo conhecimento de seu assassinato numa fazenda em Santo Antônio de Leverger, no entorno do Pantanal. Vilceu Francisco Marchetti morreu sem direito à defesa. Estava em paz. Descanse em paz. (EG)

3 Comentários

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  1. - IP 201.71.163.127 - Responder

    AO QUE TUDO SE MOSTRA REALMENTE TENHO QUE ACEITAR QUE O EDER FOI USADO, PORTANTO INOCENTE, TUDO ISSO NAO PASSOU DE PERSEGUIÇÃO POLITICA COMPROVADA PARA ELEGER ALGUEM…

  2. - IP 189.59.55.28 - Responder

    Esse rapaz é tão inocente quanto todos que estão no Pascoal Ramos e afirmam que nada fizeram.Eu acho que ele quer pautar e comandar as investigações.AGUARDEM,fortes emoções chegarão ao Paiaguás e ao Senado Federal,e não haverá MAGGIca que impedirá.

  3. - IP 201.86.178.93 - Responder

    olha osmir é um sonho dos MT verem: deputados, secretários, governadores…… presos, tomados seus bens, leiloados e dados a saúde, educaçaõ…………. mas, mas, mas, ISSO NUNCA ACONTECERÁ. Temos só a esperança e a certeza que eles irão penar eternamente no castigo divino, há vão. E a única satisfação nossa é que 06 da manhã tenho certeza que a PF não baterá na minha porta.

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