“É preciso construir um novo formato de comunicação popular”, defende Gilmar Mauro, coordenador nacional do MST, em Cuiabá

Na abertura da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária, Gilmar Mauro também falou sobre agroecologia e violência no campo

 

Nathali Luize Malaco

Da Focagen – Agência Junior de Jornalismo

 

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Gilmar Mauro, abriu oficialmente a segunda edição da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA), sediada na UFMT até o dia 29 de maio. O líder fez uma conferência para estudantes, professores, integrantes do MST e público em geral e falou sobre as perspectivas do Movimento no contexto político atual.  Para ele, “é preciso construir um novo formato de comunicação popular para apresentar nossas pautas à sociedade”.

No Brasil, 19 estados realizam feiras da Reforma Agrária, com o intuito de vender alimentos orgânicos produzidos pelos assentados e promover a economia solidária. Para Gilmar, esses encontros são uma forma de romper com a limitação da comunicação convencional e estabelecer novas estratégias de alcance. “A comunicação é vista, às vezes, como instrumento só, como a tv, o rádio. Uma feira é um espaço importante de comunicação e nós precisamos trabalhar isso”, declarou. Ele acredita que criar novas formas de contato faz com que “bolhas” sejam rompidas e preconceitos diminuídos.

Agroecologia – A agroecologia foi outro ponto importante apresentado pelo coordenador. O MST é o maior produtor de arroz orgânico da América Latina, tendo sua principal concentração no Rio Grande do Sul. A Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) não classifica nenhuma diferença entre a produção orgânica e a que utiliza agrotóxicos na estimativa de safra. No entanto, Gilmar afirma que a agroecologia vai além de não utilizar veneno nas plantações, pois idealiza a integração de seres humanos e natureza. “Tem a ver não só com produção sem veneno, mas uma mudança na cultura alimentar e isso é fundamental. Tem gente que usa veneno, nós estamos trabalhando na perspectiva de superar isso. A nossa concepção é de que a terra é um patrimônio da humanidade, ela não deveria ser mercantilizada”, esclarece o coordenador.

Ainda de acordo com Gilmar, cada espécie encontra na natureza suas formas de sobrevivência, sem a necessidade de alterações químicas. “Por exemplo, a braquiária é originária da savana. Como é que se resolve o problema da braquiária? Produzindo sombra! Não precisa botar veneno. Cada tipo de espécie é originário de um bioma”, afirma. Para o coordenador, estudar os ciclos na natureza antes de produzir é essencial.

Violência no Campo – O Brasil é um dos países mais violentos para quem luta pela distribuição justa da terra. Em 2017 foram registradas mais de 70 mortes, a maioria ocorridas em massacres. Em novembro de 2018, o Deputado Federal (PSL/SP), Eduardo Bolsonaro, declarou em entrevista que quer criminalizar o MST e, se necessário, prender 100 mil. Para o coordenador do Movimento, Gilmar Mauro, essa política de ódio é desastrosa para o Brasil. “Ele nos pegou como inimigo, como parte da tática política”, afirma. Gilmar acredita que “demonizar” os movimentos sociais é uma estratégia para legitimar possíveis ataques. “Você cria um inimigo e diz ‘esse é o responsável pela crise’. É preciso demonizar algo para justificar processos coercitivos. É preciso justificar a brutalidade e a violência contra os sem-terra”, concluiu.

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

cinco × dois =